A Presidenta da Funai, Lucia Alberta Baré, em audiência pública na Câmara Municipal de Vereadores, reforçou sobre avanços em proteção social, segurança alimentar e geração de renda.

Foto: Mayra Wapichana

Durante agenda em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, nos dias 29, 30 e 31 de outubro, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) se reuniu com lideranças e organizações indígenas, participou de visitas institucionais e de audiência pública na Câmara Municipal, onde apresentou os avanços da autarquia indigenista para os povos indígenas, em especial na Terra Indígena (TI) Yanomami.

A presidenta da Funai Lucia Alberta Baré, acompanhada de sua comitiva técnica, no primeiro dia de agenda (29), esteve reunida com os povos Hupda e Yuhupde no acampamento Parawari, onde ouviu as principais demandas da comunidade, e ainda se reuniu com a diretoria e lideranças da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn). No segundo dia de agenda (30), visitou os órgãos públicos: Casa de Saúde Indígena (Casai); Casa de Trânsito do povo Yanomami, onde tem uma estrutura de apoio e alojamento voltada especificamente para os indígenas da TI Yanomami; e a 2ª Brigada de Infantaria de Selva e ao Comando de Fronteira Rio Negro/5º Batalhão de Infantaria de Selva (5º BIS).

Ainda na sexta-feira (30), participou de uma audiência pública na Câmara Municipal de São Gabriel da Cachoeira, organizada pela Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal, com a participação de lideranças indígenas, autoridades locais e federais para discutir assuntos de interesse dos povos indígenas da região. Na ocasião, a presidenta Lucia Alberta Baré reforçou sobre avanços em proteção social, segurança alimentar, geração de renda e proteção territorial, em especial para na TI Yanomami.

“A Terra Indígena Yanomami foi homologada em 1992, no momento em que o Brasil lutava para avançar na defesa do meio ambiente. É uma terra indígena muito grande, com diversas associações Yanomami e Ye’kwana, com as quais nós dialogamos diretamente. A atuação da Funai na TI Yanomami inclui ações de proteção social, promoção da renda, segurança alimentar e na proteção territorial, que envolve ações de diversos órgãos. Vale lembrar que no início da gestão deste governo a realidade desse território era grave, e hoje é visível os avanços e que a realidade dos povos Yanomami e Ye’kwana é outra, eles agora têm mais dignidade e autonomia”, afirmou a presidenta.

Além das agendas do dia 29 e 30, a comitiva da Funai realizou neste sábado (31) uma reunião com os servidores na Coordenação Regional Rio Negro (CR-RNG). 

Também participou das agendas a senadora Damares Alves, presidente da Subcomissão Permanente dos Povos Indígenas Yanomami, vinculada à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado Federal.

Na comitiva da Funai estavam presentes a diretora de Gestão Ambiental e Territorial, Jovana Leal; a diretora de Direitos Humanos e Políticas Sociais, Leia Wapichana; a coordenadora-Geral de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato, Tatiana de Almeida Botelho; a coordenadora Regional do Rio Negro, Dadá Baniwá;  a Coordenadora da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kuana (CFPE-YY), Elayne Rodrigues Maciel; a representante da Força Tarefa Yanomami e Ye’kuana, Sandra Patrícia Zonotto, e ainda Fernanda Crispim, servidora técnica da Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kuana.

Audiência Pública

Durante a audiência, a Presidenta Lucia Alberta Baré apresentou um balanço das ações desenvolvidas na Terra Indígena Yanomami, com destaque para iniciativas de proteção social, distribuição de alimentos, fortalecimento da produção indígena, geração de renda e proteção territorial. Os dados demonstram a atuação da instituição em parceria com órgãos públicos, organizações indígenas e instituições, tanto em Roraima quanto no Amazonas.   

Entre 2024 e 2026, foram registrados 5.901 atendimentos relacionados à proteção social em toda a Terra Indígena Yanomami. Desse total, 4.247 ocorreram em regiões localizadas no Amazonas. Os principais serviços estão relacionados ao acesso à Previdência Social e à documentação civil, que representam 69,04% dos atendimentos registrados. Foram contabilizados 1.568 encaminhamentos para benefícios previdenciários e 1.364 encaminhamentos para emissão de documentos. A Funai também desenvolve ações de formação de Agentes Indígenas de Proteção Social e acompanha processos relacionados à proteção de crianças e adolescentes e à garantia do direito à convivência familiar e comunitária.

Outra iniciativa é a formação de Agentes Indígenas de Proteção Social, realizada em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e a Universidade Federal de Roraima (UFRR). O projeto reúne 28 cursistas, dos quais 11 estão em regiões do Amazonas. A formação começou em 2025 e tem previsão de conclusão em dezembro de 2026.

A Terra Indígena Yanomami possui aproximadamente 96,6 mil quilômetros quadrados, abrangendo oito municípios, 438 aldeias e 37 regiões. Segundo os dados apresentados pela Funai, o território abriga cerca de 34 mil indígenas e oito línguas.

