Antônio Luiz Batista de Macêdo – Txai (1952 – 2026) – Ila Verus/CPI-Acre

  • Txai Macêdo atuou com Chico Mendes na demarcação de terras no Acre
  • Nascido em seringal, presenciou rotina indígena e sofreu atentado

Obituário  Antônio Luiz Batista de Macêdo – Txai (1952 – 2026)

Mauren Luc

Curitiba

Antônio Luiz Batista de Macêdo passou a ser chamado de Txai logo que sua luta pela causa indígena começou, no Acre, na década de 1970. O termo significa amigo, irmão, “metade de mim”.

Foi com este sentimento que Macêdo conduziu suas ações em defesa dos direitos de indígenas, seringueiros e comunidades tradicionais na amazônia.

Foi um dos fundadores da Comissão Pró-Indígenas do Acre, em 1979, e ajudou Chico Mendes a construir a Aliança dos Povos da Floresta em 1987. Em 1990, participou da criação da Reserva Extrativista Alto Juruá, a primeira do tipo no mundo.

Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), da qual Macêdo foi servidor por quatro décadas, ressaltou sua forte atuação na demarcação de terras indígenas. “Seu legado de solidariedade, dedicação e amor pela causa indígena seguirá como referência para a política indigenista.”

A Coiab (Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira) também destacou sua contribuição para a defesa da floresta. “Deixa um legado de generosidade e comprometimento para a garantia dos direitos dos povos indígenas e de comunidades tradicionais.”

Macêdo foi sempre comprometido e corajoso, segundo quem o conheceu. Sagaz e com grande capacidade de mobilização pela causa. “Ia além de trabalho. Era escolha de vida”, lembra a amiga Vera Olinda, ressaltando sua alegria. “Mesmo sendo sua luta um campo minado, com tensões e ameaças, ele criava, compunha, tocava, cantava.”

Foi também um grande articulador político, adorava ler e tocar violão. “Era um homem muito honesto, que falava olhando nos olhos e dizia sempre a verdade. Um exemplo de pai”, diz o filho, Francisco Macêdo.

Nascido em Tarauacá (AC), no seringal Transal, no Vale do Juruá, teve 13 irmãos e cresceu vendo as seringueiras sendo o sustento da família. Na região, presenciou a rotina e os costumes indígenas.

“Por essa causa, ele sofreu atentados de morte, a mando dos patrões, que tinham muita raiva dele porque defendia o direito dos indígenas, seringueiros e ribeirinhos”, recorda o filho Wad Macêdo.

Mesmo bastante ausente de casa em razão de suas viagens pelo Brasil, Txai Macêdo foi um pai que os filhos tiveram como presente, já que quando estavam juntos era uma festa. “Foi um excelente pai, amigo, conselheiro, amável e sempre nos incentivou a estudar”, diz Wad. “Quando chegava das viagens, nos levava ao mercado, comprava dois carrinhos cheios de brinquedos para distribuir às crianças da rua em que morávamos.”

“Sempre gostou de ajudar. A vida dele era lutar, e ele amava essa luta, esse trabalho, essas viagens e essas conquistas”, afirma o filho Albert Macêdo.

Txai Macêdo morreu em 12 de fevereiro, de câncer no rim, aos 73 anos. Deixa 2 irmãs, 7 filhos, 12 netos, 6 bisnetos e toda comunidade indígena e seringueira da amazônia em luto.

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/03/mortes-indigenista-lutou-pelas-comunidades-tradicionais-da-amazonia.shtml