São Paulo (SP) – Em mesas sobre o colapso global do clima e os assassinatos do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira, no Vale do Javari, no Amazonas, as jornalistas Elaíze Farias e Kátia Brasil, fundadoras da Amazônia Real, vão representar a agência no 17º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, que este ano será realizado em parceria com o  Centro Universitário da Fundação Armando Alvares Penteado (FAAP).

O Congresso começa nesta quarta-feira (3) com o evento online, em São Paulo, e será encerrado no domingo (7). O acesso é gratuito para os debates online, através de credenciamento. As atividades presenciais são pagas e acontecem a partir de sexta-feira (5) e vão até dia 7 na FAAP, no bairro Higienópolis. 

Congresso diverso inclusivo

Estudantes assistem à palestra em um dos Congressos anteriores (Foto: Alice Vergueiro/Abraji/2018)

A 17ª edição é considerada a mais diversa e inclusiva em relação aos 20 anos de fundação da Abraji, com palestras de representantes da imprensa local que atuam nas cidades do interior do Brasil e das mídias independentes, com foco em questões de gênero e raça. 

O Congresso da Abraji deste ano terá 100 atividades e contará com 250 palestrantes durante os cinco dias do evento. O último dia, no domingo, será dedicado a oficinas sobre jornalismo de dados (leia no final do texto).

“Pensamos em fazer esse Congresso o mais inclusivo, o mais plural, o mais diverso, o mais abrangente e respeitoso possível”, afirma Kátia Brembatti, vice-presidente da Abraji. “Mantivemos a edição online por acreditar que muitas pessoas não conseguem ir a São Paulo para a edição presencial. E com a edição online conseguimos chegar a todos os lugares”.

O uso de Libras (Linguagem brasileira de sinais) e a acessibilidade na FAAP também são preocupações do Congresso.  No conteúdo, segundo Kátia, houve a preocupação com a valorização dos lugares de fala e com a diversidade de temas: os debates vão do futebol ao meio ambiente. 

“Discutimos, por exemplo, o papel da mulher na cobertura de conflitos. Inclusive para desmistificar a ideia de que só homens cobrem guerras. Não é verdade”, afirma a vice-presidente. 

Kátia Brembatti (Foto: Alice Vergueiro/Abraji/2018)

No evento, serão abordados temas como investigações jornalísticas no governo de Jair Bolsonaro (PL), ameaças à democracia, liberdade de expressão, cobertura da imprensa sobre o lobby de armas, pesquisa e campanha eleitoral, checagem, narrativas para as redes sociais, crime organizado, guerras, jornalismo científico, segurança e outros assuntos. 

Na pauta inclusiva, um dos destaques será a discussão sobre “A cobertura da pauta trans no Brasil”, na sexta (5), com as participações de Bemfica de Oliva, repórter do jornal “O Povo”; Caê Vasconcelos, autor do livro “Transresistência”; e Sandra Santos, produtora-chefe da Énois, com mediação de Gabi Coelho, repórter do Estadão Verifica e diretora da Abraji. 

Também na sexta, Bruna de Lara e Tatiana Dias, do Intercept Brasil; e Paula Guimarães, cofundadora do Portal Catarinas, vão contar como revelaram a tentativa de impedir um aborto legal no Brasil. 

Na parte internacional do Congresso, no sábado, às 14h30 (horário de Brasília), Haley Willis, jornalista do New York Times; e José Roberto de Toledo, editor-executivo da revista piauí, vão falar sobre “Grandes investigações visuais do New York Times: a invasão ao Capitólio)”.

O ministro Luís Roberto Barroso, do Supremo Tribunal Federal (STF), será entrevistado na sexta-feira, durante o Congresso, pelos jornalistas Cristina Tardáguila, diretora de Programas do ICFJ  e fundadora da Lupa; Daniela Lima, apresentadora da CNN Brasil; Luciana Garbin, coordenadora do LabJor FAAP e editora executiva do Estadão; e Patrícia Campos Mello, jornalista da Folha de S.Paulo e diretora da Abraji.

Colapso do clima e crime

Homenagem da Abraji às jornalistas Kátia Brasil e Elaíze Farias em 2021 foi online (Foto: Alberto César Araújo/Amazônia Real)

Com o tema “Rio 92 e Brasil 2022: 30 anos da cobertura do colapso do clima”, Kátia Brasil vai mediar uma conversa com as participações do repórter cinematográfico Paulo Zero e da repórter Sônia Bridi, da TV Globo, no sábado (6), das 9h30 às 11h (horário de Brasília). 

