Com o tema: “Retomando o Brasil: Demarcar Territórios e aldear a Política”, começou nesta terça-feira (5) em Boa Vista, o 3º Acampamento Terra Livre – 2022. A concentração ocorre na praça do Centro Cívico e segue a mobilização nacional do movimento indígena, que ocorre em Brasília até 14 de abril, e já reúne mais de 6 mil indígenas de 176 povos.

Em Boa Vista, somente neste primeiro dia de mobilização, participaram cerca de 400 lideranças indígenas das regiões Raposa, Serras, Baixo Cotingo, Murupú, Tabaio, Amajarí, Surumú, Serra da Lua, São Marcos, Yanomami e Wai Wai. O movimento conta com uma grande participação lideranças tradicionais, jovens, mulheres e crianças.

Pela manhã ocorreram os discursos, danças do parichara, defumação com o maruai e por fim a leitura da Carta Aberta do ATL. Ocorreu também um ato em frente ao monumento ao garimpeiro, quando lideranças disseram “NÃO AO PL 191, NÃO AO PL 490 E NÃO AO MARCO TEMPORAL”, e repudiaram outras situações que violam e desrespeitam os direitos dos povos originários do Brasil.

Foto: Caíque Pinho/CIR
Foto: Chay/rede Wakywai
Foto: Wanderson/Rede Wakywai
Foto: Caíque Pinho/CIR
Foto: Nailson Wapichana/CIR
Foto: Caíque Pinho/CIR

Durante a tarde, lideranças caminharam até a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai), onde, inicialmente não foram recebidas. Com isso, o movimento ocupou o espaço de forma pacífica até o momento em que foram atendidos pelo coordenador Osmar Tavares de Melo.

Na Funai foi entregue um documento cobrando ações imediatas do órgão para a retirada de garimpeiros ilegais das terras indígenas, o reconhecimento do direito territorial e a proteção dos territórios para a garantia da vida, dos costumes, tradições e do bem viver dos povos indígenas.

Umas das lideranças tradicionais de Roraima, o senhor Clóvis Ambrósio, do povo wapichana, e coordenador da região Serra da Lua, destacou a importância do ATL, da luta e da resistência dos povos indígenas ao longo dos anos no Brasil.

“Hoje estamos no 3º ATL aqui em Roraima, mas não sabemos quantos e quantos ainda vamos fazer. Estamos aqui em uma causa muito forte para nós. Da década de 70 para cá, já conquistamos muitas coisas. Não estamos aqui só para passear, viemos para dizer às autoridades que estamos muito pensativos com tudo que é contra nós, principalmente esses projetos de leis que estão tramitando. Pois nenhum vem fortalecer nossos direitos, mas sim querer tirar. Desde 1500 que somos tratados assim, com discriminação, com destruição da nossa terra e da nossa população”, disse Clóvis.

A liderança também reforçou que o povo indígena ainda vive hoje por conta da força e dos conhecimentos tradicionais.

“Deus quer que vivamos ainda aqui nessa terra felizes. Porque nós nunca fomos tristes, por mais que nós sofremos, sempre somos alegres. Estou muito feliz com nossa juventude que hoje estão assumindo essa responsabilidade como liderança, fortes e para tudo que precisar em defesa da nossa terra e dos nossos direitos. Nossas terras ainda estão aí, a natureza para nós resistir, nossos rios, nossas matas. Mas com toda essa situação que está se passando, talvez vamos ver como vai ficar nossos territórios, todos poluídos, tudo destruído e nós não queremos isso. Mas nós vamos superar tudo isso e com ajudar de Deus, Ele vai nos fortalecer para que possamos ter essa caminhada e nessa luta pelo bem viver de toda nossa população indígena, não só de Roraima, mas do Brasil. Vamos a luta, todos unidos somos muito fortes”, finalizou.

O ATL tem como objetivo mobilizar os povos, debater pautas sobre território, saúde, educação entre outros direitos que estão ameaçados. Uma delegação de lideranças de Roraima também participa da mobilização em Brasília.

Fonte: https://cir.org.br/site/2022/04/05/liderancas-indigenas-iniciam-o-3o-acampamento-terra-livre-em-roraima/

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