As comunidades indígenas estão cada vez mais integradas ao processo democrático brasileiro. Nas Eleições de 2018, a Terra Indígena Maxakali, recebeu uma seção eleitoral pela segunda vez na sua história. Boa parte dos cerca de dois mil maxakalis compareceu às urnas: na aldeia Pradinho, votaram 220 dos 250 eleitores registrados. Já na aldeia Água Boa, participaram 297 dos 365 indígenas aptos a votar. As aldeias ficam respectivamente nos municípios de Bertópolis e Santa Helena de Minas.

Estes números demonstram a disposição dos indígenas em relação às escolhas políticas e aos programas de governo em âmbito regional e nacional. É uma participação significativa se se considerar que o voto não é obrigatório para os indígenas. “Caso os índios que vivem nas aldeias optem por não votar, essa decisão individual prevalece sobre a obrigatoriedade da lei brasileira”, é o que atesta o portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Entre o Povo Maxakali, a implantação da seção eleitoral permitiu mais autonomia no processo eleitoral ao evitar a manipulação dos eleitores indígenas, relata o chefe da Coordenação Regional de Minas Gerais e Espírito Santo (Funai), Jorge Luiz de Paula. “Neste ano, a participação dos Maxakali nas eleições ganhou destaque até nas redes sociais, nas quais divulgaram jingle de campanha composto por um Maxakali em sua língua, e fizeram passeatas e manifestações políticas organizadas por eles mesmos”, conta Jorge Luiz.

União e força

O maior envolvimento dos índios nas questões políticas e sociais do país alcançou importante efeito para a representatividade dos povos indígenas com a eleição, em 2018, da primeira mulher indígena para o cargo de deputada federal. Em Roraima, Joenia Wapichana (REDE) obteve 8.491 votos –– 3,14 % dos votos válidos, de acordo com o portal do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RR).

“Essa foi uma vitória não da Joenia, mas foi uma vitória dos povos indígenas, que mostraram com a sua união, sua força, determinação e resistência. Acima de tudo, a vontade de mudar essa política que só nos trata mal, que só nos discrimina, que só quer tirar os nossos direitos. Não estou aqui para defender os povos indígenas de Roraima, mas para defender os direitos dos povos indígenas do Brasil”, agradeceu Wapichana em áudio compartilhado com eleitores. Os povos indígenas não contavam com um deputado federal desde 1982, quando Mário Juruna (PDT) foi eleito para a Câmara dos Deputados.

Fonte: http://www.funai.gov.br/index.php/comunicacao/noticias/5066-aldeias-indigenas-se-mobilizam-para-eleicoes-2018