Antônio Eduardo Cerqueira de Oliveira na XXV Assembleia Geral do Cimi, em setembro de 2023, no Centro de Formação Vicente Cañas (CFVC). Foto: Hellen Loures/Cimi
O Cimi comunica com imenso pesar o falecimento de Antônio Eduardo e expressa profunda gratidão por sua vida de dedicação irrestrita à causa dos povos indígenas
“Somos todas e todos chamados a ser Sementes Teimosas que brotarão em Vida Nova”
Antonio Eduardo Cerqueira de Oliveira
É com profunda dor que o Conselho Indigenista Missionário (Cimi) comunica o falecimento de Antônio Eduardo Cerqueira de Oliveira, missionário e ex-secretário executivo da entidade. Antônio Eduardo faleceu nesta sexta-feira, dia 30 de janeiro, em Belo Horizonte (MG), onde tratava problemas de saúde que se agravaram nas últimas semanas.
Natural de Itabuna, no sul da Bahia, Antônio Eduardo dedicou sua vida à causa indígena. Ingressou no Cimi em 1989 para trabalhar junto ao povo Pataxó Hã-Hã-Hãe, que naquele momento, após a consagração dos direitos indígenas na Constituição Federal, lutava para reconquistar seu território. Desde seu ingresso até sua precoce partida, Antônio Eduardo foi missionário do Regional Leste do Cimi, que abrange os estados de Bahia, Minas Gerais e Espírito Santo.
Ao longo de sua trajetória no regional, do qual foi coordenador por nove anos, trabalhou dando apoio às lutas e mobilizações de diversos povos indígenas, especialmente na região sul da Bahia, para onde retornou depois do período em que atuou no Secretariado Nacional do Cimi, entre os anos de 2019 e 2023.
Antônio Eduardo foi eleito como secretário executivo na XXIII Assembleia Geral do Cimi, em 2019, e assumiu com firmeza e disposição a tarefa de atuar na direção da entidade num dos períodos mais complexos e desafiadores de nossa história recente, quando os ataques aos direitos dos povos originários avançavam no Congresso Nacional e o poder Executivo foi assumido por setores políticos abertamente anti-indígenas. A volta de práticas autoritárias, o desmonte da política indigenista e o aprofundamento dos discursos de ódio acentuaram as perdas provocadas pela pandemia que, nesse mesmo período, abateu-se sobre o mundo e atingiu com especial gravidade os povos indígenas.
À frente do Cimi, Antônio Eduardo lembrou sempre da importância de manter a esperança e buscar na resistência teimosa dos povos originários a inspiração para enfrentar as adversidades. “A luta desses povos nos ensina que é preciso resistir, é preciso continuar”, afirmava. E foi seguindo esse exemplo que, mesmo em meio a um período sombrio e um contexto desafiador, ele persistiu animando todo o Cimi a continuar firme e determinado na caminhada ao lado dos povos indígenas – como eles, sem arrefecer.
“Esses povos nunca desistiram”, refletiu durante uma live realizada pelo Cimi Regional Leste em 2022. “É claro que permanecem os desafios, permanecem as dificuldades, mas eles têm essa experiência na luta e nós, enquanto Cimi, temos só que agradecer e continuar com eles, tendo o exemplo de vários companheiros e companheiras que reiniciaram o trabalho nesse chão, nos estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia. Um trabalho que foi forjado nesse compromisso de estar no dia a dia, no acompanhamento, na solidariedade e na vivência junto a esses povos, de dia e de noite. Uma vida comunitária, compromissada e que dá os frutos de hoje. Portanto, vamos nos alegrar e nos esperançar, que tem muito chão ainda pela frente. Mas já somos vitoriosos nessa luta”.
Como secretário executivo, fez sempre questão de lembrar os princípios aprendidos e construídos durante sua atuação na base do Cimi, missão à qual regressou assim que cumpriu seu serviço na direção da entidade. Articulação, diálogo, participação e presença solidária junto aos povos originários foram sempre as bases que considerava primordiais para a atuação missionária do Cimi, fundamentos que colocou em prática durante toda a sua trajetória.
O Cimi expressa imenso pesar por sua partida precoce e presta solidariedade aos familiares neste momento de dor. E, sobretudo, o Cimi manifesta sua profunda e eterna gratidão a Antônio Eduardo, por sua vida e por sua dedicação irrestrita à causa dos povos indígenas.
Segue em paz, Eduardo. Teu compromisso e tua caminhada continuarão sendo referência para nós. Continua intercedendo e encorajando a luta dos povos por Justiça e Bem Viver, a luta pela qual você dedicou sua vida. Que possamos ser, como você nos conclamava, sementes teimosas e seguir o teu exemplo de dignidade e comprometimento. Que saibamos, como você nos interpelava, esperançar sempre!
31 de janeiro de 2026
Conselho Indigenista Missionário – Cimi
Fonte: https://cimi.org.br/2026/01/nota-pesar-antonio-eduardo/
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