Além de impactar gravemente a saúde dos povos, rios e florestas, a atividade criminosa impõe o abandono do modo de vida tradicional

Focado na avaliação dos impactos da contaminação por mercúrio nos indígenas que habitam três das sete aldeias da TI Sawré Muybuo estudo revelou que todos os 200 indígenas avaliados em maior ou menor grau apresentavam traços de mercúrio no organismo, e que em 57, 9% dos indivíduos, os níveis de contaminação estão bem acima dos limites considerados como seguros. Para piorar, constatou-se que quatro em cada dez crianças menores de 5 anos apresentaram altas concentrações do metal, o que chamou a atenção dos pesquisadores, uma vez que o mercúrio afeta o Sistema Nervoso Central, que está em desenvolvimento no caso das crianças até essa idade Outro ponto preocupante é que o mercúrio também atinge o cérebro dos fetos ainda em formação no útero materno.

Considerando que a análise do pescado revelou a presença de mercúrio em todas as amostras coletadas, além de impactar a saúde dos rios e florestas, a atividade garimpeira na bacia do Tapajós impõe aos Munduruku o abandono do seu modo de vida tradicional, haja vista que altera por completo a relação dessa população com os rios; que de fonte de vida, passaram a ser a principal fonte de ameaça à reprodução física e cultural do povo.

A condescendência das autoridades brasileiras com o garimpo ilegal na Amazônia, e o desejo do governo Bolsonaro de abrir as terras indígenas ao garimpo e à mineração (PL 191), colocam em risco não só a vida dos indígenas do presente, mas também de toda uma geração que sequer pode se defender sozinha, uma vez que tem seu futuro comprometido ainda no útero materno. Por isso, rejeitar o Projeto de Lei 191, é tarefa de todos os brasileiros comprometidos com a vida e com um modelo de desenvolvimento capaz de garantir a vida em primeiro lugar.

Clique aqui e faça o download da Nota Técnica “Impacto do mercúrio na saúde do povo indígena Munduruku, na Bacia do Tapajós”

 

 

Fonte: https://www.greenpeace.org/brasil/blog/no-para-estudo-comprova-contaminacao-dos-munduruku-por-mercurio-de-garimpo-ilegal/