O seminário marca a trajetória histórica do ensino superior indígena em Roraima.

 O evento foi realizado na comunidade indígena Canauanim, região Serra da Lua, vinte cinco anos depois da Assembleia da Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIRR), onde coletivamente as lideranças indígenas escreveram a “Carta de Canauanim”. O documento escrito em maio 2001, resultou na época na criação do Núcleo Insikiran de Formação Superior Indígena da Universidade Federal de Roraima (UFRR).

O seminário foi promovido pelas organizações indígenas CIR, OMIRR, OPIRR, APIRR e TWM, ocorreu entre os dias 25 e 26 de maio de 2026, e com a participação de lideranças, professores do Instituto Insikiran, acadêmicos indígenas (cursistas e egressos), pró-reitores da UFRR, alunos de ensino médio e comunidades indígenas em geral, que reafirmaram o protagonismo indígena na ocupação de importantes espaços.

 A coordenação executiva do Conselho Indígena de Roraima (CIR), composta por Amarildo Macuxi, Tuxaua Geral, Paulo Ricardo, Vice Tuxaua e Kelliane Wapichana, Tuxaua Geral do Movimento de Mulheres Indígenas estiverem presentes no seminário, reforçando o papel das organizações Indígenas na luta pelo pela garantia dos direitos dos povos Indígenas, entre eles o acesso à educação específica e diferenciada.

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Momentos durante o seminário. Fotos: Ascom/CIR

Kelliane Wapichana, Tuxaua Geral do Movimento de Mulheres Indígenas, egressa do Instituto Insikiran do curso Gestão Territorial Indígena, ressalta que a luta das lideranças pela criação do Instituto Insikiran não foi em vão, trazendo a lembrança dos professores que estiveram à frente na defesa do importante espaço, como Fausto Mandulão, Marcos Braga, Edmilson Cavalcante e outros que partiram, mas, deixaram um legado de referência.

“Esse momento é muito histórico pra nós povos Indígenas, estamos aqui reunidos 25 anos depois da carta de Canaunim, e quem acompanhou sabe o quanto a luta para conquistar esse espaço no ensino superior no Instituto Insikiran da UFRR foi e continua sendo difícil, porém, sou grata por cada liderança que esteve à frente dessa luta muitos não estão mais aqui, mas, deixaram esse legado de formação superior específica e diferenciada que é  o Insikiran, eu tenho orgulho de dizer que sou fruto dessa luta, assim como tantos outros que estão ocupando espaços importantes” , ressaltou Wapichana.

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Kelliane Wapichana Tuxaua Geral do Movimento de Mulheres Indígenas dos CIR ao Lado Professora Isis de Gorete. Foto: Ascom/CIR

A trajetória de consolidação da formação superior indígena foi compartilhada por professores, lideranças tradicionais e demais participantes, entre eles Isis de Gorete, coordenadora pro tempore do Instituto Insikiran, que acompanhou o processo de criação.

“O Insikiran nasce para se pensar na educação específica e diferenciada, naquele momento a principal demanda era pra formação de professores então o Curso de licenciatura Intercultural foi o primeiro a ser pensado, sendo amplamente discutido em reuniões comunitárias junto com professores e lideranças indígenas”, disse Isis.

Atualmente o Insikiran possuiu três cursos: licenciatura Intercultural, Gestão Territorial indígena e Saúde Coletiva Indígena, e desde a criação já passaram pelo instituto aproximadamente 1.856 estudantes indígenas, o que representa uma conquista e fortalecimento do Movimento Indígena de Roraima.

“O instituto é um espaço consolidado de formação superior indígena, com conquistas, mas, também desafios, é preciso ampliar o espaço para fortalecer o protagonismo indígena, temos professores indígenas efetivos no Insikiran e um dia esses professores foram alunos que passaram pelo processo de formação e hoje ocupam esses lugares”, ressaltou Isis.

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Mesa com as instituições. Foto: Ascom/CIR

O seminário promoveu reflexões, avaliações e propostas   e deliberações diante do processo histórico de formação superior indígena na UFRR, que tem formado professores e gestores territoriais e de saúde coletiva indígena.

Roberto Ramos, professor doutor e na época reitor da UFRR, esteve presente no seminário, e destacou que o Núcleo Insikiran de Formação Superior Indígena foi um resultado positivo do trabalho feito coletivamente, mesmo diante dos desafios enfrentados na época.

