Por: Amazônia Real

Este vídeo foi produzido pelo Conselho Distrital de Saúde Indígena Yanomami (Condisi-Y) em 27 de junho de 2020, em Boa Vista, Roraima.

No vídeo falam duas mães da etnia Yanomami do subgrupo Sanöma. Elas querem os corpos de seus filhos recém-nascidos, que morreram em hospitais públicos após os partos ou em tratamento da Covid-19, de volta para serem sepultados conforme o ritual funerário da etnia nas aldeias.

Os corpos dessas crianças, todas do sexo masculino, foram enterrados no cemitério sem a anuência da etnia, que tem como tradição a cremação dos mortos.

“Eu quero falar com você que, é uma autoridade. Preciso que me ajude. Não permita que aumente a minha angústia. No dia 11 de julho, quando eu for de volta (para aldeia) não queria voltar sozinha, pois essa questão de voltar sem o corpo é muito difícil. É difícil demais para mim. Eu cheguei aqui com o meu bebê e preciso que você me ajude a levar de volta”, diz a mãe no depoimento ao presidente do Condisi-Y, Júnior Hekuari Yanomami.

Os nomes das mães não foram divulgados pelo Condisi-Y.

A agência de jornalismo independente e investigativa Amazônia Real localizou os túmulos de três bebês da etnia Yanomami, sendo dois do subgrupo Sanöma, crianças recém-nascidas que suas mães davam como desaparecidas. Os bebês, que foram enterrados em sepulturas comuns no Parque Cemitério Campo da Saudade, morreram de Covid-19 entre os dias 29 de abril e 25 maio em hospitais públicos de Boa Vista, Roraima. O corpo de um quarto bebê sanöma, que nasceu prematuro e tinha hidrocefalia, foi encontrado pela reportagem no Instituto Médico Legal (IML).

Imagens: Condisi-Y

Tradução: Nelson Sanöma

Fonte: https://amazoniareal.com.br/criancas-yanomami-preciso-que-meu-filho-volte-comigo-diz-mae-sanoma/