Com objetivo de levar as vozes dos povos indígenas do Brasil para debate internacional, reforçando a importância do protagonismo e os caminhos mais justos, acessíveis e eficazes para o financiamento climático, a coordenadora do Fundo Indígena Rutî do Conselho Indígena de Roraima (CIR), Josimara Baré, participou entre os dias 8 e 10 de abril de 2026, da primeira conferência com os povos indígenas promovida pelo Green Climate Fund (GCF), em Songdo, na Coreia do Sul, acompanhada por Yara Martinelli, intérprete e assessora da liderança, com atuação em temas relacionados a financiamento climático e governança intercultural.

O encontro reuniu lideranças, organizações indígenas e representantes de instituições internacionais. Durante a conferência, Josimara Baré, compartilhou a experiência construída em Roraima e destacou iniciativas que colocam os povos indígenas no centro das decisões. 

Nesse cenário, o Fundo Indígena Rutî, iniciativa do CIR, se apresenta como uma resposta concreta construída a partir dos territórios. Com dois anos de atuação, o fundo já se posiciona em espaços nacionais e internacionais como um mecanismo próprio de apoio às comunidades indígenas, baseado na escuta, na organização coletiva e na autonomia dos povos.

Durante os diálogos, um dos principais pontos levantados foi a necessidade de que os povos indígenas deixem de ser vistos apenas como beneficiários de projetos e passem a ser reconhecidos como protagonistas na definição de prioridades, gestão de recursos e implementação de ações em seus próprios territórios.

Se o Green Climate Fund (GCF) quer avançar seriamente no financiamento climático liderado por povos indígenas, é necessário reconhecer a importância dos fundos indígenas já existentes como parte da infraestrutura dessa solução, e não como atores pontuais. Também é fundamental criar caminhos reais de preparação, fortalecimento institucional e parceria para esses fundos”, afirmou Baré.

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Josimara Baré durante participação na primeira conferência com os povos indígenas promovida pelo GCF. (Fotos: Yara Martinelli e Arquivos/ GCF).

Essa reflexão dialoga diretamente com a trajetória do Fundo Indígena Rutî, que nasce justamente com esse propósito: fortalecer iniciativas construídas pelas próprias comunidades, respeitando suas formas de organização, seus tempos e seus modos de decisão.

Ao longo dos anos, o CIR vem consolidando experiências de formação, articulação e apoio às comunidades indígenas de Roraima. O Fundo Indígena Rutî surge como um passo a mais nesse processo, criando um mecanismo próprio de financiamento que busca superar modelos competitivos e distantes da realidade dos territórios.

Diferente de muitos formatos tradicionais, em que comunidades precisam disputar recursos por meio de propostas técnicas complexas, o Fundo Indígena Rutî aposta na construção coletiva das prioridades. A partir da escuta das lideranças, do diálogo entre regiões e da identificação das necessidades reais, o processo busca fortalecer a cooperação, evitando desigualdades e disputas internas.

Esse modelo também se conecta a discussões globais sobre clima e florestas, que reconhecem a importância dos povos indígenas na proteção dos territórios e na manutenção da biodiversidade. No entanto, o CIR reforça que qualquer iniciativa nesse campo deve garantir o respeito aos direitos dos povos indígenas, incluindo a consulta livre, prévia e informada, além do controle sobre as decisões que afetam seus territórios.

Outro ponto destacado nos debates é a importância de investir na preparação das organizações indígenas para acessar e gerir recursos de forma autônoma. Isso inclui fortalecer equipes, sistemas de gestão, monitoramento e comunicação, elementos que já vêm sendo trabalhados pelo CIR por meio de seus departamentos e da atuação integrada com as comunidades.

Para o Fundo Indígena Rutî, esse momento representa a consolidação de um caminho construído a partir dos territórios, em que o acesso a recursos deve caminhar junto com a autonomia e o fortalecimento da organização comunitária.

Mais do que participar desses espaços, o CIR reafirma que as respostas para os desafios climáticos passam pelo reconhecimento dos povos indígenas como protagonistas, com soluções que nascem nos territórios, a partir de seus conhecimentos, suas práticas e sua forma própria de organização.

Fotos: Yara Martinelli e Arquivos/GCF.

Texto: Charles Taurepang (ASCOM/CIR).

Revisão: Márcia Fonseca (ASCOM/CIR).

Fonte: https://cir.org.br/post/fundo-indigena-ruti-fortalece-protagonismo-dos-territorios-em-debate-internacional-sobre-financiamento-climatico