Pré-candidatos se apresentaram durante a plenária | Crédito: Rafa Stedile
Encontro lançou 26 pré-candidaturas para levar as reivindicações dos povos originais
A necessidade de disputar o espaço da política institucional passou a ser uma demanda cada vez maior dos povos indígenas no Brasil. A 22ª edição do Acampamento Terra Livre (ATL) discutiu nesta quinta-feira (9) as estratégias e as reivindicações das diferentes etnias brasileiras em impulsionar candidaturas para as eleições de 2026.
A plenária “Campanha Indígena: A resposta para transformar a política somos nós!” levantou as principais propostas das organizações indígenas para fortalecer as candidaturas na corrida eleitoral deste ano. O primeiro ponto levantado foi o acesso ao Fundo Eleitoral e a distribuição de recursos para as candidaturas indígenas.
Um passo importante para isso foi dado em fevereiro de 2024, quando o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu que a distribuição dos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral serão proporcionais ao número total de candidatos indígenas apresentados pelos partidos nas eleições. O projeto havia sido apresentado pela deputada Célia Xakriabá (Psol-MG).
A regra determina que se um partido apresentar, por exemplo, 30% de candidatos indígenas, 30% dos recursos devem ser destinados a esse grupo. Os partidos têm autonomia para decidir como distribuirão esses recursos entre seus candidatos indígenas. A medida também se aplica à distribuição do tempo destinado à propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
Essa decisão não valeu para o pleito de 2024 por ter sido anunciada a menos de 12 meses das eleições, então será uma novidade para a corrida de 2026.
Segundo as lideranças indígenas, os próprios partidos de esquerda acabam limitando as candidaturas indígenas ao alocar mais recursos para outras candidaturas e relegando as pautas dos povos originários e não se tornaram plataformas importantes de acesso ao Fundo Eleitoral.
Uma outra questão levantada pelos debatedores é a apropriação das pautas da diversidade pela extrema direita. Segundo as organizações, os partidos conservadores conseguiram cooptar alguns representantes para usar esses temas de acordo com os interesses de outros setores da sociedade que não dialogam com as comunidades.
De acordo com a deputada federal Célia Xakriabá é preciso pensar quais são os projetos políticos que estão nessas candidaturas.
“Precisamos criar estratégias de organização popular para disputar esse espaço que é ocupado por brancos. A extrema direita enfrenta a nossa luta crescente e passou a fazer alianças políticas para ter candidaturas indígenas. O capital se reinventa o tempo inteiro, então precisamos entender quais são essas candidaturas. Tem propostas para as comunidades? De política pública? Para a educação indígena?” questionou a deputada.
A ex-ministra dos Povos Indígenas Sonia Guajajara é pré-candidata para a Câmara dos Deputados e entende que é possível aumentar a representação indígena depois de anos de articulação política das organizações indígenas.
“Nós representamos uma série de pautas que são atacadas pela extrema direita. Se faz necessário fazermos a disputa não só de narrativa, mas também política nos espaços de decisão. Precisamos eleger deputados estaduais pela primeira vez. Vamos aumentar a nossa representação para transformar a política e mudar a estrutura. A resposta somos nós”, disse.
Para isso, a Apib lançou em 2022 o projeto Aldear a Política para ocupar esse espaço e disputar não só quantitativamente, mas também qualitativamente, disputando as pautas no Legislativo e no Executivo.
Durante o evento, foram apresentados também os pré-candidatos indígenas e indigenistas para as eleições de 2026. Para o Senado, a candidata Neidinha Surui será a candidata. Já a deputada estadual Auricélia Arapiun será candidata a deputada estadual no Pará. Além desses, serão candidatos à Câmara dos Deputados:
- Sonia Guajajara (SP)
- Célia Xakriabá (MG)
- Joenia Wapichana (RO)
- Zelandes Patamona (RO)
- Aldenicia Cadete (RO)
- Vanda Witoto (AM)
- Isac Wajuru (RN)
- Alessandra Munduruku (PA)
- Kleber Karipuna (AP)
- Ubirajara Sodre (PA)
- Eliane Potiguara (PR)
- Thais Kokama (DF)
- Avanilson Karajá (TO)
- Mônica Marapara (BA)
- Marcos Apurinã (AM)
- Ô-é Paiakan Kaiapó
- Tukumã Pataxó (BA)
- Chirley Pankará (SP)
- Professor Eliel Benites (MS)
- Rosilene Guajajara (MA)
- Magno Guajajara (MA)
- Elainy Togojebado (DF)
- Monica Pataxó (DF)
- Nildes (DF)
As candidaturas têm como plataformas fortalecimento das demarcações, proteção dos direitos, enfrentamento de todas as formas de violência e na garantia da participação política.
Editado por: Luís Indriunas
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