Foto: arquivo Cimi.

Saiba o que teve de mais importante no monitoramento do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas na última semana (01-07/03).

Violência. Movimentos sociais denunciaram o despejo ilegal de famílias indígenas Guarani e Kaiowá na retomado de uma parte de seu território ancestral de Laranjeira Nhanderu, em Rio Brilhante, no Mato Grosso do Sul. Na ação, a Polícia Militar usou força desproporcional e deixou vários indígenas feridos. Os indígenas ocuparam uma pequena porção territorial da fazenda Inho, localizada dentro de um Território Indígena. Em Paulo Afonso (BA), na área indígena Truká-Tupan, a cacica Erineide, do povo Truká-Tupan, foi alvo de uma tentativa de assassinato. A suspeita dos indígenas é de que tenha sido o filho de um dos posseiros da região, que reivindica a posse de um terreno público, sem nenhum documento que possa provar. Os ataques vêm se intensificando há cerca de um ano e meio, incluindo ameaças de morte, invasões e incêndios e mutilação de animais domésticos. Em fevereiro, nos territórios Kaiowá e Guarani, em Mato Grosso do Sul, a Grande Assembleia das Mulheres Kaiowá e Guarani, as Defensorias Públicas da União e do estado, entre outros órgãos realizaram visitas para acompanhamento dos recentes casos de incêndios com indícios de crime provocados contra as casas de rezas (oga pysy), assim como agressões, ameaças, torturas e tentativas de homicídio contra nhanderu (rezadores) e feminicídio contra as nhandesy (rezadoras), vindo de membros de igrejas pentecostais.

Mineração. A Frente Parlamentar Ambientalista acha difícil impedir na Câmara a aprovação do Projeto de Lei 191/2020, que determina a legalização da exploração mineral de terras indígenas na Amazônia. O líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR), apresentou requerimento de urgência para que o texto seja analisado rapidamente pelo plenário. Por incrível que pareça, a guerra na Ucrânia também está sendo usada pelo governo de Jair Bolsonaro (PL) e pelo presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), como pretexto para acelerar a votação do projeto que libera mineração em terras indígenas. A oposição espera ter apenas 150 votos contrários ao projeto. Em nota, o Cimi denunciou que o acirramento da hostilidade de Bolsonaro contra os povos indígenas pretende responder aos interesses de setores da mineração e do agronegócio, na tentativa de manter apoios eleitorais e de consumar, antes das eleições de 2022, seu projeto de poder e de morte

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