Eram 30 inscritos, que se deslocaram de sete aldeias para participar da oficina de artesanato em sementes. A atividade aconteceu nos dias 04 a 08 de fevereiro na aldeia Mipiri, Terra Indígena Água Preta/Inari (AM) e contou também com a participação de jovens, mulheres e agentes ambientais indígenas, interessados em aprender a usar máquinas e equipamentos que facilitam o trabalho artesão.

Anéis, pulseiras, brincos e colares tradicionais foram produzidos com os equipamentos adquiridos – manuseados por artesões e artesãs indígenas e jovens aprendizes. A iniciativa visava a valorização da cultura e a melhoria técnica dos produtos indígenas, cuja comercialização no mercado regional complementa a renda doméstica de algumas famílias da etnia Apurinã. Esse coletivo é conhecido pelos acessórios únicos que expressam elementos de sua cultura.

“Eu tinha o sonho de fazer um trabalho desse pra nossa juventude, que muitas vezes nem sabe a importância da nossa cultura. Sempre quis que eles se orgulhassem, que valorizassem. Agora eles tão usando os colares que eles mesmos fizeram e isso é bonito ver”, declarou a participante Valmira Santos, da aldeia Mipiri. Nesse sentido, ao reunir jovens, mulheres, artesãos e agentes ambientais, a oficina viabilizou uma troca de saberes, técnicas e experiências, motivo de orgulho para os comunitários e inspiração para os mais jovens.

Antonio, da aldeia Atukatxi, agora olha diferente para as sementes de tucumã, fruto abundante na região. “A gente nem ligava, porque não sabia como fazer artesanato, e quem sabia fazer não tinha máquina. Agora vamos usar a imaginação e aproveitar todas as sementes do tucumã que encontrar”, diz ele.

De fato, quando polidas e bem tratadas, as sementes de tucumã não apodrecem e tornam-se belas miçangas naturais.

Ministrada pelo artesão indígena Wilian Justino, a oficina foi realizada pelo IEB, por meio do Projeto SulAm Indígena, (que tem apoio do Fundo Amazônia/BNDES), Gestão Territorial Indígena no Sul do Amazonas, em parceria com a Organização dos Povos Indígenas Apurinã e Jamamadi (OPIAJ) e apoio da Gerência de Estudantes Indígenas de Pauini (GEIP).

O projeto Sulam Indígena apoia as iniciativas de produção e beneficiamento de artesanato indígena, além da organização da produção, já que a atividade é uma fonte de renda para essas populações. Mas para além da comercialização, a atividade promoveu  rodas de conversa sobre a cultura Apurinã, sobre a importância das sementes, sobre as diferentes maneiras de usar a aproveitar os recursos naturais disponíveis no território indígena.

“A presença das mulheres foi mais expressiva do que em outras atividades. Foi muito interessante vê-las manuseando as ferramentas, treinando a coordenação motora e explorando sua criatividade para a confecção de peças delicadas”, conta a técnica de campo do IEB em Pauini, Chris Lopes da Silva.

A valorização da cultura apurinã vem acontecendo há algum tempo também nas oficinas de tecelagem de objetos e artefatos de fibras (cocares, saias, peneiras e cestos) realizadas na Casa de Cultura na aldeia Mipiri, para onde convergem as amostras da cultura material. O artesanato feito com sementes complementa o circuito de revitalização iniciado pelos próprios parentes da Terra Indígena Água Preta/Inari, que, ao que tudo indica, está só começando.

 

Fonte: https://iieb.org.br/oficina-de-artesanato-fortalece-cultura-e-geracao-de-renda-em-terra-indigena-apurina/