Foto: Alberto Veiga/Funai
Ação visa garantir a proteção territorial e a segurança dos indígenas em áreas estratégicas
A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), por meio da Frente de Proteção Etnoambiental Envira (FPE Envira), realizou, nos dias 17 e 18 de setembro, mais uma série de sobrevoos em regiões estratégicas da Amazônia. Por meio do monitoramento regular, custeado pela própria Funai, busca-se identificar indícios da presença de grupos isolados, compreender a dinâmica de ocupação espacial e acompanhar eventuais mudanças no uso do território.
As informações obtidas vão contribuir para o planejamento de ações etnoambiental, e para a prevenção de ameaças que possam comprometer a integridade física, etnoambiental e sociocultural desses povos. Tais como, garimpos ilegais, extração irregular de madeira e de outros recursos naturais, além de invasões ao território.
Durante os sobrevoos, puderam ser observados vestígios que auxiliam na caracterização da ocupação, como malocas, trilhas, roçados e cultivos tradicionais. Esses elementos permitem ampliar o conhecimento sobre os modos de vida dos grupos isolados, sua distribuição no território e aspectos de sua organização social.
“Por meio do monitoramento aéreo, pudemos atualizar informações sobre a presença e a dinâmica de ocupação de povos indígenas isolados, fortalecendo, assim, as estratégias de proteção e reafirmando o compromisso do Estado brasileiro com a garantia dos direitos desses povos. E, principalmente, com o respeito à sua decisão de permanecerem em isolamento”, afirma o coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, Wagner Gallo.
Além do monitoramento aéreo, o acompanhamento de Povos Isolados se dá por meio terrestre e com auxílio de imagens de satélite. Também são realizadas ações de sensibilização e diálogo junto às comunidades indígenas do entorno das áreas monitoradas, fortalecendo estratégias de proteção compartilhadas e contribuindo para a prevenção de riscos a essa população.
Os registros fotográficos e audiovisuais produzidos durante os sobrevoos são organizados e sistematizados, para subsidiar análises técnicas, fortalecer o planejamento das ações de proteção e, também, ampliar a divulgação qualificada do trabalho realizado pela Funai na proteção dos Povos Indígenas Isolados.
Sobre as áreas sobrevoadas
Atualmente, a Frente de Proteção Etnoambiental Envira (FPE Envira) acompanha oito registros de Povos Indígenas isolados, sendo seis Referências Confirmadas de Povos Isolados e duas Referências em Estudos. A classificação se dá conforme o grau de conhecimento disponível sobre sua existência e ocupação territorial, atestado por meio de trabalhos de campo realizados pelas equipes especializadas das Frentes de Proteção Etnoambiental (FPEs), com apoio da Coordenação-Geral de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (CGiirc) da Diretoria de Proteção Territorial (DPT) da Funai.
A confirmação ocorre quando são reunidas evidências técnicas suficientes para atestar a presença desses grupos e identificar sua área de ocupação. Já as Informações e/ou Referências em Estudos, correspondem aos Registros que permanecem em processos de Qualificações e/ou Localizações, respectivamente.
Os registros de Povos Indígenas Isolados são organizados em três categorias principais:
Informação em Qualificação: Todo e qualquer relato ou notícia prestada à CGIIRC sobre a possível existência de indígena ou grupo indígena isolado numa determinada região do território nacional é analisada. Essas informações são dados preliminares sobre a presença de indígenas isolados, mas já compõem o banco de dados oficial.
Referência em Estudo: Conjunto de dados sobre indígena ou grupo indígena isolado devidamente qualificado pela CGIIRC. Por conjunto de dados compreende-se um acervo informacional, cujos dados apontam a presença de indígenas isolados em determinada região e tempo.
Referência Confirmada: Trata-se de uma referência de povos ou fragmentos de povos indígenas isolados, cuja ocupação foi confirmada. É considerada confirmada quando o trabalho de campo de equipe especializada da CGIIRC/CFPEs comprova a existência de índio ou grupo indígena isolado e de sua localização geográfica.
Essa classificação permite direcionar de forma mais eficiente as ações de monitoramento, vigilância e proteção territorial desenvolvidas pela Funai. Em razão da necessidade de resguardar a segurança e a autonomia dos Povos Indígenas Isolados, não são divulgadas informações detalhadas sobre a localização específica de aldeias, ocupações ou áreas sensíveis associadas a esses grupos.
“Os territórios ocupados por grupos isolados estão entre as áreas mais bem preservadas do País”, diz o coordenador da Frente de Proteção Etnoambiental Envira, Wagner Gallo. “Eles
desempenham papel fundamental na conservação de florestas, da biodiversidade, dos recursos hídricos e dos serviços ecossistêmicos essenciais à nossa sociedade. Por isso, proteger essas áreas contribui para a manutenção da qualidade da água, do solo e do ar, para a preservação da fauna e da flora e para o enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas”, acrescenta o servidor.
Coordenação de Comunicação Social/Funai.
Fonte: https://www.gov.br/funai/pt-br/assuntos/noticias/2026/funai-realiza-monitoramento-de-povos-isolados
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