A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) apoiou um ciclo de reuniões com foco no planejamento para construção do Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), com participação de lideranças do povo Iny Mahadu-Karajá, da aldeia Buridina de Aruanã (GO). Os encontros aconteceram na sede da Coordenação Regional Araguaia-Tocantins (CR-ATO) vinculada à Funai, em Palmas (TO), entre os dias 16 e 18 de dezembro de 2025.
Conforme enfatizou a cacica da aldeia Buridina, Valdirene Mahudikè, a reunião buscou alinhar projetos da comunidade indígena com apoio da Funai, em especial aqueles voltados para sustentabilidade, geração de renda e proteção territorial do povo Iny Mahadu-Karajá.
“Os principais assuntos que tratamos na reunião foram a elaboração do nosso PGTA, questões ambientais no território, etnoturismo e manejo sustentável de peixes e quelônios, além de recebermos orientações técnicas e jurídicas sobre demandas territoriais”, pontuou Valdirene.
O chefe da Unidade Técnica Local (UTL) em Goiânia, vinculada à CR-ATO, Haroldo Resende, disse que a reunião fortaleceu o diálogo direto e qualificado entre a autarquia indigenista e os indígenas Iny Mahadu-Karajá.
“As reuniões fizeram parte das prioridades e do planejamento das ações para o exercício de 2026 da CR-ATO e UTL em Goiânia, tendo como principais eixos o desenvolvimento do etnoturismo, como estratégia de geração de renda sustentável, e ainda a elaboração do PGTA Iny Mahadu-Karajá, que será instrumento central para a organização da gestão ambiental e territorial da comunidade, permitindo o acesso a políticas públicas, ações de monitoramento, proteção do território e iniciativas produtivas compatíveis com os modos de vida tradicionais”, explicou Haroldo.
O chefe da UTL em Goiânia afirmou também que a ação reforça o papel da Funai na escuta ativa, no apoio técnico diferenciado e no fortalecimento do protagonismo indígena, “o que contribui para processos de planejamento participativo que respeitam as especificidades culturais, promovem a gestão sustentável dos territórios e ampliam as condições para o desenvolvimento autônomo das comunidades indígenas em Goiás”, complementou.
O ciclo de reuniões teve ainda apoio da Coordenação-Geral de Atividades Produtivas (CGAP) vinculada à Diretoria Gestão Ambiental e Territorial (Digat).
Proteção territorial e etnoturismo
No âmbito da proteção territorial, as reuniões debateram demandas, em especial, relacionadas à prevenção e combate a incêndios florestais e recuperação de áreas tradicionais de relevância cultural, que levou em consideração as especificidades culturais e ambientais do território Iny Mahadu-Karajá.
Já com o foco do etnoturismo, as discussões enfatizaram o turismo de base comunitária como alternativa econômica. “Aruanã é um dos principais destinos turísticos de Goiás, nesse contexto, a comunidade Iny Mahadu-karajá já desenvolve atividades relacionadas ao uso sustentável dessas áreas. Com o PGTA, a comunidade poderá estruturar o turismo que valorize a cultura Karajá, fortaleça a autonomia comunitária, a geração de renda e assegure a proteção do território”, disse o chefe da UTL em Goiânia, Haroldo Resende.
A próxima etapa, com data a ser definida, estabelecerá o cronograma para construção do PGTA.
PGTAs
Os Planos de Gestão Territorial e Ambiental de terras indígenas são importantes ferramentas de implementação da Política Nacional de Gestão Territorial e Ambiental de Terras Indígenas (Pngati), que podem ser definidos como instrumentos de caráter dinâmico que visam à valorização do patrimônio material e imaterial indígena, à recuperação, à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais, e asseguram a melhoria da qualidade de vida e as condições plenas de reprodução física e cultural das atuais e futuras gerações indígenas.
Esses planos devem expressar o protagonismo, a autonomia e autodeterminação dos povos na negociação e no estabelecimento de acordos internos que permitam o fortalecimento da proteção e do controle territorial, bem como ser um subsídio que oriente a execução de políticas públicas voltadas para os povos indígenas.
Coordenação de Comunicação Social/Funai
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