Adiada em razão do julgamento da Lei nº 14.701/23, conhecida como Lei do Marco Temporal, a II Reunião Ampliada Deliberativa do Conselho Indígena de Roraima (CIR) foi realizada entre os dias 19 e 21 de janeiro de 2026, com o tema “Terra, Justiça e Demarcação: A Resposta Somos Nós”. O encontro reuniu lideranças indígenas de diversas etnorregiões para discutir temas relacionados à vida, à organização e aos direitos dos povos indígenas.
O tuxaua geral do CIR, Amarildo Macuxi, destacou a importância da união e do alinhamento político das comunidades diante dos desafios atuais. Segundo ele, a reunião foi essencial para fortalecer a luta coletiva em defesa dos direitos indígenas.
“Estamos aqui para fortalecer as comunidades, nossas bases. O Conselho Indígena de Roraima atua há 54 anos na defesa do direito dos povos indígenas, em prol da liberdade do nosso povo”, afirmou.
Realizada duas vezes por ano, a Reunião Ampliada é considerada estratégica para as etnorregiões de base do CIR. A importância do espaço foi ressaltada pela coordenadora regional de juventude da região Tabaio, Cristiane Barbosa, do povo Macuxi.
“A ampliada é muito importante, pois permite que as comunidades participem das decisões juntamente com as lideranças, trazendo suas lutas, avanços, desafios, demandas e prioridades. É um espaço de alinhamento entre o CIR e as comunidades, garantindo que as decisões sejam construídas de forma coletiva e mantendo viva a organização indígena”, destacou.






Lideranças Indígenas das etnoregiões participando da II Reunião Ampliada Deliberativa do CIR – Fotos: Maciel Makuxi
Entre as pautas discutidas, estiveram as atividades dos departamentos do CIR, a apresentação do Conselho Gestor, os resultados da COP30 e temas apresentados por parceiros institucionais, como a FUNAI, que abordou a reestruturação da Coordenação Regional do órgão em Roraima, além de assuntos relacionados à demarcação e à proteção territorial.
A Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) também participou do encontro, apresentando suas principais articulações em defesa dos povos indígenas da Amazônia. O coordenador-geral da entidade, Toya Manchinery, explicou que a COIAB apoia as lutas indígenas por meio de projetos, parcerias com organizações não governamentais e apoio de financiadores.
Outro destaque foi a participação da União das Mulheres Indígenas da Amazônia Brasileira (UMIAB). Representada pela coordenadora executiva Marinete Tukano, que reforçou o protagonismo das mulheres indígenas nas decisões no movimento indígena.
“Estamos planejando uma formação voltada para mulheres lideranças, com foco na juventude. Precisamos nos politizar desde agora, ocupar esses espaços e atuar como lideranças fortes”, afirmou.
Durante os três dias de encontro, também foram construídos, junto às lideranças, grupos de trabalho estratégicos do CIR, com foco na atuação do movimento indígena no período de 2026 a 2030.
Entre os principais encaminhamentos aprovados coletivamente está a realização da 55ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas, com o tema “Terra Demarcada, Vida Preservada: A Resposta Somos Nós”, prevista para ocorrer de 11 a 15 de março de 2026. Também foi definida a realização da I Reunião Ampliada Deliberativa da Coordenação de 2026, que acontecerá na comunidade Anzol, na região Murupu, entre os dias 1º e 5 de julho.
O encerramento da II Reunião Ampliada Deliberativa foi marcado por agradecimentos dos tuxauas gerais do CIR, Amarildo Macuxi, Paulo Justino e Kelliane Wapichana, que destacaram os avanços, as linhas de atuação da organização e reforçaram a mensagem de unidade com o lema, “O CIR somos todos nós.”
Comentários