O ministro Guilherme Boulos, durante visita para anúncios de investimentos do Governo do Brasil em educação e saúde no Paço Municipal de Mauá – Zanone Fraissat/Folhapress

  • Eles protestam contra decreto do presidente que permite privatização e concessão de rios
  • Justiça já determinou desocupação

Mônica Bergamo

Os ministros Guilherme Boulos (Secretaria-Geral) e Sonia Guajajara (Povos Originários) vão receber na segunda (23) indígenas do Baixo Tapajós, no Pará, que ocuparam o terminal portuário da multinacional Cargill, em Santarém (PA).

Eles protestam contra o decreto 12/600, assinado por Lula, que autoriza a privatização e a concessão de trechos estragéticos dos rios Tapajós, Tocantins e Madeira.

As lideranças indígenas afirmam que a ocupação do terminal foi necessária diante da falta de diálogo do governo.

A tensão aumentou depois que a Justiça determinou a reintegração do terminal caso a ocupação não seja encerrada até a segunda.

A mobilização foi feita pelo Cita (Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns), que representa 14 povos do Baixo Tapajós, no Pará. Segundo o conselho, a ação da madrugada aconteceu depois de “um mês completo de silêncio institucional e ausência de respostas concretas”.

Os indígenas afirmam que a ação ocorreu após um mês de tentativa de diálogo.

Eles afirmam que a decisão não foi “impulsiva nem violenta, mas sim construída a partir da indignação com o decreto, que foi assinado por Lula em 28 de agosto do ano passad. O grupo diz que ocupou o terminal para defender “o direito de existir”.

A invasão também foi motivada pela ordem de desocupação. Uma operação policial foi mobilizada para desmobilizar os indígenas. A ordem tinha prazo de 48 horas (a partir da notificação) para saída da área onde o protesto era realizado. Os indígenas foram notificados por um oficial de justiça às 8h da sexta (20).

Fonte: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2026/02/boulos-e-guajajara-vao-receber-indigenas-que-invadiram-porto-em-protesto-contra-lula.shtml