Univaja contesta presidente da Funai, Marcelo Xavier, e diz que Bruno Pereira é “atualmente a maior referência indigenista em atividade para assuntos referentes ao Vale do Javari”

A Univaja (União dos Povos Indígenas do Vale do Javari) publicou um importante documento sobre a atuação do sertanista Bruno Pereira, servidor de carreira da Funai, naquela região. Bruno Pereira e o jornalista britânico Dom Phillips estão desaparecidos desde o último domingo (5) e há a suspeita de que eles tenham sido vítimas de emboscada. A nota da Univaja, assinada pelo procurador jurídico da entidade, Eliesio da Silva Vargas Marubo, é uma contestação à declaração do presidente da Funai, Marcelo Xavier, que em entrevista à rádio Jovem Pan criticou os dois desaparecidos por, segundo ele, terem ignorado o protocolo para incursões na área, que inclui “autorização da Funai”. A Univaja refuta com base em documentos da própria Funai, a fala do presidente do órgão governamental, indicado por Jair Bolsonaro.

As atividades nas quais participou o indigenista Bruno Pereira junto a outras lideranças da UNIVAJA foram autorizadas pela Coordenação Regional da FUNAI no Vale do Javari conforme Autorização de Ingresso em Terra Indígena nº 11/CR-VJ/2022 (Processo 08744.000170/2022-16), que declara “Autorizo em caráter excepcional, de acordo com as exceções estabelecidas no Art.3 da Portaria 419/2020/PRES/FUNAI, de 17 de março de 2020 prorrogada pela Portaria n. 183/PRES-FUNAI, de 05/03/2021 que estabelece o acesso em Terras Indígenas somente para atividades consideradas essenciais e em consonância com os objetivos descritos no Ofício n. 037/2022/UNIVAJA, de 03/05/2022”. O documento foi assinado eletronicamente por Mislene Metchacuna Martins Mendes, Coordenadora Regional Substituta, em 12/05/2022. Nos mesmos termos se expressa o OFÍCIO Nº 34/2022/CR-VJ/FUNAI em Resposta ao Ofício 037/2022/UNIVAJA (4084773), quando declara: “[…] em resposta ao Ofício em epígrafe pelo qual vossa senhoria solicita autorização de ingresso na Terra Indígena Vale do Javari, especificamente nas aldeias Kumãya, Maronal, Matkewaya, Morada Nova e São Sebastião, na localizadas na Calha do Rio Curuçá, objetivando participar de reuniões com intuito de discutir sobre o território e estratégias indígenas para protegê-lo, informamos sobre a viabilidade de autorizarmos o ingresso da equipe [..]”

A Univaja explica na nota que o sertanista estava trabalhando na Terra Indígena a convite das lideranças dos distintos povos que vivem ali. “Sua participação se deu a convite desta organização em razão do notório saber e especialidade, além da grande confiança que desperta entre nossas lideranças”, diz a nota.

Na avaliação da entidade indígena, “sabemos da capacidade técnica e política dele (Bruno) para lidar com os distintos povos do Vale do Javari e de seu comprometimento e seriedade com a Administração Pública.” E segue: “Temos a convicção que o referido profissional é atualmente a maior referência indigenista em atividade para assuntos referentes ao Vale do Javari, sobretudo para as questões territoriais e as relações históricas e políticas da região.”

A Univaja ressalta um predicado ainda pouco falado de Bruno: o fato de ele compreender “pelo menos 4 das línguas dos povos do Javari e de ter larga experiência no diálogo intercultural com essas populações, o que é um grande diferencial. São mais de 11 anos atuando como indigenista no Vale do Javari”.

Segundo a entidade, “Bruno atuou diversas operações de vigilância e fiscalização na região, como a Operação Korubo em 2019, a maior do país daquele ano no combate ao garimpo ilegal, com a inutilização de mais de 60 balsas de garimpo — razão pela qual passou a sofrer perseguição política na Funai e foi exonerado do cargo de Coordenador-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato.”

Fonte: https://jornalistaslivres.org/indigenas-defendem-o-sertanista-bruno-de-ataque-do-presidente-da-funai/

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