Foto: Suamy Beydoum/Reuters

Saiba o que teve de mais importante no monitoramento do Observatório dos Direitos e Políticas Indigenistas na última semana (14/06-20/06).

Na noite da última quarta-feira (15/06), a Polícia Federal confirmou que os corpos de Bruno Pereira e Dom Phillips foram encontrados perto da comunidade ribeirinha de São Rafael, na região do município de Atalaia do Norte, no extremo oeste do estado do Amazonas. O indigenista da Funai e o jornalista britânico estavam desaparecidos desde 5 de junho. Amarildo da Costa, conhecido como “Pelado”, confessou ter participado dos assassinatos. Além dele, Jefferson da Silva Lima e Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos, também estão presos, e a PF ainda tem mais cinco suspeitos identificados. A possível motivação é a atuação de Bruno no combate à pesca ilegal realizada por invasores na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, além dos registros feitos por Dom. 

Líderes indígenas da TI Vale do Javari pedem justiça por Bruno e Dom. Entre os que defendem os territórios dos povos originários, cresce o medo. “Nossos companheiros estão sendo mortos, assassinados e torturados por causa da ganância do homem branco contra a vida dos povos indígenas e o direito à terra”, disse Telma Taurepang, do povo Taurepang de Roraima, ao Brasil de Fato

Reportagem da Folha de S. Paulo mostra que a atuação da vigilância indígena que monitora o território foi fundamental para elucidar o crime. O grupo mantido pela União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava) documenta as invasões à TI Vale do Javari, e mesmo antes do desaparecimento de Bruno e Dom informaram que um dos assassinos confessos, Amarildo Oliveira, o Pelado, passou pelo grupo mostrando uma arma. Eles anteciparam a investigação feita pela Polícia Federal, principalmente diante da omissão do poder público. Leia mais

Funai Anti-indígena. O Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc) e a associação dos servidores da Funai (INA) publicaram um dossiê apontando a política anti-indigenista da Fundação Nacional do Índio: não demarcação de territórios indígenas, perseguição aos funcionários concursados e lideranças indígenas, somada a uma militarização sem precedentes do órgão. Das 39 coordenações, 19 são ocupadas por oficiais das Forças Armadas, três por policiais militares e duas por federais. Acesse o dossiê Fundação Anti-indígena: um retrato da Funai sob o governo Bolsonaro

Exigindo a saída de Marcelo Xavier, servidores da Funai anunciaram greve para o dia 23 de junho. Segundo os servidores, a fundação promove perseguição a servidores. Desde 2019, a gestão de Bolsonaro negou a realização de dois concursos para a Funai, que está com o quadro de servidores extremamente defasado: são 2300 cargos vagos, mais de 60% dos postos. É o menor número de funcionários desde 2008

Haia. A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) atualizou sua denúncia contra Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional, feita em agosto de 2021, incluindo fatos ocorridos entre janeiro e maio de 2022. A negligência nas buscas por Bruno da Cunha Araújo Pereira e Dom Phillips está presente na nova denúncia.