Para evitar aglomeração, eleição para escolha do cacique na Terra Indígena Toldo Imbu, que seria realizada neste domingo (29), foi adiada

O Ministério Público Federal (MPF) está acompanhando a situação das aldeias indígenas da região Oeste de Santa Catarina, tendo em vista a pandemia de covid-19. Para evitar aglomeração, a eleição para a escolha do cacique na Terra Indígena (TI) Toldo Imbu, que seria realizada neste domingo (29), foi adiada. A princípio deverá ocorrer no próximo dia 3 de maio, a confirmar, a partir das futuras orientações das autoridades sanitárias.

Na última terça-feira (24), o MPF instaurou notícia de fato para monitorar os acontecimentos envolvendo a eleição para cacique e a necessidade de adoção de medidas para prevenção ao coronavírus naquela terra indígena. Nesse procedimento, foi encaminhada recomendação ao atual cacique, Albari José de Oliveira Santos, diante da necessidade de serem seguidas as medidas temporárias de prevenção do contágio pelo novo coronavírus determinadas pelo governo estadual e pelo Ministério da Saúde, “em especial que sejam evitadas aglomerações de pessoas, principalmente em locais fechados, adiando a eleição para cacique para uma outra data, quando houver o abrandamento da atual situação de emergência sanitária”. A recomendação foi prontamente acolhida pela liderança indígena.

Outra preocupação com as terras indígenas foram as constantes entradas e saídas nas aldeias, principalmente de indígenas que trabalham em agroindústrias e outras empresas da região, o que acaba gerando insegurança e temor em relação à contaminação pelo novo coronavírus. A situação foi relatada por representantes da Funai e Polo Base de Chapecó – órgão vinculado ao Distrito Sanitário Especial Indígena Interior Sul (Dsei-Isul) do Ministério da Saúde – que coordenam as ações de saúde. Caciques e profissionais da saúde indígena se reuniram  para discutir estratégias seguras para o isolamento na última quarta-feira (25).

De acordo com os técnicos do Polo Base, foi realizado um trabalho de força-tarefa nas quatro aldeias da região orientando os indígenas, família por família, para os cuidados que devem ter para evitar a transmissão, as formas de transmissão e os sintomas da doença. Como já há uma suspeita em uma aldeia no Rio Grande do Sul, segundo um dos técnicos, é preciso cuidado redobrado, principalmente com os indígenas que trabalham fora das aldeias e podem se tornar focos de transmissão do vírus para suas comunidades.

A atuação do Polo Base de Chapecó abrange cinco grupos indígenas da região de Chapecó: Aldeia Condá, TI Toldo Pinhal e TI Toldo Chimbangue, da etnia Kaingang, além da Aldeia Guarani do Araçá’i e um grupo Guarani recentemente oriundo do Rio Grande do Sul, ambos atualmente alocados no Toldo Chimbangue.

Aprendendo a produzir sabão líquido – Além disso, considerando a situação ainda mais delicada dos povos indígenas no atual contexto de pandemia, foram desenvolvidas ações pelas equipes de saúde indígena, com o apoio da Epagri, para ensinar os indígenas de um grupo Guarani a fazer sabão líquido para higienização e proteção da contaminação pelo novo coronavírus. Excluídos das próprias políticas públicas voltadas aos grupos mais vulneráveis da sociedade, frequentemente esses grupos não dispõem de condições sequer para adquirir sabão e álcool gel para a higienização. A foto à esquerda retrata o engajamento dos indígenas que, mesmo em situação de extrema vulnerabilidade, estão adotando medidas responsáveis para prevenção da propagação da covid-19.

O MPF acompanha as medidas que estão sendo anunciadas pelas três esferas de governo e espera que os indígenas do Oeste catarinense também sejam adequadamente contemplados, em especial os grupos que dependiam da venda do artesanato nas cidades para o sustento de suas famílias e estão atualmente sem essa fonte de renda.

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Fonte: http://www.mpf.mp.br/sc/sala-de-imprensa/noticias-sc/covid-19-mpf-acompanha-situacao-nos-territorios-indigenas-do-oeste-de-santa-catarina

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