Padre Odilo Erhardt. Foto: divulgação
Seu legado está presente nas comunidades que acompanhou, nas pessoas que acolheu e nas experiências de solidariedade que ajudou a construir
O Conselho Indigenista Missionário (Cimi) manifesta seu pesar pela morte de padre Odilo Erhardt, mas também agradece a Deus pelo dom de sua vida, marcada pela fé, pela simplicidade, pela generosidade e pela dedicação à defesa da vida, especialmente dos povos indígenas.
Padre Odilo foi um companheiro de missão, profundamente comprometido com as comunidades indígenas e querido por tantas pessoas que partilharam com ele a experiência de servir. Sua história expressa uma vocação vivida com simplicidade e coerência, na qual a fé se traduzia em serviço, solidariedade e cuidado com as pessoas.
Nascido em São Joaquim (SC), em 29 de novembro de 1933, padre Odilo construiu uma longa trajetória missionária em diferentes regiões do Brasil. Sacerdote dehoniano, da Congregação dos Sacerdotes do Sagrado Coração de Jesus (SCJ), dedicou-se ao trabalho pastoral e indigenista, colocando sua vocação a serviço dos povos e comunidades que historicamente tiveram seus direitos negados.
Sua atuação teve especial significado no Maranhão, onde se tornou uma figura histórica para a Igreja e as comunidades locais. Em 1º de janeiro de 1969, data da ereção canônica da Paróquia Santa Inês, no município de Santa Inês, pertencente à Diocese de Viana, assumiu a missão de primeiro pároco. Naquele contexto, contribuiu para a organização da vida pastoral e comunitária, marcando a história da presença da Igreja na região.
Em determinado momento, deixou a congregação religiosa para continuar sua missão como padre secular. Foi incardinado na Diocese de Goiás por dom Tomás Balduíno, embora permanecesse trabalhando no Maranhão. Sua decisão expressava a firmeza de uma vocação que ultrapassava as estruturas institucionais: o essencial era dar continuidade à missão junto aos povos e comunidades com os quais havia construído relações de confiança e solidariedade.
Em 1983, padre Odilo substituiu Antônio Brand em Dourados (MS), no âmbito do Cimi Mato Grosso do Sul, quando Brand seguiu para o Secretariado Nacional do Cimi. Essa passagem integrou sua dedicação ao trabalho indigenista e à atuação missionária junto aos povos indígenas.
Entre 1998 e 2001, quando o Cimi estabeleceu seu centro de formação em Luziânia (GO), padre Odilo contribuiu para que aquele espaço se tornasse não apenas um lugar de formação, mas também de partilha, amizade e fortalecimento da atuação indigenista. Ao lado de Idalice, ajudou a criar um ambiente de acolhida e cuidado, fundamental para a vida coletiva e para a formação de tantas pessoas comprometidas com a causa indígena.
Posteriormente, retornou ao Maranhão para continuar seu trabalho no Cimi e voltou a atuar com dom Xavier Gilles Moupeau D’Ableige, na Diocese de Viana. A relação entre ambos, construída ao longo dos anos de serviço pastoral, permaneceu para além das responsabilidades institucionais. Quando dom Xavier se aposentou, padre Odilo foi morar com ele no Leprosário do Bonfim, em São Luís, compartilhando um período de fraternidade e cuidado mútuo.
Mais tarde, seguiu para a Diocese de Humaitá (AM), onde viveu por aproximadamente cinco anos e exerceu a função de pároco da Paróquia de Santo Antônio do Matupi. Depois, retornou a Goiás e, posteriormente, a São Luís, passando a morar no Seminário Santo Antônio, novamente na companhia de dom Xavier, onde permaneceu até o fim da vida.
Sua atuação no Cimi, em Mato Grosso do Sul, Goiás, Maranhão e junto ao Secretariado Nacional integrou uma trajetória marcada tanto pela dedicação à causa indígena quanto pela capacidade de cultivar amizades duradouras. Para padre Odilo, a missão não se limitava às tarefas e aos espaços institucionais. Mesmo diante das distâncias, percorria estradas para visitar amigas e amigos, demonstrando, em gestos simples, o valor dos encontros, da escuta e da partilha da vida.
Padre Odilo faleceu no hospital, após mais de um mês de internação em razão de problemas respiratórios. Sua partida deixa saudade entre familiares, amigas e amigos, companheiros de missão e todas as pessoas que tiveram a oportunidade de conviver com ele.
Há pessoas cuja importância permanece na memória pelo modo como viveram e pelo bem que fizeram. Padre Odilo foi uma delas. Seu legado está presente nas comunidades que acompanhou, nas pessoas que acolheu e nas experiências de solidariedade que ajudou a construir. Seu testemunho revela uma espiritualidade vivida no cotidiano, com simplicidade, generosidade e atenção à vida.
Neste momento de despedida, o Cimi se solidariza com seus familiares, amigas e amigos, assim como com todas as pessoas e comunidades que partilharam sua história. E agradecemos a Deus por sua vida, por sua contribuição à missão do Cimi e pelo exemplo de fé e dedicação que nos deixa.
Sua memória nos inspira a renovar o compromisso com a defesa da vida, a dignidade dos povos indígenas, seus territórios, culturas e direitos, e a construção de uma sociedade fundamentada na justiça e no respeito à diversidade.
Que Deus o acolha em sua infinita misericórdia e que as sementes por ele plantadas continuem a florescer na defesa da causa indígena e na vida de todas as pessoas que cultivam a esperança. Que seu testemunho nos fortaleça na construção, já nesta vida, de uma sociedade em que o Bem Viver seja fundamento e horizonte para todos os povos.
Brasília, 15 de outubro de 2026.
Conselho Indigenista Missionário – Cimi
Fonte: https://cimi.org.br/2026/10/nota-pesar-odilo-erhardt/
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