A inauguração ocorreu embaixo do forte sol de Roraima, mas a alta temperatura não impediu que os moradores e convidados marcassem presença na data tão importante. Em meio a aplausos e risos, a fita simbolizada pelo laço de couro foi desfeita, e o curral entregue aos presentes.

Nos olhos e nos rostos de quem passou quatro meses trabalhando na construção do curral, a alegria e a sensação de dever cumprido eram nítidas: homens, mulheres e jovens que, em meio aos desafios, viram o projeto sair do papel.

“Quando a gente assume uma responsabilidade, a gente tem que dar conta, e graças a Deus conseguimos. É um legado que fica para a comunidade. Agradeço ao CIR e a cada um que, direta e indiretamente, ajudou e se esforçou para o projeto sair do papel. Obrigada à dona Sinéia, que esteve na nossa região construindo o nosso PGTA”, expressou, emocionado, o tuxaua da comunidade Cajueiro, Neilson Cavalcante.

A inauguração ocorreu na manhã da última quinta-feira, 29 de janeiro. Conforme o tuxaua, o curral tem 25 metros de comprimento e 32 de largura. Foram utilizadas 500 pranchetas de madeira feijão-bravo e 150 mourões da madeira sucupira, todas retiradas na própria comunidade.

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Estrutura do curral da comunidade indígena Cajueiro. Fotos: ASCOM/CIR

A pecuária sustentável é uma das atividades desenvolvidas nas comunidades indígenas e que cada vez mais se fortalece. A atividade tem recebido apoio do Conselho Indígena de Roraima, por meio do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e Mudanças Climáticas, que tem implementado nas comunidades indígenas e nas regiões o Plano de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs), ou Plano de Vida.

Parabéns à comunidade por entregar o curral novo, bem estruturado, uma obra bem executada. Sabemos das dificuldades de cada região, mas quando a liderança tem comprometimento e trabalha no coletivo, é esse o resultado. Aqui reafirmamos o nosso compromisso, enquanto DGTAMC, em apoiar as comunidades que têm interesse em fortalecer suas iniciativas por meio do PGTA”, disse Renan Oliveira, engenheiro agrônomo do CIR.

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Equipe do CIR conhecendo o curral da comunidade. Fotos: ASCOM/CIR.

Das regiões que fazem parte da base do CIR, nove têm produção de gado significativa e crescente, o que torna os povos indígenas protagonistas na pecuária, como, por exemplo, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol. A atividade envolve manejo sustentável, alinhando conhecimentos tradicionais aos conhecimentos técnicos, fortalecendo a cada dia a autonomia dos povos indígenas.

“Estamos felizes em fazer parte desse momento hoje. Parabéns ao tuxaua e aos demais que participaram na execução desse projeto. O CIR manifesta gratidão por ver o recurso aplicado dando retorno. Reafirmamos o nosso compromisso no apoio às comunidades, na defesa dos direitos dos povos indígenas e do território, e no que estiver ao nosso alcance para fortalecer a autonomia das comunidades, nossas criações e das famílias, vamos fazer”, concluiu o vice-tuxaua geral do CIR, Paulo Ricardo.

Fonte: https://cir.org.br/post/comunidade-indigena-cajueiro-na-regiao-amajari-inaugura-curral-construido-por-meio-do-pgta