Uma comissão de lideranças da Comunidade Indígena Anzol esteve, na tarde da última terça-feira (05), em Boa Vista para uma reunião com o Ministério Público Federal (MPF), após a decisão judicial que determinou a demarcação do território em até cinco anos. O encontro teve como objetivo esclarecer às lideranças como o processo será conduzido e fortalecer o acompanhamento da comunidade diante de um momento considerado decisivo na luta pelo reconhecimento territorial.
A reunião contou com a presença do tuxaua geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Amarildo Macuxi, do assessor jurídico Júnior Nicacio Wapichana e do procurador da República Alisson Marugal.
Durante o encontro, o procurador apresentou às lideranças os encaminhamentos do processo judicial e explicou as etapas que deverão ser seguidas até a conclusão da demarcação. Também foram abordados os mecanismos de acompanhamento para garantir o cumprimento da decisão.
A decisão judicial representa um avanço importante para a comunidade, que, desde 1982, aguarda a demarcação e a regularização de seu território, enfrentando situações de insegurança fundiária.
Para o tuxaua da Comunidade Indígena Anzol, Del Wekelenso Bezerra, a decisão foi recebida com muita emoção e alegria. A comunidade busca agora entender como será o andamento do processo.
“Recebemos com muita alegria a decisão da Justiça favorável à demarcação da Comunidade Anzol. Viemos hoje para entender como será o andamento desse processo e quais são os próximos passos”, explicou o tuxaua.









Lideranças da comunidade Anzol, durante a reunião no MPF. (Fotos: Charles Taurepang- ASCOM/CIR).
O assessor jurídico do CIR, Júnior Wapichana, destacou a importância da decisão e do acompanhamento próximo das lideranças. “É uma vitória muito importante o Tribunal Regional Federal considerar que as comunidades têm direito ao território da Terra Indígena Anzol. Estar presente aqui é manter firme a principal reivindicação, que é a demarcação do território”, afirmou.
O tuxaua geral do CIR, Amarildo Macuxi, destacou o compromisso da organização em acompanhar e apoiar a comunidade durante todo o processo.
“Para nós, garantir a demarcação da Terra Indígena Anzol é garantir a liberdade do nosso povo. O CIR segue acompanhando de perto e estamos firmes na defesa dos direitos dos povos indígenas”, enfatizou Macuxi.
Durante o encontro, as lideranças também compartilharam suas preocupações em relação à situação atual da comunidade e reforçaram a importância de que o processo ocorra com transparência e respeito aos direitos dos povos indígenas.
A luta pela demarcação
A luta pela demarcação da Terra Indígena Anzol, na região do Murupu, reflete décadas de resistência dos povos Macuxi e Wapichana diante da perda de território e da pressão de fazendeiros.
Com mais de 70 anos de ocupação tradicional, a comunidade vive hoje confinada a cerca de 2 hectares, após ter sido excluída, em 1982, da homologação da Terra Indígena Serra da Moça sem consulta prévia.
A redução do território foi agravada pela expansão da agroindústria, com plantios de acácia mangium, que impactaram o meio ambiente e intensificaram conflitos. O cenário inclui ainda relatos de violência, como a queima de estruturas comunitárias e agressões.
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