Abertura da 16ª reunião do Grupo de Trabalho Facilitador da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas. Foto: Helena Corezomaé/OPAN

Membro do Fórum Global de Comunidades Locais destaca efeitos da colonização para os povos e a complementaridade entre suas lutas

Por Helena Corezomaé/OPAN

Teve início nesta terça-feira, 3 de novembro, e segue até o dia 5 de novembro, a 16ª Reunião do Grupo de Trabalho Facilitador (FWG) da Plataforma de Comunidades Locais e Povos Indígenas (LCIPP) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC), em Antalya, na Turquia. No primeiro dia do encontro, o filipino Rodne Rodiño Galicha, presidente da organização social Bayay Sibuyanon Inc. na ilha de Sibuyan, nas Filipinas, e membro do Fórum Global de Comunidades Locais, fez um discurso marcado pela humildade e por um forte apelo à solidariedade global frente à crise climática. Ele enfatizou a necessidade urgente de reparar laços históricos com os povos indígenas, assegurando que o reconhecimento do papel das comunidades locais jamais deve diminuir ou ameaçar os direitos originários.

Durante a sua intervenção, Galicha dirigiu-se diretamente aos representantes indígenas presentes na plenária, reconhecendo as desconfianças históricas causadas por processos de colonização, usurpação de terras e apropriação indevida de conhecimentos ancestrais. O líder ressaltou a urgência de encarar esses danos com transparência: “Não somos simplesmente grupos vulneráveis ou beneficiários. Somos detentores de conhecimentos, praticantes, guardiões e agentes da ação climática. Onde não soubemos escutar, devemos escutar. Onde as relações foram prejudicadas, vamos repará-las. Onde a confiança foi quebrada, vamos reconstruí-la”, declarou Galicha.

Reforçando que a atuação das comunidades locais não procura a competição, mas sim a complementaridade, Galicha destacou que a luta por representação não colide com as garantias indígenas: “O reconhecimento das comunidades locais nunca deve diminuir os direitos dos povos indígenas, suas reivindicações territoriais, sua autodeterminação, suas instituições, seus sistemas de conhecimento ou sua representação. Os povos indígenas e as comunidades locais são distintos, mas distinção não exige distância. Podemos respeitar os limites e ainda construir pontes”. Ao conectar tradições de diversas regiões do mundo e evocar o conceito de Kaguyangan, como os anciãos de Sibuyan chamam a floresta, o representante lembrou que a sabedoria climática tradicional não nasce em salas de conferência internacionais, mas sim nas relações diretas com a terra, os rios, os mares e as gerações passadas e futuras.

A sessão de abertura do encontro em Antalya contou ainda com importantes saudações operacionais da UNFCCC. Youssef Nassef, diretor da Divisão de Adaptação, destacou o papel estratégico da plataforma e desejou que a harmonia e o diálogo desse encontro sirvam de inspiração para todos os outros fóruns de negociação climática.

Representando os povos indígenas da América do Norte, Mary Lyons iniciou a sua fala evocando a presença e a força dos ancestrais, conclamando os participantes a manterem a honestidade e o cuidado com a Mãe Terra: “Lembre cada um que não estão sozinhos, tem seus ancestrais em volta para dar forças nesses momentos difíceis, não se deixe afetar pelas ações negativas dos outros, guarde todos com bem estar. Meu avô me lembraria da importância da vida, que tem todo cuidado da mãe terra … Seja luz neste espaço que está tentando te deixar cego, seja honesto com os outros”.

Os trabalhos ao longo dos três dias englobam os assuntos operacionais e o plano de ação da plataforma, contemplando declarações de abertura, a implementação das atividades do plano de trabalho, abordagens coletivas e o planejamento estratégico anual. A reunião antecede a realização da COP 31, que terá início na próxima semana.

Fonte: https://amazonianativa.org.br/2026/11/03/discurso-sobre-a-uniao-entre-as-populacoes-marca-abertura-da-16a-reuniao-do-fwg-da-plataforma-de-comunidades-locais-e-povos-indigenas-da-convencao-do-clima/