Foto: Mário Vilela

Nesta quarta-feira (1º), a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Articulação Nacional dos Servidores Indígenas da Funai (Ansif) deram início às programações do Abril Indígena, período dedicado à conscientização, valorização e fortalecimento das lutas dos povos originários no Brasil. Para marcar o mês, está sendo promovido, na sede da autarquia indigenista, em Brasília (DF), um cronograma com diversos eventos, centrados no tema “Protagonismo dos povos indígenas na Funai”. 

A programação do primeiro dia foi idealizada e promovida pela Ansif, com apoio da autarquia indigenista. As discussões do evento inaugural focaram na temática “Verdades em diálogo: Parentes indígenas na Funai”, e contribuíram para ampliar os espaços de diálogo, reflexão e troca de experiências entre os servidores indígenas. 

O evento iniciou com uma roda de conversa voltada a apresentar as muitas realidades, experiências e desafios dos novos servidores indígenas da Funai. Os integrantes da primeira mesa representaram a diversidade cultural e regional do corpo funcional indígena. Seus depoimentos evidenciaram diferentes trajetórias de vida e experiências acadêmicas e profissionais.

Um dos participantes foi o especialista em indigenismo Emerson Souza Guarani, que é antropólogo, professor e pesquisador e atua na Coordenação de Antropologia (Coan), vinculada à Coordenação-Geral de Identificação e Delimitação (CGid) da Diretoria de Demarcação de Terras Indígenas (Didem). Emerson sintetizou as reflexões trazidas pelos colegas, com destaque à importância de reconhecer a pluralidade dos povos indígenas dentro da Funai e à contribuição dessas vivências e conhecimentos para o fortalecimento da instituição.

“Nós temos diferentes indígenas aqui, com diferentes olhares, de diferentes regiões. Porque nós, indígenas, temos as nossas particularidades, culturas, línguas, histórias, trajetórias. E também a vida acadêmica e profissional, porque a maioria dos indígenas aqui na Funai são extremamente qualificados. Não adianta nos colocarem na categoria de iguais, porque nós, indígenas, não somos iguais. E a gente está aqui para somar”, enfatizou.

Presença indígena na Funai

Uma segunda mesa reuniu representantes da gestão da Funai para dialogarem sobre as experiências institucionais, os avanços e desafios relacionados à presença indígena na estrutura da autarquia indigenista. 

A presidenta da Funai, Lucia Alberta Baré, destacou o marco histórico que a reserva de 30% de vagas para indígenas no Concurso Público Nacional Unificado (CPNU) representou para a autarquia indigenista, e mencionou a importância da qualificação dos servidores recém-ingressos.

“Nós estamos fazendo história, com tantos servidores indígenas que ingressaram na Funai. Isso mostra que os povos indígenas estão ocupando espaços. E nós queremos trabalhar junto com os não indígenas, para nos fortalecer e construir junto com eles, porque temos muitos servidores com bastante compromisso com os povos indígenas. Eu parabenizo essa iniciativa de hoje, porque ela mostra que os parentes, juntamente aos não indígenas, estão buscando se formar, se preparar para as funções que estão assumindo dentro da Funai”, celebrou.

Junto à presidenta da Funai, compuseram também a mesa a diretora de Administração e  Gestão, Mislene Metchacuna; a diretora de Proteção Territorial, Janete Carvalho; o diretor de Demarcação de Terras Indígenas, Manoel Prado; e, de forma remota, a diretora do Museu Nacional dos Povos Indígenas, Juliana Tupinambá.

Articulação de servidores

À tarde, o evento teve continuidade com um vasto diálogo sobre experiências dos servidores no movimento indígena e como elas contribuem para o trabalho indigenista da Funai. Além disso, por meio da Ansif, os servidores tiveram acesso a dados sobre o perfil dos indígenas recém-ingressos e puderam elencar os principais desafios enfrentados desde a inserção na instituição. As discussões promovidas contribuíram para pensar formas de fortalecer a política indigenista a partir do protagonismo indígena.

O especialista em indigenismo Célio Tokã Kanela, que é contador e trabalha na Coordenação de Gestão de Projetos da Renda Indígena da Funai, mencionou o surgimento da articulação entre os servidores indígenas da instituição, que se consolidou no início de 2026. 

“Quando chegamos aqui na Funai, e conversamos com os parentes servidores, começamos a nos identificar. Logo chegamos à conclusão que precisávamos criar um espaço para nos reunir e falar sobre nós mesmos. Porque nós somos indígenas que estamos servidores da Funai. Ou seja, nós podemos até deixar de ser servidores, mas deixar de ser indígenas, nunca iremos deixar. Isso ninguém vai tirar de nós. E essa é a grande discussão que buscamos trazer aqui. Estamos unidos com o propósito de fazer uma Funai diferente”, destacou.

Abril indígena

A proposta do Abril Indígena é estender por todo o mês as reflexões do Dia dos Povos Indígenas, celebrado anualmente em 19 de abril. É um período de valorização da diversidade cultural e de conscientização de temas como o combate ao preconceito, a garantia de direitos, a demarcação de terras e a proteção e gestão territorial. 

As programações do Abril Indígena na Funai seguem durante todo o mês. No dia 15 de abril, será realizada uma tour educativa pela sede da autarquia indigenista com estudantes de escola pública, a fim de apresentar-lhes os povos indígenas e o trabalho desenvolvido pela Funai.

No dia 29 de abril, o cronograma se encerra com abordagem do tema “Indígenas educam: combate à desinformação”. A programação do último dia contará com uma mesa às 9h sobre Conhecimentos indígenas e, em seguida, às 10h45, a exibição do documentário “Momat – Ritual da Tucandeira na Comunidade Waikiru” em Manaus (AM), realizada com apoio do Museu Nacional dos Povos Indígenas (MNPI).

Coordenação de Comunicação Social/Funai.

Fonte: https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2026/funai-inicia-programacao-do-abril-indigena-com-foco-no-protagonismo-dos-povos-indigenas-na-instituicao