Desde agosto deste ano de 2017, os povos indígenas adquiriram uma presença incomum na mídia argentina, em estreita ligação com um fato que chocou o país: o desaparecimento forçado (e posterior verificação de sua morte) do militante Santiago Maldonado, de incursão pela Gendarmeria Nacional (forças de segurança) para a comunidade indígena mapuche “Pu Lof en Resistencia” de Cushamen, na província de Chubut, no sul do país.

Em 26 de novembro, houve uma brutal repressão da Polícia Federal e da Prefeitura Naval, à comunidade Mapuche Lafken Winkul Mapu, na área do Lago Mascardi, localizada a cerca de 35 km de San Carlos de Bariloche, Província de Río Negro. Ocorreu a trágica morte (assassinato) de Rafael Nahuel, um jovem mapuche de apenas 22 anos. Além disso, outros dois mapuches foram feridos com balas de chumbo. Para isso deve-se acrescentar que vários atos de violência foram registrados.

Esses eventos não são surpreendentes ou casuais. Por algum tempo, desde a gestão do governo nacional – especialmente o Ministério da Segurança – com o consentimento da mídia ligada ao poder político e econômico, e mensagens de alguns grupos nas redes sociais, um processo de demonização começou, e a estigmatização de um suposto “outro interno” definido como perigoso no quadro da grande avidez especulativa que os territórios da Patagônia enfrentam antes do voraz avanço das políticas neoextractivistas.

É assim, e dada a gravidade desses fatos, somos obrigados a notar como profissionais que trabalhamos com os povos indígenas a vulnerabilidade institucional e a repressão exercida sobre diferentes comunidades indígenas do país.

Portanto, exigimos das autoridades dos vários poderes e solicitamos às instituições envolvidas e os meios de comunicação para o efetivo cumprimento dos direitos dos povos indígenas previstos na Constituição Nacional (artigo 75, parágrafo 17), vários acordos internacionais (Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, e a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas), bem como outras legislações nacionais, provinciais e locais.

Pedimos a toda a comunidade acadêmica e à sociedade como um todo para demonstrar e exigir a cessação da violência contra as comunidades indígenas.

Dr. Stephen Grant Baines, Dra. Mónica Berón2 4, Lic. Malena Castilla2, Dr. Juan Engelman2 3 4, Dra. Isis María Cunha Lustosa5; Lic. Nadia Molek2; Prof. Alejandra Pérez2, Lic. Ludmila Quiroga2 6, Dr. Juan Carlos Radovich2 4, Dr. Hugo Trinchero2 4 7, Dr. Sebastián Valverde2 3 4, Prof. María Laura Weiss2 4.

1Profesor Titular, Departamento de Antropología (DAN), Universidade de Brasília (UnB); Pesquisador A do CNPq; Coordenador do Laboratório e Grupo de Estudos em Relações Interétnicas (LAGERI); Coordenador do Comitê Povos Tradicionais, Meio Ambiente e Grandes Projetos, Associação Brasileira de Antropologia – ABA, Gestão 2017-2018.

2Fac. de Filosofía y Letras – Universidad de Buenos Aires (Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Rep. Argentina).

3Dto. de Cs. Sociales, Universidad Nacional de Luján (Ciudad de Luján, Provincia de Buenos Aires, Rep. Argentina).

4Consejo Nacional de Investigaciones Científicas y Técnicas – CONICET (Ciudad Autónoma de Buenos Aires, Rep. Argentina).

5Laboratório de Estudos e Pesquisas das Dinâmicas Territoriais (Laboter), Instituto de Estudos Socioambientais (IESA), Universidade Federal de Goiás (UFG).

6Universidad de Morón (Ciudad de Morón, Provincia de Buenos Aires, Rep. Argentina).

7Universidad Nacional de José. C. Paz (José. C. Paz, Provincia de Buenos Aires, Rep. Argentina.

FONTE: Recebido por email.

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