Cicinho se preocupava com as futuras gerações e acreditava na educação pela terra para mantê-las atentas às demandas do povo. Foto: Arquivo/Cimi-NE
Cicinho sofreu um infarto e nos deixou neste domingo (8) enquanto recebia cuidados médicos em hospital de Delmiro Gouveia
Com enorme pesar o Cimi Regional Nordeste lamenta a morte de Cicinho Jeripankó. Liderança em muitos âmbitos das lutas de seu povo e do movimento indígena, Cicinho sofreu um infarto e nos deixou neste domingo (8) enquanto recebia cuidados médicos no Hospital Regional do Alto Sertão, em Delmiro Gouveia (AL).
O registro da passagem de Cícero Pereira dos Santos reforça não apenas o luto, mas a celebração de uma vida dedicada à resistência e à dignidade do povo Jeripankó e de todos os povos indígenas de Alagoas.
A trajetória de Cicinho evidencia pilares fundamentais da causa indígena. Um deles é a educação como resistência. Ao lutar por uma educação escolar diferenciada, Cicinho garantiu que as futuras gerações Jeripankó não apenas aprendessem os conteúdos formais, mas que o fizessem sem perder o vínculo com suas tradições e saberes.
Cicinho vinculava a terra ao corpo e à memória, se destacando não apenas na luta pela demarcação, mas na defesa da Caatinga, o meio ambiente de seu povo, e na defesa da arqueologia como um direito sendo ele um dos pioneiros da discussão no Nordeste. Para Cicinho, o território não é apenas um pedaço de chão, mas o lugar da ancestralidade. Sua atuação foi crucial para assegurar que a identidade do povo permanecesse viva em meio às pressões no sertão alagoano.
Em suas falas, rendia obediência à sabedoria da Caatinga. Sua visão sobre a convivência com o semiárido é uma lição de sustentabilidade para o mundo contemporâneo, provando que os povos originários são os maiores guardiões da biodiversidade brasileira.
Ao dizer que ele se tornou “semente”, o povo Jeripankó reafirma a cosmologia indígena, onde a morte não é um fim, mas uma transformação. Cicinho agora habita o panteão dos ancestrais, e sua luta se expande em cada jovem Jeripankó que ocupa as salas de aula e defende o território tradicional.
Que o legado de Cicinho perdure e inspire o fortalecimento das organizações indígenas e a proteção da Caatinga. Cicinho Jeripankó: Presente!
Cimi Regional Nordeste
Recife, 9 de fevereiro de 2026
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