Mulheres da AMIM conhecem a produção da Associação Sementes do Araguari (Foto: Maria Silveira – Iepé)

Intercâmbio realizado em Porto Grande promoveu a troca de experiências entre as associações de mulheres AMIM e Sementes do Araguari, com foco na produção e na comercialização de produtos da Amazônia

Entre os dias 4 e 7 de maio, mulheres da Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM), do Oiapoque, participaram de um intercâmbio no Alto Araguari, em Porto Grande (AP), para conhecer experiências de produção e comercialização de óleos amazônicos e biocosméticos desenvolvidas pela Associação de Mulheres Extrativistas Sementes do Araguari.

Mulheres do Araguari conhecem a arte das mulheres indígenas de Oiapoque (Foto: Maria Silveira – Iepé)

A atividade aconteceu na sede da associação anfitriã, com o objetivo de fortalecer a produção de óleos já realizada nas aldeias e conhecer novas possibilidades de produtos, embalagens e comercialização. Para Arlete Pantoja Leal, presidente da Associação Sementes do Araguari, esse é um momento de trocas. “Quando a gente recebe visitas, a gente não pensa em ensinar as pessoas, mas sim trocar”, afirmou.

Trocas de conhecimentos

Durante o encontro, as participantes conheceram a estrutura da miniusina e do laboratório utilizados pela associação do Alto Araguari. Na prática, experimentaram a produção de óleo de pracaxi em prensa fria, técnica diferente da tradicional já utilizada pelas mulheres indígenas. O método reduz a acidez do óleo e amplia as possibilidades para a fabricação de biocosméticos.

Associadas da AMIM participam da produção de sabonete de copaíba das Sementes do Araguari (Foto: Maria Silveira – Iepé)

“A viagem foi longa, mas estamos aqui para aprender. Nós trabalhamos, na minha comunidade, com óleo de coco, andiroba e tucumã, mas queremos aprender sobre o pracaxi”, relatou Marinalva Tavares, associada da AMIM.

As participantes também acompanharam a produção de sabonetes de copaíba, desde o preparo até o desenforme, embalagem e precificação dos produtos. A troca despertou o interesse da AMIM em fortalecer e adequar a produção de óleos já realizada nas aldeias, além de desenvolver novos produtos derivados da sociobiodiversidade amazônica.

AMIM conhecendo o processo para extração de óleo de pracaxi na miniusina da Associação Sementes do Araguari (Foto: Maria Silveira – Iepé)

“Desde o momento em que a gente sai do nosso território, a gente aprende. Aqui vocês produzem de forma diferente da nossa, e aqui nosso papel é esse: aprender”, disse Leandra Ramos Oliveira, conselheira fiscal da AMIM.

Conheça as associações

Criada em 2019, a Associação de Mulheres Extrativistas Sementes do Araguari atua com o extrativismo responsável e a produção de biocosméticos artesanais, como sabonetes, pomadas e velas a partir de óleos como andiroba, copaíba e pracaxi da Floresta Estadual do Amapá. Atualmente, as mulheres da associação também demonstram otimismo com as possibilidades de produção de óleo essencial de breu branco.

Associadas da AMIM, Sementes do Araguari e equipe do Iepé participaram do intercâmbio em Porto Grande (Foto: Maria Silveira – Iepé)

Já a Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão (AMIM) foi criada em 2006, a partir da articulação com parteiras indígenas do Oiapoque e do registro de seus conhecimentos tradicionais. Atualmente, a associação reúne cerca de 300 mulheres e conta com coordenações regionais que representam diferentes regiões indígenas dos povos Karipuna, Palikur, Galibi Kali’na e Galibi Marworno, no município de Oiapoque. A AMIM atua em diversas frentes que incluem a defesa dos direitos das mulheres indígenas, a participação em eventos nacionais e internacionais e o fortalecimento de atividades socioambientais nas terras indígenas.

Empoderamento feminino

Além da produção e comercialização de óleos amazônicos, o intercâmbio também abriu espaço para conversas sobre os desafios enfrentados pelas mulheres em seus territórios. Temas como contaminação por mercúrio, fortalecimento comunitário, empoderamento feminino e geração de renda sustentável fizeram parte das rodas de conversa.

Roda de conversa de mulheres indígenas e extrativistas no Alto Araguari, no Amapá (Foto: Maria Silveira – Iepé)

“As mulheres enfrentam muitas coisas, mas acharam forças e conhecimentos em suas associações”, comentou Jessica dos Santos, coordenadora financeira da AMIM. “Se você entrou no movimento indígena sendo mulher, então você está preparada para tudo. A voz da mulher ecoa longe, ecoa muito alto”, completou.

Como forma de agradecimento pelo acolhimento, o intercâmbio foi encerrado com uma troca de presentes entre as participantes. (Foto: Douglas Serrão – Iepé)

O intercâmbio foi realizado pela AMIM, com apoio do Instituto Iepé, por meio do Programa Oiapoque e do Programa Gestão da Informação, em parceria com a Associação Sementes do Araguari. A atividade teve financiamento do Floresta+.

Fonte: https://institutoiepe.org.br/2026/05/mulheres-indigenas-e-extrativistas-trocam-saberes-sobre-oleos-amazonicos-e-biocosmeticos-no-amapa/