“Foi desafio pra universidade receber uma demanda indígena, no momento muito difícil pra instituição a gente não tinha recurso federal, não tinha vagas de professores, orçamento pra incorporação indígena, mas, mesmo, assim a universidade recebeu esse desafio e tocamos esse projeto, com reitor Fernando no primeiro momento e depois comigo até chegar na formatura da primeira turma e hoje o instituto segue dando espaço para s novas gerações de formação superior”, expressou Ramos.

Além do vestibular do Instituto Insikiran, a Universidade Federal de Roraima (UFRR) oferta vagas pelo Processo Seletivo Simplificado Indígenas nos demais cursos da instituição, formando médicos, jornalistas, advogados, engenheiros e demais profissionais indígenas.

Durante dois dias foram abordados os temas como: A carta de Canauanim e a política de formação superior indígena na UFRR: uma conquista dos povos indígenas; Avanços e desafios da política de acesso, permanência e ampliação da formação de indígenas na UFRR; Políticas públicas e Financiamento do Ensino Superior Indígena; Discussão das novas perspectivas para a política de acesso, permanência e ampliação da formação de indígenas na UFRR, os estudantes e professores puderam expor os desafios e suas demandas para se manter no ensino superior.

Entre eles se destacam o pedido pela ampliação do espaço, desburocratização do acesso aos auxílios aos estudantes, ampliação de cursos, maior vaga na Bolsa Permanência, residência estudantil e demais demandas que constarão na segunda “Carta de Canauanim”.

 Esley Barroso Tenente, professor e coordenador da Organização dos Professores Indígenas de Roraima (OPIRR), fez parte da turma de Licenciatura Intercultural ele destacou que o Instituto Insikiran é fruto do sonho coletivo.

“Hoje estamos aqui para falar de resultados e todos nós somos fruto desse sonho coletivo vinte cinco depois estamos aqui reunidos novamente, aqui estão pessoas que lutaram para conquistar esse espaço e continuam na luta em busca pela melhoria no acesso e permanência no ensino superior e precisamos seguir em frente e em memória peço uma salva de palmas por todos aqueles que não estão mais aqui entre nós, mas, que deixaram o fruto das suas lutas”, refletiu Esley.

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Organizações indígenas presentes. Foto: Ascom/CIR

Ainda durante o seminário, Amarildo Macuxi, Tuxaua Geral do CIR enfatizou as reuniões que a organização tem participado junto a UFRR, para o fortalecimento da parceria entre as instituições, destacando a visita feita ao Hospital Universitário e ainda a entrega do documento que trata do direito do voto das organizações indígenas no processo eleitoral que trata da escolha da coordenação do Instituto Insikiran.

“Quero parabenizar a inciativa das  organizações indígenas por promover esse momento histórico, e repasso o documento já entregue ao reitor que trata dos direitos dos povos indígenas no processo educacional, dizendo que o direito das organizações indígenas no processo de escolha da coordenação do Insikiran, foi tirado sem consulta previa, livre e informada e isso afeta os nossos direitos enquanto povos indígenas e peço que esse processo seja respeitado, o instituto não existiria se não fosse a luta das organizações indígenas”, afirmou Macuxi.

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Entrega da carta para pró reitora. Foto: Ascom/CIR

O seminário contou com a participação da Pró-reitora de Ensino e Graduação, Pró-reitora de Pós-graduação, Pró-reitor de Assuntos estudantis e Extensão da UFRR, Além de representantes do Ministério da Educação (MEC), Pierlangela Nascimento da Cunha, Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão(SECADI/MEC); Doutor Artur Antônio dos Santos Araújo, Coordenação Geral de Políticas Estudantis da Secretaria de Educação Superior (SESu/MEC) e Professora Drª. Maria Cristina Mesquita da Silva-Coordenação Geral de Fomento e Apoio de Programas/CAPES, que participaram do seminário ouvindo as demandas e esclarecendo as dúvidas sobre os auxílios e a permanência dos acadêmicos indígenas no ensino superior.

Fonte: https://cir.org.br/post/25-anos-do-instituto-insikiran-de-formacao-superior-indigena-organizacoes-indigenas-promovem-seminario-a-formacao-superior-indigena-na-universidade-federal-de-roraima-ufrr-avancos-desafios-e-perspectivas