Reunindo mais de 50 participantes, o I Encontro Pan-Amazônico de Cidadania Digital, promoveu a troca de saberes entre povos de Roraima, Amazonas, Pará, Amapá, Peru e Colômbia, em uma verdadeira imersão na floresta amazônica.
O Departamento de Comunicação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), coordenado por Charles Taurepang, e os comunicadores indígenas da Rede Wakywaa: Adisson Macuxi (região Raposa), Charleni Galdino, Isabela Wapichana e Nailson Wapichana (região Serra da Lua), Cilene Wapichana (CIFCRSS) e Bruno Wai Wai (região Wai Wai), participaram do I Encontro Pan-Amazônico de Cidadania Digital, realizado na cidade de Tefé (AM), entre os dias 22 e 27 de abril de 2026, promovido pelo Projeto Terra Preta e pela Entidade Administradora da Faixa (EAF).
A participação da delegação de Roraima, reforça com o fortalecimento da comunicação indígena nos territórios e a articulação com outros povos da Amazônia. “Estar nesse encontro é fortalecer a comunicação indígena a partir do território, ampliando nossas vozes e construindo conexões com outros povos da Pan-Amazônia,” destacou Charles Taurepang, coordenador do Departamento de Comunicação do CIR.
A programação teve início com um momento de acolhimento e integração entre os participantes, marcado por apresentações culturais, dinâmicas de identificação dos territórios e compartilhamento das trajetórias coletivas. Ao longo dos dias, o encontro articulou debates, formações e vivências que conectaram comunicação, tecnologia e território.
Durante a VI Conferência de Cidadania Digital, foram discutidos temas como direitos e deveres na internet, inclusão digital na Amazônia e os impactos de grandes projetos nos territórios indígenas. Também houve espaço para apresentações culturais de diferentes povos, reafirmando a diversidade e a força das expressões tradicionais dentro de um espaço voltado à tecnologia e inovação.
Um dos momentos de destaque foi o diálogo sobre a comunicação indígena na Pan-Amazônia, reunindo comunicadores do Brasil, Peru e Colômbia, que compartilharam experiências sobre produção de conteúdo, fortalecimento das línguas e enfrentamento à desinformação nos territórios. As falas também reforçaram o sentimento de unidade entre os povos: “Somos herdeiros da terra e da luta,” destacou um dos representantes da Colômbia, enquanto um comunicador do Peru afirmou: “Com a força do nosso povo, venceremos”.












Comunicadores durante o Encontro Pan-Amazônico. (Fotos: Adisson Cristian, Divulgação EAF).
A programação seguiu com atividades formativas voltadas aos participantes do projeto Terra Preta, incluindo oficinas de empreendedorismo digital, rádio comunitária e processos de regularização de emissoras. As trocas de experiências entre iniciativas de rádio da Amazônia evidenciaram o papel estratégico da comunicação comunitária na garantia de direitos e na circulação de informações nos territórios. Nesse contexto, o coordenador do programa Terra Preta Digital, Dr. Guilherme Gitahy, destacou a importância da construção coletiva na região: “A cidadania digital na Amazônia passa pelo fortalecimento das redes locais e pelo protagonismo dos próprios povos na produção e circulação de suas narrativas”.Já na Terra Indígena Barreira da Missão, os participantes vivenciaram um momento de conexão direta com o território, com apresentações culturais da juventude indígena e rodas de conversa sobre comunicação indígena, quilombola e popular. Nesse espaço, a Rede de comunicação Wakywaa, apresentou sua experiência de atuação, reforçando a comunicação como ferramenta de resistência, organização e visibilidade dos povos indígenas. Durante a atividade, a comunicadora Isabela Wapichana destacou o papel da rede na formação de novas lideranças: “A Rede Wakywaa tem a missão de resgatar os jovens, ensinar, mostrar caminhos e criar oportunidades para que eles sigam fortalecendo o movimento indígena”.
O encontro foi encerrado com um momento espiritual coletivo, fortalecendo os vínculos construídos ao longo da programação e reafirmando a importância de aliar tecnologia, cultura e espiritualidade na construção de caminhos próprios para a comunicação na Amazônia.
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