Série de vídeos mostra geração de renda sustentável e a valorização dos modos de vida dos povos indígenas
Texto: Iepé
Nesse início de 2026, o Instituto Iepé e a Rainforest Foundation Norway (RFN) celebram a conclusão da primeira fase do programa “Economias da Floresta – Forest Economy” (ForEco), voltado a apoiar economias da sociobiodiversidade na Amazônia brasileira. O desenvolvimento deste programa, que contou com apoio financeiro da Embaixada Real da Noruega no Brasil, teve como sócios, além do Iepé, o Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), o Instituto Socioambiental (ISA), a Associação Rede de Sementes do Xingu (ARSX) e a Federação das Organizações indígenas do Rio Negro (FOIRN).
Foram cinco anos de uma parceria exitosa iniciada em 2021, com o objetivo de apoiar iniciativas que promovem mudanças positivas e duradouras para comunidades indígenas e populações extrativistas, fortalecendo economias territoriais, gerando renda e contribuindo para a manutenção da floresta em pé. Ao longo do período, foram apoiadas 76 iniciativas socioeconômicas, sendo 25 assessoradas diretamente pelo Iepé junto a seus parceiros indígenas.
Entre os destaques desse ciclo, o Fundo de Artes e Artesanato Wëriton Iyeripo, criado em 2019 pela Articulação de Mulheres Indígenas Tiriyó, Katxuyana e Txikiyana (AMITIKATXI), recebeu dois reconhecimentos nacionais: o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade (Iphan, 2024) e o Prêmio Cunhambebe Tupinambá (Funai/Museu do Índio, 2025).
Em uma outra iniciativa apoiada, a Associação Uasei dos Povos Indígenas do Oiapoque, recebeu o Prêmio Equador 2025 (PNUD), reconhecimento internacional por demonstrar como soluções baseadas na natureza podem fortalecer o desenvolvimento local e a resiliência diante de desafios econômicos, ambientais e políticos.
“A estruturação de arranjos produtivos nos territórios indígenas, com a criação de produtos não madeireiros, que permitem a manutenção e a valorização da floresta em pé, incentivam o associativismo, conectam gerações, atualizam e transmitem conhecimentos, e ainda tem potencial de gerar renda e colocar produtos da floresta no mercado consumidor, se tornou uma importante abordagem de trabalho do Instituto Iepé com seus parceiros indígenas nos últimos anos”, comenta o antropólogo Luis Donisete Benzi Grupioni, coordenador executivo do Iepé.
O trabalho desenvolvido nos territórios indígenas envolve diversas frentes: capacitação técnica, manejo e beneficiamento de produtos, fortalecimento da governança comunitária, acordos internos sobre uso de recursos, obtenção de certificações, criação de marcas e embalagens, acesso a mercados e estratégias de comercialização.
Há também um componente de incidência política com relação às compras públicas – o Iepé assessorou as organizações indígenas para que elas pudessem acessar programas de aquisição de alimentos, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar, o PNAE, e apoiou a Câmara de Comercialização de Produtos da Sociobiodiversidade do Amapá, uma iniciativa que reúne órgãos públicos, organizações do 3º setor, agricultores e indígenas para promover a discussão sobre a elaboração e adequação de políticas públicas que garantam o acesso e as especificidades dos povos indígenas e comunidades tradicionais.

Entre 2021 e 2025, o Iepé apoiou a estruturação de economias da sociobiodiversidade nos 10 territórios indígenas em que atuamos, tendo destaque o desenvolvimento de arranjos produtivos diversos, que incluíram o manejo e a produção de copaíba, pimenta, baunilha, mel, açaí, farinha, castanha, cumaru, produtos das roças, biocosméticos, além de artesanato e iniciativas de turismo de base comunitária.
Entre os principais números de impacto ao longo desses cinco anos, o destaque fica para o açaí, artes e artesanato e a farinha de mandioca.
AÇAÍ
587.078 kg comercializados
R$ 1.713.180 arrecadados para as comunidades
ARTES E ARTESANATO
17.106 peças comercializadas
R$ 954.088 arrecadados para as comunidades
FARINHA DE MANDIOCA
888.110 kg comercializados
R$ 3.481.069 arrecadados para as comunidades
Esses valores referem-se ao total comercializado e arrecadado no período. Os recursos são geridos pelas associações indígenas representativas dos povos parceiros do Iepé, beneficiando diretamente suas famílias e comunidades.
“Para que esses arranjos produtivos prosperem é importante garantir, de um lado, a governança interna destes territórios, boas práticas de associativismo e de proteção territorial, e de outro, encontrar abertura de novos mercados, pagamento justo e apoio dos governos. Os produtos da sociobiodiversidade podem incrementar uma nova economia para a Amazônia, protegendo a floresta e contribuindo para a regulação do clima”, conclui Luis Grupioni.
Série de vídeos “Economias da Floresta no Amapá e Norte do Pará”
Como parte da conclusão dessa primeira fase do Programa ForEco, o Iepé produziu uma série de vídeos chamada “Economias da Floresta no Amapá e Norte do Pará”. A série é composta por sete vídeos: um vídeo geral sobre o conceito de economias da sociobiodiversidade, mais seis vídeos destacando alguns dos arranjos produtivos apoiados pela instituição nos últimos anos.
Clique nas imagens abaixo pra assistir os vídeos:

Acesse a playlist do Youtube e assista a série completa!
Para esses povos, os recursos obtidos com a venda de produtos representam muito mais que dinheiro. Significam a possibilidade de continuar vivendo em seus territórios, fortalecendo seus modos de vida e transmitindo conhecimentos para as novas gerações. As boas práticas de manejo, gestão e comercialização apoiadas pelo Iepé em parceria com a Rainforest e os povos indígenas são uma forma de garantir a geração de renda sustentável com a floresta em pé.
Fonte: https://youtu.be/kD-6AfDLEHs?list=PLvXgNIpenvX18G-tvR5YJsM-mL5ZVmOfY
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