Cerca de 17 toneladas de alimentos, combustível e ferramentas foram enviadas para abastecer a Rede de Cantinas da Terra do Meio, no Pará

Cerca de 17 toneladas de alimentos, combustível e ferramentas foram enviados para abastecer as cantinas das Reservas Extrativistas (Resex) da Terra do Meio, no Pará, a fim de assegurar a produção e geração de renda de 500 famílias ribeirinhas no contexto da pandemia de Covid-19. A ação aconteceu entre os dias 21 de abril e 7 de maio.

A ação espera garantir que os beiradeiros, como são conhecidos os ribeirinhos que vivem nas beiras dos rios na Terra do Meio, fiquem em suas comunidades. Altamira, município referência desta população, já contabiliza 210 casos da Covid-19 e o único hospital que atende casos de média e alta complexidade está quase lotado. [Saiba mais]

A iniciativa foi encabeçada pela Rede de Cantinas da Terra do Meio, articulação de 13 associações de moradores de territórios indígenas e tradicionais e da agricultura familiar, que promove a produção e comercialização de produtos dos povos da floresta. A Associação dos Moradores da Resex Rio Iriri (Amoreri) é responsável pela representação jurídica da rede, e o ISA faz parte da assessoria técnica. O abastecimento foi viabilizado através de uma doação da empresa Evoltz, em uma articulação da Rede Origens Brasil®.

As mercadorias seguiram os protocolos de higienização no mercado e nas embarcações. Os tripulantes usaram máscaras e álcool gel para evitar a contaminação durante o translado.

“A ação de abastecer as cantinas vai continuar e é apontada pelos ribeirinhos como prioritária para que não haja a necessidade de virem a cidade”, reitera Francinaldo Lima, assessor das associações.

Os recursos foram enviados para 12 cantinas das Resex Rio Xingu, Rio Iriri e Riozinho do Anfrísio, em tempo para atender extrativistas e indígenas no final da safra da castanha. A Rede de Cantinas assumiu o compromisso de comprar 10 mil caixas de castanha, sendo uma parte comercializada para a empresa Wickbold e o restante para mercados locais.

Com os insumos, as comunidades organizadas pelo sistema das cantinas vão poder se preparar para a safra do babaçu, em maio, e da borracha, que se inicia em junho. Junto com a castanha, o babaçu e a borracha compõe uma cesta de 11 produtos florestais não madeireiros que são comercializados de forma transparente com a garantia de manter a floresta em pé.

Marquinhos Xipaya com o paneiro cheio de ouriços de castanha-do-pará, na Semana do Extrativismo

Os beiradeiros são protagonistas desta articulação única que aproxima a produção das comunidades com mercados mais justos, e que no contexto da pandemia de Covid-19 tem buscado estratégias para seguir funcionando.

“Assumimos o compromisso de organizar as listas de compras e enviar os insumos necessários para garantir a produção nas Resex e evitar que os ribeirinhos venham a cidade neste momento”, explica Edione Goveia, assessor do ISA.

Hoje são 27 cantinas, que fazem parte da Rede de Cantinas da Terra do Meio, abrangendo um território de mais de oito milhões de hectares. Essa articulação conta com a participação de 13 associações indígenas e ribeirinhas, e cada cantina gerencia um capital de giro próprio que viabiliza a produção e comercialização de forma transparente e autônoma. [Saiba mais]

A Rede conta, ainda, com oito mini usinas de processamento de produtos florestais não madeireiros, que por meio de tecnologia e conhecimento tradicional, agregam mais valor aos produtos.

 

 

Fonte: https://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/covid-19-ribeirinhos-da-terra-do-meio-recebem-recursos-para-manter-a-economia-da-floresta-em-pe