Brasília (DF) – Nós, juventudes indígenas, estamos transformando a comunicação em uma poderosa ferramenta de luta e resistência. Através das nossas vozes, imagens, histórias e vivências, mostramos ao mundo a força dos nossos povos, a importância dos nossos territórios e a riqueza das nossas culturas.
Comunicar é resistir. É não deixar que apaguem nossas histórias. É denunciar injustiças, fortalecer nossas identidades e unir diferentes povos na mesma caminhada. Cada vídeo, cada foto, cada palavra compartilhada carrega a memória dos nossos ancestrais e a esperança das futuras gerações.
Seguimos firmes, ocupando espaços, contando nossas próprias narrativas e reafirmando: estamos vivos, estamos em luta, e a nossa comunicação é também território de resistência. Minha experiência no Acampamento Terra Livre tem sido muito mais do que fazer a cobertura: é viver, sentir e fortalecer a luta do meu povo. Eu como jovem comunicador indígena, estou presente registrando cada momento do ATL, ouvindo lideranças, acompanhando mobilizações e mostrando a força da nossa resistência.
Assim nasceu o coletivo Beture, que faço parte enquanto comunicador inígena. Ele nasce da força, da criatividade e da resistência da juventude indígena do povo Kayapó. Somos jovens cineastas que carregam não apenas câmeras nas mãos, mas também histórias, memórias e a responsabilidade de manter viva a nossa cultura. Através do audiovisual, transformamos nossas vivências em narrativas que atravessam territórios, rompem silêncios e fortalecem a luta dos nossos povos.
Concentração dos povos indígenas presentes na abertura do ATL 2026 (Foto: Wanderson Sousa/ Engajamundo).
O Beture é mais do que um coletivo de cinema, é um movimento de afirmação cultural e política. Nós mostramos o cotidiano das aldeias, os saberes tradicionais, a relação com a natureza, a espiritualidade e, principalmente, a luta pela defesa dos nossos territórios e direitos. Cada imagem registrada é um ato de resistência, uma forma de dizer ao mundo que estamos vivos, presentes e em movimento.
Como jovens Kayapó, entendemos a comunicação como uma ferramenta poderosa. Usamos o cinema para contar nossas próprias histórias, a partir do nosso olhar, sem distorções. É a nossa voz ecoando por meio das telas, fortalecendo identidades e inspirando novas gerações a valorizarem suas raízes.
O coletivo também é um espaço de aprendizado e troca. Onde a juventude se une para aprender técnicas, compartilhar conhecimentos e crescer junto, sempre guiados pelos ensinamentos dos nossos ancestrais. Assim, conectamos tradição e tecnologia, mostrando que é possível caminhar entre os dois mundos sem perder nossa essência.
Ser Beture é resistir, é criar, é lutar. É transformar imagem em memória, e memória em futuro.
Concentração dos povos indígenas presentes na abertura do ATL 2026 (Foto: Wanderson Sousa/ Engajamundo).
O Acampamento Terra Livre começou no domingo (5 de abril) e segue até o dia 11 de abril, em Brasília. Em sua 22ª edição, traz o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”. BepmoroI Metuktire está presente no ATL junto da delegação de jovens indígenas do Engajamundo, organização de liderança jovem e feita para jovens, que acredita na importância da atuação da juventude para enfrentar os maiores problemas ambientais e sociais do Brasil e do mundo.
A imagem que abre este artigo mostra a Primeira Marcha do ATL 2026 (Foto: Breno Amajunepá/ Engajamundo).
A produção do artigo do jovem BepmoroI Metuktire, sobre a cobertura do ATL 2026, faz parte de uma parceria entre o Engajamundo e a agência Amazônia Real.
Acompanhe a série de artigos:
A Voz de Janiely Truká no ATL 2026: Luta pela Terra, Memória e Futuro
ATL 2026: Juventude Indígena e a Defesa dos Territórios, por Breno Amajunepá
ATL 2026: enquanto a juventude indígena resistir, existirá esperança, por Ageu Puyanawa
O protagonismo indígena LGBTQIAPN+ no ATL 2026, por Val Munduruku
Fonte: https://amazoniareal.com.br/jovens-cidadaos/atl-2026-a-forca-da-comunicacao-da-juventude-kayapo/
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