A assembleia reúne lideranças de onze etnorregiões, marcando o histórico de luta na defesa dos direitos e territórios indígenas.

A assembleia ocorre na comunidade indígena Maturuca, região Serras, município de Uiramutã, um local emblemático na luta pela demarcação da T.I. Raposa Serra do Sol.

A abertura oficial foi marcada pela recepção das delegações e convidados com defumação de maruwai, cantos e danças do parixara, para fortalecer a espiritualidade. Além da entrega do feixe de vara, representando a chave da comunidade para a Coordenação Executiva do Conselho Indígena de Roraima (CIR).

“Sejam todos bem-vindos a esse local histórico e recebam o nosso feixe de vara, símbolo da nossa união e resistência. Assim como a nossa assembleia, que as decisões tomadas aqui nos fortaleçam”, disse Dejacir Macuxi, coordenador regional dos tuxauas da região Serras.

A Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima é a instância máxima de deliberações, avaliações, planejamentos, escutas e tomadas de decisões coletivas, além de fortalecer o movimento indígena no estado.

Com o tema “Terra demarcada, vida preservada – A resposta somos nós”, a assembleia iniciou hoje, 11 de março, e reúne cerca de mil e quinhentos indígenas dos povos Macuxi, Wapichana, Taurepang, Wai Wai, Ingaricó, Patamona, Sapará e Yanomami.

Participam do momento histórico as lideranças tradicionais Clóvis Ambrósio, Jacir Souza e Juvencio Taurepang, além de juventude, artesãos e artistas indígenas, como Barto Macuxi, criador da arte que ornamenta a assembleia. O artista se emocionou ao lembrar da luta pela demarcação e das lideranças que perderam a vida por defender os territórios.

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Abertura da 55ª Assembleia Geral dos Povos Indígenas de Roraima. (Fotos: Maciel Macuxi- ASCOM/CIR).

Até o final da assembleia serão debatidos temas nas áreas de demarcação e proteção territorial, sustentabilidade econômica, saúde, educação, fortalecimento institucional, os impactos do julgamento pelo STF da Lei 14.701 e a conjuntura nacional.

Um dos destaques serão os lançamentos do Protocolo de Consulta da região Amajari, da tradução da Convenção 169 da OIT para as línguas maternas Macuxi e Wapichana e o lançamento dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental de comunidades das regiões Tabaio, Alto Cauamé, Serra da Lua, Amajari, Murupú e São Marcos.

O evento marca o aniversário do Conselho Indígena de Roraima (CIR), organização indígena mais antiga do Brasil, referência nacional e internacional, que atua há cinquenta e cinco anos na defesa da vida, dos direitos e dos territórios indígenas.

O encontro encerra no sábado (14). A programação terá mesas com a participação das organizações indígenas Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIRR), Organização das Mulheres Indígenas de Roraima (OMIRR), Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB), Conselho do Povo Indígena Ingarikó (COPING) e de instituições como Ministério Público Federal (MPF), Ibama, Fundação Nacional dos Povos Indígenas, Ministério da Justiça, Polícia Federal, Ministério do Meio Ambiente e Ministério dos Povos Indígenas (MPI), além da participação de apoiadores e parceiros.

Fonte: https://cir.org.br/post/terra-indigena-raposa-serra-do-sol-recebe-a-55a-assembleia-geral-dos-povos-indigenas-de-roraima