Marcha durante o Acampamento Terra Livre 2026 em Brasília (DF) | Crédito: Divulgação/Conselho Indigenista Missionário
Luis Ventura, do Cimi, fala das principais reivindicações dos povos indígenas no penúltimo dia do encontro
Lucas Krupacz E Maria Teresa Cruz E Nara Lacerda
O Acampamento Terra Livre (ATL), que acontece em Brasília (DF), chega ao penúltimo dia com avanços significativos no debate das políticas públicas que impactam a vida dos povos indígenas. A mobilização que acontece há 22 anos reúne comunidades de todo o país para reforçar reivindicações históricas, como a proteção ambiental e a garantia de direitos sociais.
Segundo Luis Ventura, secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), a demarcação de terras e a exploração de minérios em territórios indígenas protagonizaram as discussões e reivindicações dos movimentos durante a semana. “Um elemento que foi fundamental foi o alerta e a reivindicação com relação a esse aumento de pressão sobre os territórios para exploração econômica por parte de terceiros. Particularmente, estamos falando do campo da mineração. Nós tivemos uma reunião no Ministério de Minas e Energia, juntamente com o povo Mura, que é um dos territórios emblemáticos, onde um empreendimento da empresa Potássio [do Brasil] está avançando acima de um território indígena que está em processo de reconhecimento e identificação por parte da Funai”, conta.
Ventura destaca a importância do ATL para dar visibilidade às questões indígenas e, sobretudo, proporcionar o diálogo direto com os tomadores de decisões. Para ele, a luta indígena encontra entraves, sobretudo, porque ela é sobre se contrapor a um modelo de exploração. “Estão litigando contra esse modelo capitalista, enfrentando aquilo que é mais caro e mais precioso para o capitalismo, que é o controle dos territórios. E é justamente os territórios e não somente os territórios, mas a forma de ser e de habitar esses territórios”, avalia.
Durante o ATL, também ganhou força o debate sobre a criação da Comissão Nacional Indígena da Verdade (CNIV) para investigar violências contra os povos indígenas não apenas no período da ditadura, mas no período democrático atual.
Luis Ventura considera a criação do mecanismo urgente e destaca a importância da memória como ferramenta de reparação. “O Brasil tem muita dificuldade de lidar com a memória. Estamos vivendo uma tentativa de apagamento dela. Os povos indígenas estão levantando essa reivindicação porque tem coisas que são irreparáveis, mas o que deve ser colocado é justamente a garantia de não repetição, a garantia de que as atrocidades, os crimes, a violência não se repitam”, diz.
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