No mesmo dia, das 16h30 às 18h (também no horário de Brasília), Elaíze Farias estará ao lado da jornalista Eliane Brum no debate “Dom Phillips e Bruno Pereira: como chegamos até aqui”, com mediação de Gabriel de Abreu, editor-executivo da Revista Cenarium, e Katia Brembatti, vice-presidente da Abraji. Na mesa, as profissionais vão discutir as implicações dos assassinatos do indigenista e do correspondente britânico na região do Vale do Javari, na Amazônia. 

Será o terceiro ano consecutivo que a Abraji fará um tributo aos jornalistas mortos no último ano. Além de Dom Phillips, outros nomes serão homenageados no evento.

Kátia e Elaíze já fizeram história no Congresso da Abraji. Elas foram as primeiras mulheres, negra e indígena, respectivamente, a serem homenageadas pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo. O reconhecimento ocorreu na edição de 2021 do Congresso da Abraji. As duas foram premiadas como defensoras e símbolos do jornalismo e da Amazônia. Um documentário sobre a trajetória das duas jornalistas, dirigido pela cineasta Carolina Fernandes, foi exibido para o público online do Congresso no dia 23 de agosto. O documentário pode ser assistido aqui. 

O jornalista Cicero Pedrosa Neto, colaborador da agência Amazônia Real, foi um dos selecionados pela Abraji e pela Transparência Internacional – Brasil para participar da versão presencial do Congresso.

“O Congresso da Abraji é o espaço de debate sobre o jornalismo mais destacado do país. A abrangência e diversidade dos temas mostram que este fórum de discussão está cada vez mais amplo e diverso. E a nossa participação, como jornalistas da Amazônia Real, vai contribuir para o debate sobre pautas que necessitam de cada vez mais atenção e outras formas de abordagens”, diz Elaíze Farias.

Este ano os jornalistas cariocas Marcelo Beraba, 71,  e Angelina Nunes, 63, serão os homenageados. Angelina é coordenadora do Programa Tim Lopes, da Abraji. Beraba é um dos fundadores e idealizadores da Abraji. Saiba mais aqui sobre os dois homenageados. 

Tim Lopes, jornalista assassinado há 20 anos e inspirador da criação da Abraji, também será homenageado. Além disso, a advogada Taís Gasparian, advogada especialista em mídia, receberá o V Prêmio Abraji de Contribuição ao Jornalismo, que reconhece entidades ou indivíduos que trabalham em favor da imprensa.

Amazônia em pauta

Fábio Pontes durante cobertura para Amazônia Real na fronteira do Acre com o Peru
(Foto: Alexandre Noronha/Amazônia Real)

Além das participações de Kátia e Elaíze, a Amazônia estará em pauta em outras atividades do Congresso. Os assassinatos de Bruno e Dom serão debatidos também nesta quarta-feira (3), das 19h às 20h30 (horário de Brasília). Andrew Fishman, do The Intercept Brasil; Fabio Pontes, repórter freelancer e colaborador da Amazônia Real no Acre; e Vinicius Sassine, correspondente da Folha de S.Paulo em Manaus, falarão sobre o crime com mediação da jornalista e professora Liege Albuquerque.

Na sexta-feira (5), das 9h30 às 11h, o tema será “As conexões entre crime organizado e delitos ambientais na Amazônia”, com Aiala Couto, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e professor da Universidade do Estado do Pará (UEPA); e Allan de Abreu, da revista Piauí. 

A mesa “O registro fotográfico socioambiental: Amazônia e outros territórios”, no sábado (6), às 14h30, terá a participação de Lalo de Almeida, colaborador nas áreas de fotografia e vídeo da Folha de S.Paulo, e Ronaldo Entler, professor da FAAP.

programação do 17o. Congresso da Abraji será concluída com o 4º Domingo de Dados, no dia 7 de agosto. O evento encerra com a palestra “Vendo o que está à vista de todos” com a jornalista Ana Aranha, repórter da Repórter Brasil; e Eduardo Carlini, pesquisador do observatório De Olho nos Ruralistas.

Cursos e oficinas também fazem parte da ampla programação do evento. 

Acompanhe a programação completa do Congresso da Abraji. 

O credenciamento para os debates online pode ser feito neste link: https://eventos.congresse.me/congressoabraji


Reportagem Noticiosa

 Sobre a matéria

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 Amazônia Real

A agência de jornalismo independente e investigativo Amazônia Real é uma organização sem fins lucrativos, criada por jornalistas mulheres em 20 de outubro de 2013, em Manaus, no Amazonas, Norte do Brasil. Sua missão é fazer jornalismo ético e investigativo, pautado nas questões da Amazônia e de seu povo. A linha editorial é voltada à defesa da democratização da informação, da liberdade de expressão, da liberdade de imprensa e dos direitos humanos. (redacao@amazoniareal.com.br)

Fonte: https://amazoniareal.com.br/amazonia-real-discute-clima-e-crime-contra-bruno-e-dom-no-congresso-da-abraji/

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