Segurança alimentar e atividades produtivas

Outra frente de trabalho da Funai no território é a distribuição de cestas de alimentos. Conforme o painel de logística humanitária, atualizado em 22 de outubro de 2026, foram entregues 210.577 cestas de alimentos na Terra Indígena Yanomami entre 2023 e 2026. No Amazonas, o total chega a 34.218 cestas entregues em 13 regiões, com 738 entregas registradas. A distribuição integra ações de segurança alimentar desenvolvidas em parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS) e a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

O balanço também destacou investimentos de R$1,05 milhão destinados à agricultura indígena e à segurança alimentar. A Funai atua no fortalecimento da produção animal e vegetal, buscando ampliar a autonomia alimentar das comunidades. Entre as iniciativas estão a entrega de 260 aves, a instalação de 18 galinheiros, três meliponários e a distribuição de 20 colônias de abelhas. Também foram implantadas dez áreas produtivas, sete viveiros de mudas e três roçados agroflorestais.

No Amazonas, o Projeto Koyeriwë desenvolve ações de formação e apoio à produção agrícola e à criação de animais. A iniciativa alcança seis regiões, com 356 alunos em formação. O projeto também contabiliza a distribuição de 41 materiais para plantio, 281 materiais de trabalho e a entrega de 400 aves.

Na área de aquisição de alimentos, o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) registra a compra de 11 toneladas da produção Yanomami e a doação de 38 toneladas para as Casas de Saúde Indígena de Roraima e do Amazonas. A iniciativa beneficia 121 agricultores indígenas, sendo 66 de Maturacá e Ariabú, no Amazonas, e 55 da região do Alto e Baixo Mucajaí, em Roraima.

Outra iniciativa é o fomento rural, que prevê orientação técnica e apoio financeiro a projetos produtivos familiares. A ação tem previsão de beneficiar 2,2 mil famílias, com investimento total de R$10,12 milhões destinados às famílias e aos serviços de assistência técnica e extensão rural.

Ecoturismo e geração de renda

A promoção da autonomia econômica das comunidades também integra as ações da Funai. Um dos destaques é o projeto Yaripo, de turismo de base comunitária no Pico da Neblina, desenvolvido com participação das organizações indígenas e instituições parceiras. O projeto prevê a participação direta das comunidades Yanomami na organização das atividades turísticas, na prestação de serviços e na geração de renda.

Entre 2022 e 2026, foram realizadas 26 expedições turísticas e técnicas. Somente em 2025, foram 11 expedições, com 53 turistas atendidos e 80 indígenas remunerados, incluindo 18 mulheres.

De acordo com estimativa de acompanhamento do Instituto Socioambiental (ISA), as atividades movimentaram R$ 989,5 mil em receita bruta em 2025. Desse valor, R$ 242 mil corresponderam a pagamentos diretos à equipe Yanomami e R$ 54,4 mil foram destinados ao benefício coletivo.

A Funai também acompanha a atualização do Plano de Visitação do projeto, em parceria com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o ISA, a Associação Yanomami do Rio Cauaburis e Afluentes (Ayrca) e a Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma (Amy).

Valorização dos conhecimentos tradicionais

As iniciativas de geração de renda incluem o fortalecimento do artesanato produzido pelas mulheres Yanomami. Em 2025, a Associação das Mulheres Yanomami Kumirayoma recebeu 220 quilos de miçangas para apoiar a produção artesanal. A iniciativa beneficiou diretamente 60 artesãs. Segundo estimativa do ISA, as vendas de cestarias da associação movimentaram R$ 23,1 mil.

Também estão previstas novas oficinas de etnoturismo, plantas medicinais e cogumelos comestíveis, além de projetos voltados à valorização dos conhecimentos tradicionais e ao fortalecimento da autonomia econômica das mulheres indígenas.

Proteção territorial e presença institucional

Na área de proteção territorial, a Frente de Proteção Etnoambiental Yanomami e Ye’kwana, juntamente com diversos órgãos federais, realizou missões de monitoramento para apurar denúncias de invasão e participou de diversas outras ações de combate ao garimpo e entre outros de combate ao crime organizado no território.

“Esse balanço evidencia a diversidade de ações desenvolvidas na Terra Indígena Yanomami, envolvendo desde o atendimento a direitos básicos até iniciativas de proteção territorial, produção sustentável e geração de renda. As atividades são realizadas em articulação com órgãos federais, instituições de ensino e pesquisa e ainda organizações indígenas, com o objetivo de ampliar o acesso a políticas públicas, fortalecer a autonomia das comunidades e contribuir para a proteção dos povos e de seus territórios”, ressaltou a presidenta Lucia Alberta Baré.

Coordenação de Comunicação Social/Funai.

Fonte: https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2026/durante-agenda-institucional-funai-se-reune-com-liderancas-indigenas-e-em-audiencia-publica-destaca-avancos-na-terra-indigena-yanomami