Documento final do ATL foi lido no último dia do encontro | Crédito: Rafa Doti/MST

Apib apoia a reeleição de Lula e entende que é preciso disputar a política no Congresso

O Acampamento Terra Livre foi encerrado nesta sexta-feira (10) com a leitura de uma carta elaborada pelas organizações participantes ao longo dos últimos 5 dias. O documento reivindica uma agenda de maior defesa do governo às pautas indígenas.

O texto teve como foco a crítica à extrema direita, que, segundo as lideranças, tem um projeto de ataque aos povos indígenas e de entrega de recursos estratégicos para os Estados Unidos. O documento citou, por exemplo, a ofensiva da Casa Branca contra países como a Venezuela.

A Associação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) também destaca a importância de uma agenda política que tenha a demarcação de terras indígenas como eixo fundamental e afirma que as organizações indígenas também entendem ser importante apoiar a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

“Para nós, soberania é demarcar todos os Territórios Indígenas e garantir a proteção física e cultural dos nossos povos. Por isso, apoiamos a reeleição de Lula. Mas não é um apoio cego, já que vamos pressionar por uma política que tenha a demarcação como prioridade, dentro de uma política de soberania nacional”, diz o texto.

Um dos espaços de disputa mais importantes identificados pelas organizações é o Congresso. De acordo com o documento, o Legislativo brasileiro tem sido plataforma para a aprovação de diversos projetos que atacam os direitos dos povos indígenas.

O documento também reforça a necessidade de defender o meio ambiente e o fim do uso dos combustíveis fósseis. Para as lideranças do ATL 2026, essas são questões que afetam diretamente os povos indígenas.

Outra questão levantada no documento final é a cobrança por uma maior participação das organizações na definição de figuras que estão em espaços de decisão em diferentes ministérios responsáveis por políticas para indígenas.

Essa cobrança por mais ações do governo também foi da Apib. Ao todo, a gestão de Lula entregou 29 demarcações no terceiro mandato do petista. Na visão da associação, esse número poderia ter sido muito maior.

“Os avanços ainda não respondem às necessidades dos povos. A reconstrução institucional precisa se refletir em políticas efetivas. Nós esperávamos muito mais; temos um passivo gigantesco e uma demanda muito grande de demarcação de terra. Esperamos que o Executivo, agora no final do mandato ou nos próximos anos, que esperamos também que ele seja reeleito e possa dar continuidade a esse processo de entregas, principalmente na pauta de demarcação”, disse Dinaman Tuxá, coordenador executivo da circulação dos povos indígenas do Brasil, ao Brasil de Fato.

O ATL de 2026 reuniu cerca de 7 mil lideranças indígenas de mais de 130 povos de todo o país. Para os organizadores, uma das principais conquistas foram as articulações feitas com o Poder Executivo e o Congresso Nacional.

“Queremos dar novos passos nos espaços de poder para que nós possamos construir uma política indigenista, para que nós consigamos construir políticas públicas voltadas aos povos indígenas por meio dos povos indígenas. Construindo com a participação dos povos indígenas. Então nós agora queremos avançar, ocupar mais espaço para que de fato as políticas públicas sejam efetivadas, implementadas nas terras indígenas”, disse Tuxá.

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Editado por: Thaís Ferraz

Fonte: https://www.brasildefato.com.br/2026/04/10/atl-encerra-cobrando-mais-demarcacoes-e-participacao-dos-indigenas-na-politica/