O Conselho Indígena de Roraima (CIR), por meio do Departamento de Gestão Territorial e Ambiental e Mudanças Climáticas (DGTAMC), realizou nos dias 19 e 20 de fevereiro de 2026, uma oficina voltada à construção do Plano de Trabalho e dos calendários de queimas para a prevenção e controle de queimadas nas terras indígenas de Roraima. A atividade reuniu coordenadores e chefes das seis bases de brigadas comunitárias indígenas, com foco no planejamento integrado para o período mais crítico do fogo no estado. Abertura contou com a participação do Tuxaua Geral do CIR, Amarildo Macuxi e o coordenador de incidência e Articulação Politica, Edinho Batista.
A oficina teve como eixo principal o fortalecimento da organização das brigadas, com ênfase na elaboração do calendário de queima das roças, prática tradicional, quando planejada de forma adequada, contribui para evitar incêndios de grandes proporções. Durante os dois dias, foram debatidos o histórico das brigadas comunitárias indígenas, o levantamento da estrutura e dos materiais disponíveis, o diagnóstico das principais necessidades, a produção de formulários semanais de atividades, a definição de responsabilidades e fluxos de comunicação, além dos encaminhamentos finais e pactuação de acordos.



As regiões que participaram, Surumu, Alto Cauamé, Tabaio, Wai Wai e Serra da Lua. Ao todo, dez coordenadores e chefes de brigada participaram do planejamento.
A coordenadora do DGTAMC, Sineia do Vale, do povo Wapichana, relembrou a trajetória de formação das brigadas comunitárias desde 2010, construída a partir de parcerias institucionais, entre elas com o programa Prevfogo”. Segundo ela, os primeiros anos foram marcados por limitações de equipamentos e estrutura, especialmente de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs). Com o fortalecimento das parcerias, foi possível ampliar o acesso a materiais como sopradores e outros equipamentos essenciais para o combate seguro às chamas.
Sineia destacou que a preparação constante das brigadas e a escuta ativa dos brigadistas são fundamentais para o êxito das ações.“É importante ouvir quem está na linha de frente, entender os desafios e as motivações de cada brigada, considerando as diferentes realidades das regiões atendidas”, ressaltou,mencionandootrabalho desenvolvido atualmente pela coordenadora de brigada, Ana Paula.

A oficina contou ainda com a participação dos representantes técnicos do IBAMA, Bruno Eduardo Carlos, do povo Wapichana, supervisor de brigadas federais do programa Prevfogo e Maria Soleane. Bruno enfatizou que a construção conjunta do plano de trabalho será estratégica para o monitoramento dos focos de calor previstos até abril, período considerado crítico em Roraima.
“Estamos participando da construção desse plano junto às brigadas comunitárias coordenadas pelo CIR. Esse planejamento vai fortalecer o monitoramento dos focos de calor e facilitar o controle dos incêndios e das queimas controladas. Com as brigadas em campo, o trabalho se torna mais eficiente e articulado”, afirmouBruno.
Ele também destacou a parceria consolidada desde setembro de 2025, quando foram realizadas queimas prescritas de forma integrada. “O CIR disponibilizou caminhonetes e brigadistas comunitários, enquanto o IBAMA garantiu o pagamento das diárias dos colaboradores”. Segundo o supervisor, a cooperação tem gerado resultados positivos na prevenção durante o período mais crítico.

A coordenadora da Brigada Comunitária Indígena, Ana Paula Levi da Costa, também do povo Wapichana, explicou que o objetivo da oficina foi alinhar o plano de trabalho e o calendário de queima das roças das seis bases atualmente em funcionamento: As regiões que participaram, Surumu, Alto Cauamé, Tabaio, Wai Wai e Serra da Lua. Ao todo, dez coordenadores e chefes de brigada participaram do planejamento.
“Estamos organizando as ações para os próximos três meses, que são os mais críticos para o fogo. Esse momento é fundamental para fortalecer o enfrentamento da crise climática e garantir que as queimas nas roças sejam feitas com planejamento e segurança”, destacou Ana Paula.

Brigadista há mais de dez anos na comunidade Pium, na região Serra da Lua, Eládio Sousa da Silva, de 57 anos, ressaltou a importância do encontro para alinhar estratégias e fortalecer o trabalho coletivo. “É o momento de sentar, relembrar o que já fizemos e planejar como vamos trabalhar em 2026. Cada um traz sua opinião para a gente organizar um bom plano de trabalho para a nossa região”, afirmou.
A oficina E OS contou com o apoio da AECID e da Rainforest Foundation, Terra Brasilit, ISA ,COIAB, Nia Tero reforçando a importância da cooperação entre organizações indígenas e parceiros institucionais na construção de estratégias eficazes de prevenção e controle de queimadas, aliando conhecimento tradicional, planejamento técnico e atuação integrada em defesa dos territórios indígenas de Roraima.
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