Da esquerda para a direita, as deputadas federais Célia Xakriabá (PSOL-MG) e Sonia Guajajara (PSOL-SP) – Pedro Ladeira/Folhapress
- Sônia Guajajara e Célia Xakriabá afirmam que membros de povos originários no Amapá não conseguiram votar por falta de intérprete
- Cidades com população tradicional expressiva tiveram percentual de ausência maior que média nacional
As deputadas federais Sonia Guajajara (PSOL-SP) e Célia Xakriabá (PSOL-MG) enviaram nesta sexta (9) um ofício ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cobrando medidas urgentes para garantir o voto de pessoas indígenas no segundo turno das eleições.
Segundo as parlamentares, lideranças de povos originários de Minas Gerais, Mato Grosso, Amapá, Pernambuco e Amazonas afirmam que o transporte disponibilizado foi insuficiente e inadequado.
De acordo com o ofício, em Lábrea (AM), quase 7.000 pessoas não teriam comparecido às urnas por falta de transporte. Os dados da apuração confirmam 6.888 abstenções no município, o equivalente a 23,47% dos 29.351 eleitores aptos.
De acordo com o documento, outros municípios com expressiva população indígena, como São Gabriel da Cachoeira (AM) e Jacareacanga (PA), tiveram taxas de abstenção de aproximadamente 25,7%, superior à média nacional de não comparecimento, que foi 21,6%. No Amazonas, o percentual foi de 20,1%, e no Pará, 19,1%.
As deputadas também citam relatos de indígenas dos povos Tiriyó e Kaxuyana, no Amapá, que teriam sido impedidos de votar por não compreenderem as orientações dos mesários, visto que não dominam o português e falam em suas línguas maternas. Eles disseram ter sido informados que o TSE não autorizava o uso de intérpretes no local da votação.
Mulheres indígenas também afirmaram às parlamentares terem sido impedidas de votar por estarem acompanhadas de seus filhos.
O ofício pede que seja disponibilizado transporte adequado a eleitores de comunidades tradicionais, bem como intérprete linguístico e cultural, além da garantia de que pessoas acompanhadas de filhos menores não sejam barradas da votação.
Procurado pela coluna, o TSE não respondeu até a publicação desta reportagem.
com DIEGO ALEJANDRO, JULLIA GOUVEIA e KARINA MATIAS
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