Um dos nossos se foi. Rieli Franciscato era um dos bons. Não apenas um grande servidor da Funai, mas um homem que fazia a diferença. Ele se foi fazendo aquilo que mais acreditava: protegendo os povos indígenas, tarefa a que dedicou toda sua vida de maneira incansável e brilhante.

Rieli era coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Uru-Eu-Wau-Wau, veterano na política de proteção e localização de indígenas isolados. Assustados pelas recorrentes invasões de seu território, os indígenas flecharam um de seus defensores. A morte de Rieli Franciscato, um verdadeiro mestre das ações voltadas aos índios isolados, representa uma perda inestimável para o indigenismo de todo o mundo. Também representa uma perda terrível para os povos indígenas de Rondônia, pelos quais ele lutou até seu último suspiro.

Seu falecimento infelizmente traz a nós, Indigenistas Associados, um lembrete amargo de que é urgente que se fortaleça a atuação da Funai e a segurança de seus servidores em campo, que, assim como Rieli, em diversos momentos, arriscam suas vidas para assegurar o bem-estar dos povos indígenas que atendem.

Rieli não se foi em vão. Deixa um legado de cuidado, dedicação, amor. Deixa amigos consternados e um trabalho de extrema importância que será continuado por aqueles que influenciou. A morte, ocorrida pela flecha dos índios isolados que ele defendeu por toda a vida, imortalizou Rieli como o herói que ele é e sempre será para as próximas gerações de indigenistas, cumprindo a máxima dita por um daqueles que fundou o indigenismo de Estado e deu nome à sua trajetória: “morrer se preciso for, matar nunca”.

Desejamos que a família passe por esse momento da forma menos dolorosa possível. E que todos os seres que permanecem vivos possam entender a beleza da atuação do Rieli e transformar, movidos por essa energia que estava nele, o nosso planeta em um lugar melhor.