Por Breno Amajunepá
Brasília (DF) – O Acampamento Terra Livre consolida-se como o principal espaço de mobilização, articulação e incidência política dos povos indígenas no Brasil. Reunindo lideranças de diferentes regiões, o ATL se constitui como um ponto anual de encontro onde são compartilhadas experiências, denúncias de violações de direitos. É um local de reivindicações e onde são construídas estratégias de defesa dos territórios. Nesse espaço, a centralidade está nas pautas relacionadas à proteção territorial, ao enfrentamento das invasões, ao combate ao garimpo e à exigência de políticas públicas efetivas.
Durante o ATL, diversas falas reforçam a ausência da atuação do Estado nos territórios e a necessidade de garantir direitos já previstos na Constituição. E diante da omissão do estado, o ATL se afirma como um espaço de resistência, onde os povos reafirmam sua autonomia e o compromisso na proteção de seus territórios.
Primeira Marcha do ATL 2026 (Foto: Alicia Lobato/ Engajamundo/2026).
A participação das juventudes indígenas também ganha destaque. Os jovens não apenas ocupam esses espaços, mas atuam ativamente nos processos de organização das regionais. A presença da juventude no ATL demonstra um movimento de continuidade das lutas históricas antes travadas pelas lideranças.
Partindo desse pressuposto, colaborei enquanto uma juventude indígena no dossiê “Juventude indígena do Engajamundo”, onde apontei como enxergamos os nossos territórios e qual os nossos maiores desafios atualmente. O dossiê surge como uma ferramenta de sistematização dessas experiências vividas pelas diferentes juventudes indígenas, registrando suas práticas, desafios e formas de atuação nos territórios.
Assim como observado nas falas durante algumas plenárias no ATL, o dossiê apresenta a relação com o território e na sua maioria evidencia ausência do Estado. E, diante disso, são os próprios jovens que assumem responsabilidades fundamentais na proteção dos territórios diante da insuficiência das políticas públicas.
Por fim, nosso papel estando no ATL é ainda obter maiores instrumentos de luta e de visibilidade enquanto jovens com diferentes vivências e recortes. O ATL torna-se um espaço de mobilização e incidência política, onde as demandas são vocalizadas e fortalecidas coletivamente. E a nossa missão é contribuir para registrar, sistematizar e dar visibilidade às experiências das juventudes nos territórios. Juntos, evidenciamos que a defesa dos territórios indígenas passa, necessariamente, pelo protagonismo das juventudes, que se colocam como sujeitos fundamentais na construção de futuros possíveis para seus povos.
Primeira Marcha do ATL 2026 (Foto: Alicia Lobato/ Engajamundo/ 2026).
O Acampamento Terra Livre começou no domingo (5 de abril) e segue até o dia 11 de abril, em Brasília. Em sua 22ª edição, traz o tema “Nosso futuro não está à venda: a resposta somos nós”. Breno Amajunepá está presente no ATL junto da delegação de jovens indígenas do Engajamundo, organização de liderança jovem e feita para jovens, que acredita na importância da atuação da juventude para enfrentar os maiores problemas ambientais e sociais do Brasil e do mundo.
A imagem que abre este artigo mostra a Primeira Marcha do ATL 2026 (Foto: Breno Amajunepá/ Engajamundo/ 2026).
A produção do artigo do jovem Breno Amajunepá, sobre a cobertura do ATL 2026, faz parte de uma parceria entre o Engajamundo e a agência Amazônia Real.
Acompanhe a série de artigos:
A Voz de Janiely Truká no ATL 2026: Luta pela Terra, Memória e Futuro
ATL 2026: enquanto a juventude indígena resistir, existirá esperança, por Ageu Puyanawa
ATL 2026: A força da comunicação da juventude Kayapó, por Bepmoroi Metuktire
O protagonismo indígena LGBTQIAPN+ no ATL 2026, por Val Munduruku
Fonte: https://amazoniareal.com.br/jovens-cidadaos/atl-2026-juventude-indigena-e-a-defesa-dos-territorios/
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