Malocas de índios isolados indígenas isolados Moxihatëtëma, no território Yanomami — Foto: Guilherme Gnipper/Hutukara

Em Genebra, durante a 63ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos, Selcilius Riwi Nuga alertou para o avanço de garimpeiros, madeireiros e ameaças a servidores da Funai

Por Assessoria de Comunicação – Cimi

Durante a 63ª Sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, realizada em Genebra, na Suíça, nesta quinta-feira (24), o missionário Selcilius Riwi Nuga participou do Diálogo interativo com o Mecanismo de Peritos sobre os Direitos dos Povos Indígenas (EMRIP, na sigla em inglês). Em sua fala, ele denunciou a situação crítica enfrentada pelos Povos Indígenas em Situação de Isolamento e Contato Inicial (Piaci, na sigla em espanhol) e cobrou ação urgente do Conselho diante do que classificou como descumprimento das obrigações internacionais do Estado brasileiro.

Riwi Nuga representou o Conselho Indigenista Missionário (Cimi), instituição na qual integra a Equipe de Apoio aos Povos Isolados (EAPIL), e relatou que, durante visita ao país, a EMRIP constatou os enormes desafios para a proteção desses povos no Território Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, e em outras regiões. Ele destacou duas situações consideradas mais graves.

No Pará, o Território Indígena Ituna-Itatá, recentemente submetido a desintrusão por decisão do Supremo Tribunal Federal, sofreu uma nova invasão em larga escala, com mais de 500 pessoas e maquinário pesado, acompanhada de aumento significativo de incêndios. Servidores da FUNAI também estariam sendo ameaçados.

Riwi Nuga afirmou que o Brasil não está cumprindo suas obrigações internacionais de direitos humanos previstas na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP)

No Amazonas, destacou o missionário, povos em isolamento voluntário cuja presença ainda não foi oficialmente reconhecida pelo Estado estão ameaçados pela exploração madeireira e de gás, pela abertura de estradas e pela perfuração de poços. Em 2024, a Funai confirmou a alta probabilidade da presença desses povos, mas nenhuma medida efetiva teria sido adotada para protegê-los.

Diante do cenário, Riwi Nuga afirmou que o Brasil não está cumprindo suas obrigações internacionais de direitos humanos previstas na Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP) e instou o Conselho a adotar medidas preventivas urgentes para evitar crimes atrozes e danos irreversíveis.

Leia a fala na íntegra:

Senhor Presidente,

durante sua visita ao Brasil, a EMRIP pôde constatar os enormes desafios enfrentados pela proteção dos povos indígenas em isolamento voluntário no Território Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia, e em outras regiões do país. Gostaríamos de chamar a atenção do Conselho para duas situações críticas.

No Pará, o Território Indígena Ituna-Itatá, recentemente sujeito à desintrusão por decisão do Supremo Tribunal Federal, sofreu uma nova invasão em larga escala envolvendo mais de 500 pessoas e maquinário pesado, acompanhada de um aumento significativo de incêndios. Agentes da FUNAI também estão sendo ameaçados. A cada dia, a situação desses povos se torna mais crítica.

No estado do Amazonas, os povos indígenas em isolamento voluntário, cuja presença ainda não foi oficialmente reconhecida pelo Estado, estão ameaçados pela exploração madeireira e de gás, bem como pela abertura de estradas e perfuração de poços. Em 2024, a FUNAI confirmou a alta probabilidade de sua presença, porém nenhuma medida efetiva foi tomada para protegê-los.

O Brasil não está cumprindo suas obrigações internacionais de direitos humanos sob a Declaração das Nações Unidas sobre os Direitos dos Povos Indígenas (UNDRIP). Instamos o Conselho a tomar medidas preventivas urgentes para lidar com os riscos de crimes atrozes em ambas as situações e a proteger os povos indígenas em isolamento voluntário de uma escalada da violência e de danos irreversíveis. Obrigado.

Fonte: https://cimi.org.br/2026/09/piaci-isolados-onu-emrip/