Momento histórico fortalece a luta e o protagonismo da juventude indígena, que resiste em defesa da vida e do território sagrado.
Com o tema “De luto e em luta, nós resistiremos! Salvando vidas e protegendo o território”, a programação da XI Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima iniciou na manhã desta segunda-feira (21), na Comunidade Indígena Camará, região Baixo Cotingo, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, com cantos, danças tradicionais e apresentações das delegações.
Organizada pelo Departamento da Juventude Indígena Gabriel Ferreira, do Conselho Indígena de Roraima (CIR), a assembleia é um espaço de formação, diálogo, troca de experiências e articulação entre jovens, lideranças e organizações indígenas.
O encontro reúne jovens de diferentes povos e representantes das 11 etnorregiões do Estado, que participam de debates sobre a realidade da juventude indígena, com informes regionais, apresentação de projetos desenvolvidos nas bases e discussão sobre os avanços do Departamento da Juventude Indígena.
Ao longo dos cinco dias de programação, os participantes irão fortalecer o espírito e o protagonismo da juventude indígena, que segue resistente mesmo diante dos desafios e das perdas recentes de jovens lideranças.
Durante as falas de boas-vindas, o vice-tuxaua geral do CIR, Paulo Ricardo, trouxe uma mensagem de reflexão aos presentes, destacando que, apesar das dificuldades, dos desafios e das perdas, os jovens devem continuar seguindo seus sonhos.
“Essa assembleia é um marco na história da juventude indígena de Roraima e tem um objetivo muito claro: é um momento de fortalecimento do nosso espírito e da nossa liderança. É um momento de diálogo, para compartilhar sobre os desafios pessoais que vocês, jovens, estão passando enquanto lideranças jovens. Eu vim aqui para me fortalecer junto com vocês. A gente não pode desistir das nossas vidas e nem dos nossos sonhos. Mesmo que, em alguns momentos, tenhamos desafios, desistir não é uma opção, porque não foi isso que as minhas lideranças ensinaram. Trago essa reflexão: devemos aproveitar cada momento, cada segundo, e não desistir da vida jamais”, concluiu o vice-tuxaua geral do CIR, Paulo Ricardo.
Alcebias Sapará, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) pela região da Amazônia e um dos pioneiros do movimento em prol da juventude, destacou que os jovens devem se manter firmes, seguindo a luta das lideranças tradicionais, sem deixar a alegria da juventude de lado, apesar de enfrentarem o luto.
“A essência da juventude é a alegria. Somos referência de luta e de resistência, mas senti falta dos cantos e das danças. A nossa assembleia é alegre, viva, e isso está em vocês. Embora estejamos enfrentando o luto, nós precisamos estar alegres e vamos fortalecendo a nossa assembleia até o final, juntos”, refletiu Sapará.
“Agradeço as lideranças tradicionais que estão aqui presente apoiando a juventude, precisamos do apoio de vocês, vocês nos fortalecem enquanto juventude, obrigada aos nossos parceiros e apoiadores que também estão aqui. Essa assembleia significa muito para nós e representa o que estamos passando, de luto e em luta, nós resistiremos e seguimos resistindo, salvando vidas e protegendo territórios”, disse Raquel.
A chave da Comunidade Camará foi entregue simbolicamente a Raquel Wapichana, coordenadora do Departamento da Juventude Indígena Gabriel Ferreira, que conduziu o rito de abertura oficial da XI Assembleia Estadual da Juventude Indígena de Roraima e deu as boas-vindas a todos os presentes.
Participaram da abertura a coordenação executiva do CIR, representada pelo vice-tuxaua Paulo Justino; o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Alcebias Sapará; representantes da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) e da Associação dos Povos Indígenas da Terra São Marcos (APITSM); os convidados Natália Mapuá e Victor Pataxó; e os apoiadores Ícaro Lavoisier, especialista em assuntos indígenas do UNICEF, e Raoní Beltrão, oficial nacional para Transição Justa da Organização Internacional do Trabalho (OIT), além de estudantes e moradores da comunidade.
A assembleia segue até o dia 25 de setembro, com debates, apresentações, oficinas e atividades voltadas ao fortalecimento da juventude indígena de Roraima. Entre os temas estão: fortalecimento da economia e sustentabilidade indígena; organizações indígenas e parceiros; plano institucional para defesa e proteção dos jovens indígenas dentro dos territórios; compartilhamento de experiências e ferramentas de luta em diferentes espaços; organização social e política climática; direitos indígenas; gravidez precoce na adolescência; violência contra crianças, adolescentes, jovens e mulheres; e gerenciamento e construção de projetos, entre outros temas.
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