Em fevereiro de 2021, a Exortação Apostólica “Querida Amazônia” completa um ano de sua publicação. O documento foi feito a partir da realização da Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, realizado entre os dias 6 e 27 de outubro de 2019, no Vaticano.

A publicação do texto foi acompanhada por uma série de cinco vídeos: um introdutório e os demais dedicados a cada um dos cinco capítulos da Exortação. O texto pede uma conversão que tem diferentes significados: integral, pastoral, cultural, ecológica e sinodal.

Ao longo de 2020, diversas atividades foram realizadas pela Comissão Episcopal Especial para Amazônia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em parceria com Rede Eclesial Pan-Amazônica/REPAM-Brasil, os 18 regionais da CNBB, pastorais e organismos para tornar a Encíclica conhecida e mostrar os desdobramentos na Igreja no Brasil.

Tendo em vista a celebração do 1º ano da realização do Sínodo, em outubro deste ano, a REPAM-Brasil (Rede Eclesial Pan-amazônica) reuniu uma equipe e preparou roteiros para as comunidades, paróquias e grupos cristãos e católicos do país. Foram quatro roteiros construídos a partir das conversões apontadas no Documento Final e dos sonhos do Papa Francisco presentes na exortação “Querida Amazônia” e um roteiro para celebrar os mártires da Amazônia.

Ainda celebrando o aniversário da Encíclica ocorreu a primeira assembleia plenária da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) presidida pelo cardeal Cláudio Hummes. A atividade realizada de forma virtual reuniu cardeais, bispos, padres, religiosos e religiosas, leigos e leigas, representantes das comunidades tradicionais, organismos eclesiais e instituições parceiras internacionais e no primeiro dia os participantes refletiram sobre a Amazônia e sobre os resultados do Sínodo. Em pequenos grupos, os participantes puderam apontar as ações decorrentes da grande assembleia que já estão em curso nos territórios.

Ao final da assembleia, um comunicado oficial, aprovado pelos participantes sintetizou todo o trabalho dos dois dias. “Sentimos que é tempo de dialogar, encarnar-se, de descolonizar. Envolver aos leigos, as mulheres, os povos nativos, os mestiços, os quilombolas, no atuar da Igreja. Servir, defender, comunicar, influenciar, resistir, sendo uma Igreja que acolhe as vítimas da pandemia”, afirmam os participantes no texto.

Conferência Eclesial da Amazônia

Em junho, Solenidade de São Pedro e São Paulo, o Vaticano constituiu a Conferência Eclesial da Amazônia que tem como presidente eleito o arcebispo emérito de São Paulo (SP), dom Cláudio Hummes; mons. David Martínez de Aguirre, OP (Peru), como vice-presidente e para o Comitê Executivo foi eleito mons. Eugenio Coter (Bolívia), como bispo representante das Conferências Episcopais do território amazônico.

O documento de constituição diz que “a proposta dos Padres sinodais de criar um organismo episcopal que promova a sinodalidade entre as Igrejas da região, que ajude a delinear o rosto amazônica desta Igreja e que continue a tarefa de encontrar novos caminhos para a missão evangelizadora” (DF, 115), e o pedido do Papa Francisco, unido a seus quatro sonhos para este território e para toda a Igreja, em sua exortação pós-sinodal Querida Amazônia, “que os pastores, os consagrados, as consagradas e os fiéis leigos da Amazônia se empenhem na sua aplicação” (QA, 4) encontrou uma resposta na Assembleia do Projeto de Constituição da Conferência Eclesial da Amazônia, realizada virtualmente nos dias 26 e 29 de junho de 2020.

Diácono permanente indígena

Seguindo na linha dos desdobramentos da ‘Querida Amazônia’, a diocese de Alto Solimões (AM), em março deste ano, ordenou um diácono permanente indígena. Antelmo Pereira Ângelo, do povo Ticuna, é o primeiro de sua etnia a receber o primeiro grau do Sacramento da Ordem.

O bispo diocesano, dom Aldofo Zon Pereira, presidiu a celebração eucarística na Igreja Matriz da paróquia São Francisco de Assis, em Belém do Solimões (AM), quando foi realizada a ordenação diaconal. Diácono permanente, são aqueles ministros ordenados que já são casados e desempenham um papel específico, principalmente no âmbito do serviço e da celebração da Palavra com as comunidades.

A investidura de membros das comunidades e etnias amazônicas nos ministérios leigos e ordenados é o que ficou conhecido pelo desejo do Papa Francisco de uma Igreja com rosto amazônico e também o que está no sonho eclesial do pontífice na exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazônia.

No texto, Francisco afirma que os diáconos permanentes deveriam existir em um número muito maior na Amazônia e que estes devem assumir, junto com religiosas e leigos, “responsabilidades importantes em ordem ao crescimento das comunidades e maturem no exercício de tais funções, graças a um adequado acompanhamento”.

Pan-Amazônia

A região da Pan-Amazônia envolve os nove países que têm em seu território a floresta amazônica. Colômbia, Peru, Venezuela, Equador, Bolívia, as Guianas e o Suriname, além do Brasil.

Veja aqui em vídeo os sonhos expressos pelo Papa Francisco na Exortação Apostólica pós-sinodal “Querida Amazônia”

Leia aqui a íntegra da Exortação Apostólica pós-sinodal “Querida Amazônia”

Veja aqui a íntegra do comunicado de criação Conferência Eclesial da Amazônia

Com informações e fotos da Comissão para Amazônia, Vatican News, Repam

 

 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/querida-amazonia-uma-exortacao-em-forma-de-sonhos-que-traca-novos-caminhos-de-evangelizacao-e-cuidados-do-meio-ambiente-e-dos-pobres/