Foto: Pedro Ladeira – 12.ago.2021/Folhapress.

Saiba o que teve de mais importante no monitoramento do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas na última semana (15-21/03).

Os principais responsáveis pela política anti-indígena aplicada hoje no Brasil receberam na última quarta-feira (16) a medalha do mérito indigenista, concedida pelo ministro da Justiça, Anderson Torres. Torres, que se auto concedeu a medalha, também agraciou o presidente Jair Bolsonaro e os ministros Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos) e os generais Luiz Eduardo Ramos (Secretaria-Geral), Braga Netto (Defesa) e Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), entre outros ministros do governo. A lista também inclui um agressor de mulher condenado pela Justiça e o marido da deputada bolsonarista Carla Zambelli (PL-SP). Alguns indígenas alinhados ao governo Bolsonaro também receberam a medalha.

A ativista Txai Suruí classificou os agraciados como inimigos dos povos indígenas. Ela lista alguns fatos que deveriam impedir Bolsonaro de receber a medalha, como, por exemplo, tenta impedir a criação da Terra Indígena Yanomami quando era deputado nos anos 1990, além do discurso de campanha de não demarcar nenhuma terra indígena, uma das poucas promessas cumpridas. “Os que deveriam proteger os indígenas, a Funai e seu presidente, atacam esses povos”, escreve Txai Suruí na Folha. 

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) imputou a “Medalha do Genocídio Indígena” ao governo Bolsonaro. Para a Apib, Bolsonaro é inimigo da saúde indígena e trabalhou durante a pandemia da Covid-19 para agravar a crise sanitária e humanitária, o que resultou em sua denúncia no Tribunal Penal Internacional (TPI) por genocídio. Além disso, o governo Bolsonaro elegeu como prioridades projetos de lei (PL) que autorizam abrir as terras indígenas para a mineração, grilagem e uso desenfreado de agrotóxicos, o chamado pacote da destruição. 

Em repúdio à homenagem às políticas de morte de Bolsonaro e seus ministros, o ex-presidente da Funai Sydney Possuelo devolveu sua Medalha do Mérito Indigenista ao Ministério da Justiça. O sertanista também enviou uma carta criticando o recebimento da medalha por Bolsonaro, que se opõe a pautas indígenas. Possuelo destacou uma frase de Bolsonaro quando deputado: “A cavalaria brasileira foi muito incompetente. Competente, sim, foi a cavalaria norte-americana, que dizimou seus índios no passado e hoje em dia não tem esse problema no país”. Sydney é um dos principais responsáveis pela demarcação das terras Yanomamis e também contrário ao contato com povos isolados. Ele havia recebido sua medalha em 1987 por seus serviços prestados aos povos indígenas. Veja a entrevista que ele concedeu ao portal Amazônia Real

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