Parlamentares e especialistas em meio ambiente consideram que a política ambiental do governo de Jair Bolsonaro traz prejuízos graves ao país, e que o papel do Congresso é de impedir maiores retrocessos contra o patrimônio ambiental do país.
Dois deputados, um senador e uma ambientalista foram os convidados da live promovida pelo Congresso em Foco na manhã desta sexta-feira (25), que discutiu o desmatamento, as queimadas e a forma como a administração  Jair Bolsonaro lida com esses problemas
Veja a íntegra da live:

 

Para Suely Araújo, que é ex-presidente do Ibama e membro do Observatório do Clima, o governo federal chegou tarde e atuou pouco na ajuda aos estados para o que estava ocorrendo no Pantanal e na Amazônia.

Respondendo ao questionamento de uma internauta, a especialista em políticas públicas do Observatório do Clima definiu os incêndios florestais que atingiram o bioma no Centro-Oeste brasileiro como “uma tragédia”, e que o governo deveria ter articulado o uso de infraestrutura para combater os incêndios, como o uso de aeronaves. “O Prevfogo do Ibama tem experiência para isso”, afirmou, se referindo ao Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais do Instituto.

Em sua fala, o deputado federal Alessandro Molon (PSB-RJ) “Ou o presidente da República vai entender que ele vai precisar defender a biodiversidade, o Pantanal e a Amazônia, ou o setor que o apoia, que é o agronegócio, vai ser o maior prejudicado nesta história”.

Molon lembrou que a política ambiental do governo Bolsonaro poderia impactar o Brasil em outros setores além do agronegócio – o parlamentar, líder de bancada, afirmou que em uma conversa com investidores do setor de petróleo a política ambiental governamental é motivo de preocupação.

“E o que aconteceria se os investidores estrangeiros começassem a vender as ações que tem ao redor do mundo?”, questionou o deputado. Ele mesmo respondeu: “Estas empresas começarão a perder valor e valer menos, perdendo riqueza. Os efeitos vão além da área agropecuária, ligadas diretamente ao desmatamento, e atingem toda a economia brasileira.”

Para o parlamentar, é preferível que o parlamento resolva as questões – mas, em momentos de obstrução, é preciso ir ao Judiciário. “O Judiciário tem sido acionado porque o Legislativo tem deixado a desejar”, disse. “Se um poder não funciona, é preciso que outro o faça funcionar. Se o Legislativo não está cobrando o Executivo a fazer o que a Lei manda, é indispensável ir ao Judiciário:

O senador Wellington Fagundes (PL-MT), que preside a comissão externa criada pelo Senado para acompanhar os incêndios no Pantanal, afirmou que o presidente se excedeu no discurso feito na Assembleia da Organização das Nações Unidas (ONU), acusando índios e caboclos dos incêndios florestais na Amazônia.

“O discurso do presidente deveria menos acusatório dos nosso problemas”, afirmou o parlamentar, que se considera um “Amazônida”. O foco, aponta deveria ser  em cobrar a comunidade internacional dos investimentos a serem feitos para a proteção da floresta.

O senador, que tem ido às regiões de queimadas acompanhar os eventos ambientais, defende uma ação maior do Estado sobre pequenos produtores que ocupam estas regiões. “[É o que acontece] quando você deixa as pessoas abandonadas, sem uma política de Estado permanente e perene”, concluiu o parlamentar. “A pesquisa e assistência técnica para o pequeno produtor rural está abandonada há muito tempo, especialmente no Mato Grosso.”

O deputado federal Nilto Tatto (PT-SP)  se mostrou contrário ao modelo expansionista do agronegócio brasileiro. Segundo dados apresentados pelo deputado, 60% das queimadas no Mato Grosso é realizado por médias e grandes propriedades no estado, que seriam também as mais interessadas em regularizar terras públicas adquiridas de maneira ilegal, por grilagem.

O parlamentar é um dos que foi até o Pantanal para acompanhar o combate aos incêndios, como parte de uma comissão externa exclusiva da Câmara dos Deputados. “O que nos vimos, lá, in loco, é uma completa inação por parte do governo”, disse .”Com certeza o parlamento vai dar uma resposta, aprimorando a legislação, considerando inclusive os agentes que vivem no Pantanal – sejam os grandes pecuaristas, quilombolas, indígenas e a cadeia do turismo.”

Segundo Tatto, o papel do Congresso nesta crise ambiental é o de expor a ação do governo Bolsonaro contra o patrimônio ambiental do país – e também impedir novos retrocessos. “É preciso transformar em lei e política de estado o que estava dando certo”, disse o deputado paulista.

Dois jornalistas do Congresso em Foco compartilharam a mediação da liveSylvio Costa, fundador deste site, e Íris Lucia.

 

 

Fonte: https://congressoemfoco.uol.com.br/meio-ambiente/o-que-o-congresso-pode-fazer-pelo-meio-ambiente-veja-live-na-sexta-11h/