Marcha do 22º Acampamento Terra Livre. Crédito: © Edgar Kanaykõ / Greenpeace
Participar do ATL 2026 foi testemunhar de perto a força da articulação indígena e a potência coletiva da luta contra as ameaças aos territórios e à floresta.
O Acampamento Terra Livre 2026 é uma experiência profundamente marcante, daquelas que não apenas fortalecem uma campanha, mas que também nos transformam por dentro. Estar presente no ATL, acompanhando de perto essa mobilização tão potente, foi um lembrete vivo do porquê fazemos o que fazemos e do tamanho da responsabilidade que temos ao estar lado a lado de quem sustenta diariamente essa luta tão essencial.
Mais do que um grande encontro político, o ATL é um espaço de reencontro com a força que move os povos indígenas e, consequentemente, todos nós que caminhamos junto nessa defesa. Participar das marchas, ouvir de perto as demandas dos parentes, sentir a energia coletiva pulsando em cada canto daquele espaço, tudo isso deixa evidente que essa luta vai muito além do ativismo. Ela é também espiritual, ancestral, uma forma de reconexão e de resistência sobre o nosso propósito de vida.
Estar ali foi reencontrar esse axé necessário para seguir guerreando. Foi receber bênçãos, rezas, defumações e cantos que reacendem dentro da gente o sentimento mais profundo do porquê estamos nessa jornada. Porque essa luta, assim como a luta dos povos indígenas, não é apenas pela defesa dos territórios, é pela defesa da vida, da identidade, da memória, da cultura e do direito de existir. E posso dizer isso também a partir do meu lugar de fala, como nortista, como amazônida e como alguém que entende de perto o valor que o território carrega para quem vive e constrói sua identidade a partir dele.
A atuação do Greenpeace Brasil no ATL 2026
Nossa participação enquanto Greenpeace Brasil também foi extremamente significativa. Tivemos um time incrível, comprometido, alinhado e muito parceiro durante toda a cobertura e atuação no evento. Foi emocionante receber tantas palavras de agradecimento pelo fato de estarmos mais uma vez presentes e atuantes, contribuindo com a divulgação, com a comunicação e com a produção de conteúdo, especialmente em um ano marcado por desafios. Tanto a APIB quanto a COIAB reconheceram a importância de nossa presença e contribuição, o que reforça o valor de seguirmos fortalecendo essas alianças.
Um dos momentos mais especiais da nossa participação foi estar na Tenda da Gerência de Monitoramento Territorial Indígena (GEMTI) da Coiab, acompanhando a conexão e o uso do Papa Alpha por representantes indígenas. Na ocasião, também realizamos a distribuição de materiais didáticos com dados do nosso mais recente boletim de monitoramento sobre o garimpo em Terras Indígenas da Amazônia, em uma iniciativa voltada a fortalecer a autonomia das comunidades no acesso e uso de informações estratégicas para a defesa de seus territórios. Foi extremamente potente perceber o interesse genuíno das lideranças indígenas em conhecer a ferramenta, entender seu funcionamento e buscar formas de incorporá-la como mais um instrumento de denúncia, monitoramento e proteção territorial.
Nosso futuro não está à venda
Essa troca também reforçou algo que já sabemos, mas que no ATL ganha contornos ainda mais urgentes: o garimpo, a mineração, a grilagem de terras e outras atividades predatórias seguem avançando de forma cada vez mais agressiva sobre os territórios indígenas, ameaçando vidas, culturas e ecossistemas inteiros. Estar diante dessa realidade, ouvindo diretamente de quem vive esse impacto, torna impossível sair do evento sem um senso renovado de urgência e compromisso com essa causa.
Além de tudo isso, o ATL 2026 trouxe reflexões muito importantes sobre o cenário político e eleitoral deste ano. Em diversos momentos, foi reforçada a necessidade de fortalecer candidaturas indígenas e candidaturas comprometidas com os direitos e as pautas dos povos indígenas, entendendo que mudanças estruturais e transformações reais também passam pela ocupação desses espaços de poder e decisão. É assim que avançamos na construção de um futuro mais justo para os povos indígenas, para a Amazônia e para todo o país.
Com o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”, o ATL 2026 reafirmou o compromisso dos povos indígenas com a defesa dos territórios, com a demarcação das terras indígenas e com o enfrentamento às ameaças representadas pela mineração, pelo garimpo, pelo petróleo e por todas as atividades econômicas que colocam em risco o meio ambiente e a vida.
Mais uma vez, o ATL se consolidou como um espaço fundamental de articulação, denúncia e mobilização em defesa dos direitos indígenas e sair de lá é sair diferente, mais conscientes, mais fortalecidos e ainda mais comprometidos com essa luta.Para conhecer um pouco mais da potência, da mobilização e dos momentos que marcaram nossa participação no Acampamento Terra Livre 2026, acesse nossa Library e confira os registros fotográficos completos do evento sob a perspectiva do Greenpeace Brasil.
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