A presença do garimpo ilegal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol tem provocado impactos ambientais que atingem diretamente recursos naturais essenciais à sobrevivência das famílias indígenas.
A contaminação provocada pelo garimpo ilegal tem alterado a rotina e comprometido o acesso à água de famílias indígenas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.
Na Comunidade Indígena Urucá, região Serras, município de Uiramutã, um dos principais impactos é sentido no igarapé Urucá, que durante anos foi uma das principais fontes de abastecimento dos moradores, mas passou a apresentar problemas na qualidade da água em decorrência da atividade garimpeira ilegal.
Diante desse cenário, entre os dias 01 e 04 de setembro, uma equipe do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e de Mudanças Climáticas (DGTAMC) do Conselho Indígena de Roraima (CIR) esteve na comunidade para implantar um sistema emergencial de captação e abastecimento de água potável. A presença do garimpo ilegal no território tem provocado impactos ambientais que atingem diretamente recursos naturais essenciais à sobrevivência das famílias indígenas, entre eles os cursos d’água utilizados para consumo e outras atividades cotidianas.

A estrutura que beneficia 15 famílias e aproximadamente 66 pessoas, utiliza uma nascente localizada na serra e leva água até o centro da comunidade por meio de um sistema de abastecimento por gravidade. A tubulação tem aproximadamente 1.300 metros de extensão. A implantação representa uma alternativa diante da degradação da fonte de água tradicional da comunidade.
“Estamos muito felizes e gratos por vocês trazerem essa água para nós. Ela já está chegando aqui na nossa porta. Agora vamos beber água tranquilos, sem medo. E, com certeza, esse lugar vai ser recuperado. As belezas que temos dentro da nossa comunidade estão sendo destruídas”, afirmou uma liderança do povo Macuxi.
A equipe técnica responsável pela implantação foi formada pelos engenheiros agrônomos Renan Oliveira Rodrigues e Raiovane Montenegro, que estiveram no local para averiguar as condições da água utilizada pelos moradores e, junto às lideranças e à comunidade, executaram a instalação do sistema de abastecimento.

Segundo o engenheiro agrônomo Renan Oliveira, a iniciativa garante uma fonte de água mais segura para as famílias e, ao mesmo tempo, contribui para reduzir os efeitos provocados pela contaminação do igarapé Urucá.
“Essa instalação de emergência foi uma demanda da própria comunidade, diante da situação do igarapé, que vem sendo afetado pela sujeira provocada pelo garimpo ilegal. A partir da visita técnica, constatamos que, mesmo com o terreno acidentado, havia possibilidade de fazer a captação de água por gravidade, aproveitando a nascente localizada no alto da serra. Com o apoio da comunidade na mão de obra, conseguimos instalar o sistema e garantir o acesso à água potável, levando a água da nascente até o centro da comunidade”, explicou.
OS impactos ambientais provocados pelo garimpo illegal são vivenciados diariamente. Além dos prejuízos ao meio ambiente, a contaminação da água representa uma preocupação para a saúde e a segurança alimentar dos moradores, especialmente crianças e idosos, que demandam maior atenção diante dos riscos associados ao consumo de água de qualidade comprometida.

O caso sobre o garimpo illegal naquela região foi denunciado anteriormente pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), que acompanha de perto a situação. A organização tem protocolado documentos referente ao garimpo ilegal na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, junto aos órgãos competentes cobrando a punição dos envolvidos e a realização de operações permanentes de combate à atividade ilegal no território indígena.
“Urucá é uma das comunidades indígenas que sofrem com a invasão do garimpo e com a poluição dos rios e do meio ambiente. Por isso, o Conselho Indígena de Roraima, em parceria com outras instituições, está trazendo água potável para este local, pois os moradores não podem mais utilizar a água dos igarapés. Realizamos a instalação do sistema de água para atender às necessidades e contribuir com a saúde da comunidade”, destacou o Tuxaua Geral do CIR, Amarildo Macuxi.

No caso da Comunidade Indígena Urucá, o novo sistema surge em um contexto marcado pelos impactos do garimpo ilegal e pela poluição dos recursos naturais, além da necessidade de encontrar alternativas para garantir às famílias o acesso a um bem fundamental a água.
A iniciativa, realizada por meio do Departamento de Gestão Territorial, Ambiental e de Mudanças Climáticas (DGTAMC) do CIR, em parceria com a Agência Católica para o Desenvolvimento Ultramarino (CAFOD), tem possibilitado a implantação de sistemas de abastecimento de água potável, ampliando o acesso das comunidades a esse recurso, fortalecendo a proteção dos territórios indígenas e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida das famílias.
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