Curtas mostram bastidores de oficinas de fortalecimento de saberes e práticas tradicionais de diferentes povos do Tumucumaque e do Wayamu

Texto: Angélica Queiroz

O registro de processos de transmissão de saberes é uma forma de valorizar e fortalecer a continuidade dos modos de vida dos povos indígenas. Esse esforço está no foco de uma série que mostra bastidores de oficinas e encontros dedicados à transmissão de saberes tradicionais, apoiados pelo Iepé e pela União Europeia nas terras indígenas do Tumucumaque e do Wayamu, no Norte do Pará. Os oito vídeos estão disponíveis no Youtube do Iepé.

Produzidos a partir de imagens captadas por jovens comunicadores indígenas, sob a orientação de profissionais do audiovisual, os materiais revelam iniciativas de registro dos saberes e fazeres importantes  de continuarem vivos no cotidiano das aldeias. 

As gravações integram o projeto “Nossas Terras Nossas Aldeias” e foram realizadas ao longo de quatro anos, como resultado de pesquisas conduzidas pelos próprios jovens sobre conhecimentos que precisam ser reconhecidos, resguardados e compartilhados entre as novas gerações.

Saiba mais e assista aos vídeos abaixo:

1. Filme-carta: origem das coisas

Também por meio de uma carta, o curta conta o histórico de ocupação da região onde hoje é localizada a aldeia Bona, no Tumucumaque leste. As imagens foram feitas durante uma das oficinas de capacitação de jovens em tecnologias de geoprocessamento e audiovisual.

2. Oficina de comunicadores indígenas

O vídeo mostra os bastidores do processo de aprendizagem dos jovens indígenas na captação de imagens e na produção de narrativas, numa formação que estimulou seu protagonismo na tarefa de contar suas próprias histórias.

3. Filme-carta: a chegada de novos horizontes

O vídeo apresenta, por meio de uma carta narrada pelos jovens comunicadores e lideranças do lado oeste do Tumucumaque, a chegada do Iepé na região, há mais de 20 anos, e as mudanças ocorridas de lá para cá.

4. História dos objetos: arco e flecha

O vídeo mostra o processo de fabricação do arco e da flecha utilizados pelos povos indígenas das TIs Parque do Tumucumaque e Rio Paru d’Este, com foco na história e nos principais usos do artefato.

5. História dos objetos: tipoia

A tipoia, utilizada pelas mulheres dessa região para carregar crianças, é confeccionada utilizando algodão. No registro é possível ver detalhes do processo de preparação da matéria-prima e entrelaçamento para tecer o artefato.

6.História dos objetos: peneira

No sexto vídeo da série, os jovens mostram os primeiros passos do processo de fabricação da peneira, feita de arumã, com registros que vão da coleta do material e trançado até chegar ao produto final,  que é muito utilizado no dia a dia dos povos do Tumucumaque e Rio Paru d’Este.Programa Tumucumaque-Wayamu

7. Registros do txama txama

Uma espécie de coroa, feita com penas de gavião-real ou arara, o txama txama é um um marcador de identidade dos povos Kahyana e Katxuyana. Sua produção vem de um conhecimento dos mais velhos, poucos dos quais ainda vivos, que precisa ser transmitido para as novas gerações, não só para garantir a sua preservação, mas também como forma de fortalecer o sentimento de pertencimento a povos que se perpetuam no tempo. Nesse making off, jovens comunicadores indígenas preparam um filme que documenta práticas, processos e significados dessa arte.

8.História dos objetos: kuriyara

O vídeo resgata um pouco do processo de produção do kuriyara, que é uma espécie de reservatório usado para colocar bebidas em festas ou no dia a dia. Segundo a história contada pelos anciões, o que está dentro dele nunca acaba. O registro foi feito durante uma atividade da Articulação das Mulheres Indígenas Tiriyó, Katxuyana e Txikiyana (Amitikatxi), que promoveu uma troca de conhecimentos sobre a produção desse artefato com o objetivo de ensinar aos mais jovens como confeccioná-lo.

Fonte: https://institutoiepe.org.br/2026/03/no-ar-registros-feitos-por-jovens-comunicadores-viram-serie-no-youtube/