XVI Assembleia da Aspotax reuniu 65 associados para discutir temas importantes para o fortalecimento de sua organização social e defesa de direitos. Foto: Alessandra Souza/OPAN
Encontro reuniu 65 representantes de seis aldeias para avaliar a atuação da associação e definir as prioridades para os próximos quatro anos
Por Talita Oliveira | OPAN
Entre os dias 25 e 27 de junho, a Associação do Povo Tâkuna do Rio Xeruã (Aspotax) realizou sua XVI Assembleia na Aldeia Flexal, Terra Indígena Kanamari do Rio Juruá, em Itamarati (AM). A assembleia eletiva reuniu 65 representantes das aldeias Santa Luzia, Flexal, São João e Nova Aliança, do município de Itamarati, e Flexeira e Paraíso, de Eirunepé.
Durante os três dias de encontro, os participantes discutiram temas importantes para as comunidades, como saúde, educação, proteção do território e geração de renda. Entre as pautas, estiveram também as políticas de compras públicas, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) e o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), que têm contribuído para a geração de renda das famílias associadas por meio da comercialização de alimentos produzidos nas comunidades para a alimentação escolar.
Articulação e conquista de direitos
Sem chapa concorrente, a atual diretoria foi avaliada positivamente pelos associados e reeleita por aclamação para um novo mandato de quatro anos. Para Welga Kanamari, vice-presidente da Aspotax, a atuação da associação tem sido fundamental para a conquista de melhorias para as comunidades e para o fortalecimento da articulação com outras organizações indígenas a nível local, regional e nacional.
Entre elas estão a Organização dos Povos Indígenas da Calha do Rio Juruá (Opiju), a Articulação das Organizações e Povos Indígenas do Amazonas (Apiam), a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), além de instituições parceiras, como a OPAN, que esteve presente na assembleia a convite da associação e contribuiu com as discussões realizadas durante o encontro.

Entre os avanços destacados por Welga, está a articulação com a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) para a implementação de uma Unidade Técnica Local (UTL) na região, prevista para 2027. “Em diálogo com a Funai, conseguimos também avançar na implementação de uma UTL, prevista para 2027. A associação esteve presente em todas essas conquistas”, destaca.
As UTLs são estruturas administrativas da Funai vinculadas às Coordenações Regionais (CRs) e têm como objetivo aproximar a atuação do órgão dos povos e territórios indígenas. A criação de uma unidade na região representa um avanço para o atendimento das demandas das comunidades e para a interlocução com o órgão indigenista.
A diretoria pretende dar continuidade à mobilização pela garantia de direitos e ao trabalho de articulação em defesa das comunidades. “Fomos eleitos novamente para um mandato de quatro anos e vamos seguir trabalhando para melhorar as coisas. Às vezes recebemos um não, mas nunca o consideramos uma resposta final. Só paramos quando conquistamos nossos direitos”, afirma o vice-presidente.
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