Caciques e lideranças de 20 aldeias da região participaram do encontro (Foto: Jaciara Kaxuyana)

Assembleia reuniu representantes de 20 aldeias da Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana e fortaleceu a participação de mulheres, jovens e crianças nos debates sobre o futuro do território

Texto: Angélica Queiroz

A Associação Indígena Kaxuyana, Tunayana e Kahyana (AIKATUK) realizou sua XIV assembleia geral, entre os dias 28 e 30 de julho de 2026, na Aldeia Kaspakuru, às margens do Médio Rio Trombetas, na Terra Indígena Kaxuyana-Tunayana.

O encontro, retomado após dois anos, reuniu lideranças, caciques e comunidades indígenas de 20 das 22 aldeias do Território Indígena Kaxuyana-Tunayana, nos rios Trombetas, Cachorro e Turuni. No ano passado, a associação não se reuniu em assembleia porque concentrou sua atuação na demarcação física do território, reconhecido e homologado oficialmente durante a COP 30.

As delegações das aldeias e dos parceiros convidados foram recebidas com alegria pelo cacique Simão Kahyana, anfitrião da Aldeia Kaspakuru. “É muito bom receber toda a comunidade aqui, passamos dias preparando tudo para recebê-los”, comentou a liderança.

Prestação de contas

A abertura da programação foi dedicada à prestação de contas da gestão da AIKATUK nos últimos dois anos. Durante a apresentação, a diretoria compartilhou com as comunidades os resultados dos projetos executados e em andamento, os relatórios financeiros e de auditoria e um balanço da atuação da associação em espaços de incidência política, feiras de artesanato indígena, encontros e oficinas promovidos no território.

A assembleia também destacou os apoios recebidos e os investimentos destinados às aldeias, incluindo a estruturação de novas comunidades, o fortalecimento das casas de farinha, o apoio aos postos de vigilância e às ações de monitoramento territorial, entre outras iniciativas voltadas ao fortalecimento da gestão, da proteção e do desenvolvimento do Território Indígena Kaxuyana-Tunayana.

“Essa assembleia é um momento importante para fortalecer nossas comunidades e nossa associação. Esperamos que a comunidade entenda o trabalho que a associação vem desenvolvendo, porque ele é coletivo, não individual, e todos precisam fazer a sua parte e colaborar”, ressaltou o vice-presidente da AIKATUK, Juventino Pesirima Kaxuyana.

Assembleia se reuniu entre os dias 28 e 30 de julho de 2026 (Foto: Jucelino Oliveira – Iepé)

Também foram debatidos temas relacionados à situação atual da TerraIndígena Kaxuyana-Tunayana e aos próximos passos após sua homologação.

Para a presidenta da AIKATUK, Ana Kahyana, as transformações que melhoram a qualidade de vida das comunidades dependem da união entre os diferentes povos que habitam o território. “Precisamos nos manter fortalecidos e nos apropriar desses elementos que fortalecem nossa existência e nossa cultura, mantendo vivos nossos modos de vida e utilizando essas ferramentas não indígenas para dar cada vez mais visibilidade à nossa luta”, afirmou.

Ana Kahyana também destacou a importância de ampliar a presença e a incidência política dos povos indígenas para além do território. “Que a gente consiga se comunicar e levar nossas vozes cada vez mais para fora do território, engajados nesse processo permanente de luta pela garantia dos nossos direitos, pela proteção dos nossos territórios e também dos parentes isolados”, completou.

Encontro de mulheres elege coordenação da AMIYA

O último dia foi dedicado a um um encontro com as mulheres yanas para apresentação e discussão para eleição de uma coordenação para a Articulação das Mulheres Indígenas Yana (AMIYA), criada em 2024. “Queremos fortalecer mais esse espaço feminino nas tomadas de decisão de nossas organizações. Esperamos que elas estejam cada vez mais com voz ativa, trazendo suas demandas para fortalecer essa voz do olhar femino que complementa a luta dos povos indígenas no nosso território”, destacou Ana Kahyana.

Foram destacadas nas falas as possibilidades de atuação da organização, especialmente aquelas relacionadas à valorização do artesanato, à geração de renda e ao fortalecimento da participação das mulheres indígenas. 

Encontro contou com ampla participação de mulheres, crianças e jovens (Foto: Jaciara Kaxuyana)

A logística para participar de um encontro como esse é especialmente desafiadora para as mulheres, o que costuma limitar a presença delas nas assembleias. Ainda assim, nesta edição, a participação feminina foi expressiva, assim como a de crianças e jovens, que acompanharam especialmente as atividades voltadas à formação política e ao fortalecimento dos seus direitos.

Segundo a assessora de projetos da AIKATUK, Marly Wara Kaxuyana, ampliar a participação desses públicos tem sido uma prioridade da associação. “Estamos trabalhando muito na inclusão de mulheres e jovens nas atividades para que eles se apropriem de seus direitos e sejam propagadores desses conhecimentos para as futuras gerações e lutem pelos seus direitos lá fora. A presença dessas pessoas aqui nessa aldeia, que é a primeira de retomada dessa calha de rio, é muito simbólica”, destacou.

A assembleia terminou com a realização de um processo de escolha da coordenação da AMIYA, ficando definida uma composição com representação dos rios Cachorro e Trombetas. Maria José Kaxuyana  e Analice Kaxuyana foram eleitas coordenadoras; Dinaelma Kaxuyana e Emeri Tunayana, vice-coordenadoras; Zileide Kaxuyana e Dalva Wapuri Wai Wai, secretárias; e Sikune Kaxuyana  e Evodia Kususi Tunayana, vice-secretárias.

Chapa eleita para a diretoria da AMIYA tem representação dos rios Cachorro e Trombetas (Foto: Jucelino Oliveira – Iepé)

A assembleia da AIKATUK e o encontro de mulheres foram apoiadas pelo Iepé, em parceria com a Nia Tero e Bezos Earth Fund, e pela AIKATUK, em parceria com o Floresta+, Rainforest Foundation, Fundo Podáali, Coordenadoria Ecumênica de Serviço (CESE) e Funai.

Fonte: https://institutoiepe.org.br/2026/08/aikatuk-presta-contas-da-gestao-e-oficializa-diretoria-da-sua-articulacao-de-mulheres-indigenas/