O Conselho Indígena de Roraima (CIR) recebeu, na sede da organização, auditoras do Tribunal de Contas da União (TCU). A visita institucional foi voltada à escuta da organização e ao diálogo com as lideranças sobre a realidade dos povos indígenas de Roraima.
Representando o TCU, participaram Cíntia Zaira Messias de Lima, auditora federal de Controle Externo, e Fabiana Braga Lope, auditora. As representantes foram recepcionadas pelo Tuxaua Geral, Amarildo Macuxi; pela Tuxaua Suzane Lemos, da Comunidade Indígena Arapuá; e pelos advogados do Departamento Jurídico, Júnior Nicácio Wapichana, Fernanda Wapichana e Luciane Macuxi.
A reunião integra um levantamento realizado pelo TCU sobre os povos indígenas e a atuação da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI) e do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), especialmente nas áreas de demarcação e proteção territorial, saúde e educação.

Segundo as auditoras, a iniciativa busca construir uma visão ampla sobre as dificuldades enfrentadas pelos povos indígenas e avaliar as ações desenvolvidas pelo poder público para atender às necessidades das comunidades.
Durante o encontro, o CIR apresentou os principais desafios enfrentados pelos povos indígenas de Roraima, entre eles o avanço do garimpo ilegal nas Terras Indígenas Raposa Serra do Sol e Wai Wai; a demora na demarcação e regularização de terras indígenas; a necessidade de regularização das pistas de pouso utilizadas pelas comunidades; as ameaças às lideranças indígenas; o aumento da violência contra as comunidades; e a ausência de processos de consulta prévia, livre e informada.

O CIR também apresentou iniciativas desenvolvidas pelas comunidades e pela organização, destacando ações consideradas estratégicas e inovadoras, como a elaboração e implementação dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA), o apoio às iniciativas comunitárias por meio do Fundo Indígena Rutî, as atividades das mulheres indígenas, o desenvolvimento da pecuária orgânica e o fortalecimento da agricultura indígena.
“A presença do TCU nos territórios é muito importante para o CIR, porque permite que as lideranças indígenas sejam escutadas diretamente. São elas que conhecem de perto as dificuldades enfrentadas nas comunidades. Essa escuta fortalece a participação dos povos indígenas e contribui para que as demandas apresentadas possam ser consideradas na avaliação e no acompanhamento das políticas públicas”, afirmou Luciane Macuxi, advogada do Departamento Jurídico do CIR.
A agenda de escuta entre o CIR e o TCU ocorreu entre os dias 2 e 4 de setembro. Dando continuidade à programação, a equipe seguiu para a Comunidade Indígena Canauanim, na Terra Indígena Canauanim, região Serra da Lua. No local, as auditoras dialogaram diretamente com as lideranças para conhecer de perto a realidade da comunidade, suas principais demandas e os desafios enfrentados no cotidiano.

Participaram do diálogo o Tuxaua Helinilson Cadete, a vice-tuxaua Tatiana Wapichana e o gestor da Escola Valderício de Lima, que apresentaram questões consideradas prioritárias para a comunidade.
Entre os principais pontos destacados estiveram as dificuldades na área da educação, especialmente relacionadas à precariedade da estrutura das escolas e à necessidade de melhores condições para o funcionamento das unidades escolares. As lideranças também relataram desafios na área da saúde, ressaltando a necessidade de fortalecimento e melhoria dos serviços destinados à população indígena.
A visita permitiu ouvir diretamente os representantes da comunidade e ampliar a compreensão sobre as necessidades vivenciadas no território, contribuindo para que essas demandas sejam consideradas no levantamento realizado pelo Tribunal de Contas da União.

Durante a reunião, também foi discutida a possibilidade de articulação entre o CIR e o TCU para promover a capacitação de lideranças indígenas, com o objetivo de fortalecer a participação das comunidades no acompanhamento e controle da aplicação dos recursos públicos destinados às políticas e ações voltadas aos povos indígenas.
Ao final do encontro, foi entregue às representantes do TCU o Memorial da Situação dos Povos Indígenas do Estado de Roraima (2026), documento que reúne informações, denúncias e demandas relacionadas aos principais desafios enfrentados pelos povos indígenas no estado.
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